<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Abuso sexual de crianças &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
	<atom:link href="https://www.quebrarosilencio.pt/tema/abuso-sexual-de-criancas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.quebrarosilencio.pt</link>
	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Jun 2026 08:00:32 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/logo-black.svg</url>
	<title>Abuso sexual de crianças &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
	<link>https://www.quebrarosilencio.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Dia Mundial da Criança: quantas crianças mais terão de ser vítimas?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-mundial-da-crianca-quantas-criancas-mais-terao-de-ser-vitimas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 06:19:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção da violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção do abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=9327</guid>

					<description><![CDATA[No Dia Mundial da Criança, multiplicam-se mensagens sobre proteção, felicidade, direitos e futuro. Mas para a Quebrar o Silêncio, uma entidade especializada no apoio a vítimas de violência sexual, esta data obriga também a olhar para uma realidade profundamente incómoda: Portugal continua a falhar na prevenção e combate à violência sexual contra crianças. Enquanto sociedade [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No Dia Mundial da Criança, multiplicam-se mensagens sobre proteção, felicidade, direitos e futuro. Mas para a Quebrar o Silêncio, uma entidade especializada no apoio a vítimas de violência sexual, esta data obriga também a olhar para uma realidade profundamente incómoda: Portugal continua a falhar na prevenção e combate à violência sexual contra crianças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto sociedade e Estado Português, continuamos a falar demasiado pouco sobre aquilo que está a acontecer às crianças (presencialmente, dentro das famílias, nas escolas, nos clubes, nas instituições), mas também, cada vez mais, nos ambientes digitais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Conselho da Europa alerta há vários anos para um dado alarmante: 1 em cada 5 crianças é vítima de violência sexual. Um número já de si deveras preocupante. Mas a verdade é que, em 2026, este dado dificilmente refletirá a verdadeira dimensão da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pandemia aumentou o número de abusos sexuais de crianças e, mais recentemente, a proliferação de fenómenos como sextorsão, grooming, partilha de imagens íntimas, abuso sexual facilitado pelas redes sociais e conteúdos gerados com recurso à Inteligência Artificial vieram agravar ainda mais os riscos. Hoje sabemos que há cada vez mais crianças vitimadas. O que desconhecemos é a dimensão real dessa violência, porque uma esmagadora maioria dos crimes nunca chega a ser denunciada. Muitas vítimas permanecem em silêncio durante anos. Outras nunca chegam a falar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a Europa continua sem aprovar de forma definitiva um quadro legislativo robusto e permanente para o combate ao abuso sexual de crianças nos ambientes digitais. O impasse em torno da legislação europeia relativa à deteção e combate ao material de abuso sexual de crianças online continua a deixar milhões de menores vulneráveis e dependentes da “boa vontade” de plataformas e empresas tecnológicas como a Meta, Google ou outras multinacionais digitais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proteção das crianças não pode depender de medidas temporárias, hesitações políticas ou da autorregulação das empresas tecnológicas.</span></p>
<blockquote>
<h4><strong>Por isso, é inevitável perguntar: onde está o Plano Nacional de Combate e Prevenção da Violência Sexual contra Crianças?</strong></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde está a estratégia integrada, robusta e continuada capaz de responder a uma das mais graves violações de direitos humanos que afeta crianças em Portugal?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuamos com um Estado incapaz de garantir uma resposta nacional verdadeiramente articulada, preventiva e especializada. Continuamos a reagir tarde. Continuamos a depender de estruturas sobrecarregadas, de projetos temporários e de respostas insuficientes (e sem o devido financiamento) perante uma realidade cada vez mais complexa e violenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portugal ratificou convenções internacionais, assumiu compromissos europeus e reconheceu formalmente os direitos das crianças. Mas proteger crianças exige mais do que declarações institucionais ou campanhas simbólicas e pontuais. Exige investimento, prioridade política, prevenção, fiscalização, educação para a sexualidade, literacia digital, investigação criminal especializada e respostas de apoio acessíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E exige coragem para falar investir na prevenção da violência sexual contra crianças sem tabu, sem minimização e sem desviar o olhar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste Dia Mundial da Criança, reafirmamos aquilo que deveria ser óbvio: todas as crianças têm direito a crescer em segurança, livres de violência, exploração e abuso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A propósito desta data, partilhamos igualmente o nosso guia: “<a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf"><strong>Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças: conhecer, identificar e agir. Guia para profissionais</strong></a>”</span></p>

<a href='https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/associacao-quebrar-o-silencio-lanca-guia-para-a-prevencao-do-abuso-sexual-de-criancas/attachment/capa-guia/'><img decoding="async" width="150" height="150" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças" /></a>

]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sabe o que é incesto emocional?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/sabe-o-que-e-incesto-emocional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 11:04:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=9259</guid>

					<description><![CDATA[Incesto emocional pode ser descrito como a proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, e por isso inadequada e imprópria, em relação à criança e ao papel que esta desempenha na família. Mesmo que não se concretize no abuso sexual físico, o incesto emocional (ou camuflado) trata-se de um modelo de relação pouco saudável [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Incesto emocional pode ser descrito como a </span><b>proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, e por isso inadequada e imprópria, em relação à criança e ao papel que esta desempenha</b><span style="font-weight: 400;"> na família. Mesmo que não se concretize no abuso sexual físico, o incesto emocional (ou camuflado) trata-se de um modelo de relação pouco saudável em que os pais e/ou cuidadores esbatem os limites dos seus papéis e responsabilidades, e elevam a criança ao nível de parceiro. Mesmo que as pessoas adultas não tenham perceção e consciência dos seus atos, esta proximidade pode ter consequências devastadoras e afetar o desenvolvimento saudável da criança.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O bem-estar e as necessidades emocionais dos pais vêm sempre em primeiro lugar.»</span></i></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes casos, as crianças não são protegidas e cuidadas, mas sim levadas a inverter os papéis e a assumir o lugar de cuidador dos próprios progenitores (parentificação), sendo solicitadas para ajudar na resolução de problemas (emocionais, íntimos, etc) e até mesmo para dar conselhos românticos. Neste modelo de relação é comum que as crianças não vejam as suas necessidades asseguradas, pois no centro desta dinâmica familiar estão só as necessidades dos pais.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.»</span></i></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a criança, esta relação é imensamente confusa visto que a deixa sem saber qual é o seu lugar e também quais são os limites do que é inadequado e impróprio na relação que os pais ou cuidadores estabelecem com ela. É possível que desenvolva na criança um sentimento de responsabilização pelo bem estar dos progenitores que pode gerar sentimentos de culpa.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O incesto emocional não requer contacto físico»</span></i></h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Sinais de incesto emocional</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O incesto emocional pode ter uma carga altamente sexualizada. Por exemplo quando os pais:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">invadem a privacidade da criança e não respeitam os limites do seu corpo, fazendo referências ou comentários sexualizados sobre o corpo da criança.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dormem na mesma cama com ela até a uma idade avançada.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">têm conversas sobre encontros sexuais que tiveram ou levam a criança para encontros amorosos.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">romantizam e sexualizam a relação sem nunca haver uma concretização propriamente física, o que resulta num estado de confusão da criança relativamente à relação que os pais têm com ela ou qual o seu papel nessa relação. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">confidenciam com a criança algo íntimo e sexual, cujo teor pode ser incompreensível para ela, levando-a a sentir que tem um papel diferente, especial ou até mesmo privilegiado.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros sinais que podem ser comuns são quando os pais:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">pedem que o filho os conforte (desabafam ou choram para chamar a atenção da criança);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">partilham segredos íntimos e de teor sexualizado (ex: fazer queixas sobre a vida sexual dos próprios pais);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">centram a atenção da criança neles, desencorajando que ela tenha amizades com os seus pares;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">demonstram ciúmes quando a criança passa tempo longe deles ou quando a criança apresenta mais autonomia e desejo de liberdade;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">usam a criança como fonte de elogios, glorificação e reforço emocional.</span></li>
</ul>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Consequências do incesto emocional</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Como consequência é comum que a criança:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se sinta mais adulta do que os seus pares e sinta ter mais maturidade do que na realidade tem.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">passe a ser o “ombro amigo” e seja usada quando os cuidadores precisam, quando confidenciam pormenores das suas vidas que não contam a mais ninguém, o que pode contribuir para que ela se sinta, a determinada altura, especial.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">seja negligenciada e em detrimento do bem-estar dos cuidadores.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">não tenha o tempo necessário com os seus pares nem desenvolva relações de amizade saudáveis.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se sinta responsável pelas emoções dos outros e pelo bem-estar das outras pessoas, acabando por desenvolver atitudes de constante cuidado para com e de tentar agradar ao outro.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">desenvolva sentimentos ambivalentes de amor/ódio pelo progenitor que pratica incesto emocional.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">venha a ter problemas de gestão e regulação das emoções, afetando o seu desenvolvimento.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se torne num adulto sem consciência dos seus limites, sem a noção de que pode dizer que «não», tendendo a se anular e se focar apenas no que o outro quer (ex: na gratificação e prazer do outro)</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por último, nestas circunstâncias, é comum a criança tornar-se mais vulnerável à violência sexual. Um abusador pode identificar essa fragilidade e aproximar-se oferecendo atenção, escuta e apoio, assumindo o papel de um adulto de confiança. Esta aproximação é deliberada e visa criar dependência emocional, isolar a criança, ultrapassar limites e, progressivamente, normalizar a sexualização da relação.</span></p>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Casos reais que chegam à Quebrar o Silêncio</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, muitos dos homens que foram vítimas de violência sexual relatam que viveram em ambientes familiares pouco centrados nas necessidades da crianças (mesmo que, para terceiros, isso não fosse óbvio) e também com modelos de relação pouco saudáveis, como é o caso do incesto emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum serem referidos exemplos de mães que entram sem autorização no banho do filho, já adolescente, com o pretexto de que vão inspecionar e certificar-se que a zona genital está lavada corretamente, mães que dormem na mesma cama com o filho até este ser adulto, ou em que há uma relação com uma carga sexualmente presente que deturpa o papel de filho e o torna num confidente/melhor amigo ou algo mais. Há relatos onde é possível determinar que houve a normalização da nudez (por exemplo um homem adulto que não tem qualquer privacidade ou limites na exposição do seu corpo perante a mãe) e a normalização de conversas acerca da vida sexual e intimidade do homem (perguntas intrusivas sobre relações sexuais que o homem teve).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso das mulheres, existem também casos igualmente desadequados, em que os pais se apresentam como o namorado das filhas, o futuro marido, a cara-metade, ou o seu príncipe, entre outras situações.</span></p>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Incesto emocional como forma de abuso</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta dinâmica familiar (ainda) não vem referenciada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-5), mas não deixa, por isso, de ser alvo de estudo e investigações. Existem teorias e ferramentas para identificar sinais de que possa estar a acontecer e quais as suas consequências como, por exemplo, a escala Childhood Emotional Incest Scale (CEIS).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para algumas pessoas o incesto emocional é uma forma de abuso sexual de crianças, para outras não é, mas como Kathy Hardie-Williams refere, não deixa de ser uma forma de abuso e violência contra a criança. Independentemente da posição individual de cada um, não podemos negar a relação que tem com a violência sexual contra crianças, nomeadamente a de criar mais vulnerabilidades para que as crianças sejam vitimadas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3></h3>
<h3><b>Precisa de ajuda?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Se passou por uma relação de incesto emocional ou foi vítima de violência sexual, contacte-nos:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">​910 846 589</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres — testemunho de Jorge</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/eu-fui-vitima-de-varios-episodios-de-abuso-sexual-e-as-agressoras-foram-sempre-mulheres-testemunho-de-jorge/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 08:19:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Orientação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=9251</guid>

					<description><![CDATA[Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres. Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’. Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres.</p>
<p>Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘<em>vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’</em>.</p>
<p>Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim tão graves, comparadas com a de muitos homens, e que eu estaria a ocupar o lugar de alguém que <em>“merecia mais”</em>. A verdade é que ninguém merece ser abusado sexualmente. E não existe algo como <em>“pouco”</em> ou <em>“muito”</em> abuso.</p>
<p>Mesmo nas primeiras sessões com a Dr.ª Mariana, tinha muita relutância em ver-me como <strong>vítima</strong>. “Eu sou homem.”; “Eu podia ter parado.”; “Eu era fisicamente mais forte.”; ou “Eu sou o culpado.”; eram pensamentos que ruminavam na minha cabeça há anos.</p>
<p>Perceber que ser vítima de abusos sexuais e que nunca foi culpa minha, foi um ensinamento libertador que jamais teria aprendido sem a <strong>Quebrar o Silêncio</strong> e a Dr.ª Mariana.</p>
<p>O primeiro caso de abuso foi com uma professora, aos 11 anos. Só falei dele pela primeira vez, a um amigo, 15 anos mais tarde.</p>
<p>O segundo, foi num relacionamento de um ano e meio com uma mulher de 21: eu tinha 15. Deixando de parte os incontáveis episódios de chantagem emocional (muitos deles a roçar o crime), a relação terminou porque eu recusei a ter sexo com ela &#8211; a reação dela ao meu <em>“Não”</em> foi agredir-me.</p>
<p>O terceiro, quarto e quinto casos, sempre com mulheres, aconteceram aos 24 e 25 anos, com experiências casuais: encheram-me de substâncias para me acordar e ter sexo sem consentimento, tentaram sufocar-me sem aviso, tiraram-me fotografias nu e, o pior, não respeitaram o meu<em> “Não”</em> &#8211; dito de forma repetida &#8211; forçando-se física e psicologicamente em mim e levando-me a ter relações sexuais não consentidas de forma repetida na mesma noite.</p>
<p>Sou, como muitos de nós, um produto de uma sociedade machista. Onde os miúdos não têm informação sobre sinais de abusos sexuais e onde um homem não pode ser vítima de violação de uma mulher. Por isso, nem assumi estes casos, inicialmente, como violência sexual. Eram apenas<em> “experiências más”</em>. E assumi que eu estava destinado a ter mau sexo a minha vida toda. Que o problema era Eu, ou talvez uma qualquer questão metafísica de <em>Karma</em> ou astrologia: mas jamais Elas.</p>
<p>Passei a ver o sexo como uma obrigação e a intimidade como uma ameaça que eu deveria evitar a qualquer custo &#8211; e assim foi durante demasiado tempo.</p>
<p>Duvidei da minha orientação sexual, da minha capacidade de confiar e me ligar emocionalmente às pessoas e, após um período conturbado despontado por uma fratura peniana, perdi o controlo sobre as minhas emoções, entrando num <em>loop </em>de ansiedade, depressão e o início de ideação suicida.</p>
<p>Nunca vou esquecer a noite em que me apercebi pela primeira vez, através da informação no site da Quebrar o Silêncio, que eu poderia ter sido vítima. Senti a dor emocional de todas as experiências de uma só vez. Nunca me senti tão pequeno. Pensava que estava quebrado para sempre. Mas só precisava mesmo de quebrar o silêncio.</p>
<p>A Dr.ª Mariana guiou-me por todo o processo, de altos e baixos, mas muito consistente. E algo foi sarando, lentamente, em mim. Foi das experiências mais transformadoras da minha vida e, hoje, sinto-me um homem novo, mais seguro, mais confiante e conhecedor dos seus limites.</p>
<p><em>A cereja no topo do bolo?</em></p>
<p>Hoje, meses depois de iniciar este processo, estou a conhecer uma mulher incrível. Que me faz sentir que nunca é tarde, que nem todas as mulheres são iguais, que o sexo não é uma performance e que não temos de esconder as nossas cicatrizes de quem em nós só vê amor.</p>
<p>Isto também é possível para ti. Dá o <em>primeiro passo</em>. Eu sei que mete medo, mas podes confiar em mim: <strong>é seguro</strong>.</p>
<p>Jorge, 28 anos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crimes sexuais contra crianças envolvendo o adjunto da ex-Ministra da Justiça: um alerta para a realidade dos abusadores na sociedade</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/crimes-sexuais-contra-criancas-envolvendo-o-adjunto-da-ex-ministra-da-justica-um-alerta-para-a-realidade-dos-abusadores-na-sociedade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 12:13:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=9247</guid>

					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio, que presta apoio especializado a homens e rapazes vítimas de violência sexual, acompanha com profunda preocupação as notícias relativas à detenção do adjunto da ex-Ministra da Justiça, suspeito de abuso sexual de crianças e posse de conteúdos de abuso sexual de crianças, incluindo vítimas portuguesas. Este episódio é mais um exemplo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Quebrar o Silêncio, que presta apoio especializado a homens e rapazes vítimas de violência sexual, acompanha com profunda preocupação as notícias relativas à detenção do adjunto da ex-Ministra da Justiça, suspeito de abuso sexual de crianças e posse de conteúdos de abuso sexual de crianças, incluindo vítimas portuguesas.</p>
<p>Este episódio é mais um exemplo alarmante de uma realidade que insistimos em salientar: os abusadores não são figuras marginais, isoladas ou ‘monstros’ que se identificam facilmente pelo ar fortemente suspeito ou asqueroso. Pelo contrário, tratam-se, muitas vezes, de homens social e profissionalmente bem integrados, com carreira, formação, relações sociais e posições de confiança na sociedade.</p>
<h3>A Quebrar o Silêncio destaca que:</h3>
<ul>
<li>não existe um “perfil social” que distinga um abusador de outros homens;</li>
<li>não são identificáveis apenas pela forma como se apresentam ou se comportam em contextos sociais ou profissionais;</li>
<li>podem ocupar cargos públicos, exercer profissões reconhecidas e manter redes de contacto aparentemente reputadas, e, ainda assim, cometer crimes sexuais contra crianças de enorme gravidade.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>O caso agora em investigação, em que o suspeito desempenhou funções de adjunto no Ministério da Justiça e terá perpetrado crimes que afetaram pelo menos duas crianças portuguesas, ilustra precisamente a realidade perturbadora da violência sexual contra crianças: homens que parecem “normais”, insuspeitos ou bem-sucedidos e que, nos seus comportamentos privados, violam crianças e jovens.</p>
<p>É fundamental que a sociedade e as instituições não confundam a ‘aparência socialmente aceitável’ com a ausência de risco ou de violência. O estigma social que associa a violência sexual apenas a perfis marginais só contribui para a invisibilidade do crime e para o silenciamento das vítimas. Muitos sobreviventes veem o seu sofrimento intensificado por receio de não serem levados a sério, ou por medo de retaliações sociais ou profissionais.</p>
<p>A Quebrar o Silêncio reafirma que a violência sexual pode ocorrer em qualquer estrato social, em qualquer contexto e perpetrada por pessoas que, externamente, parecem perfeitamente integradas. Esta realidade exige uma resposta coletiva mais informada, mais vigilante e mais comprometida com a proteção das crianças e jovens.</p>
<p>A Quebrar o Silêncio continuará a acompanhar os desenvolvimentos deste caso, apoiando as vítimas e lembrando que a proteção das crianças e jovens deve ser sempre uma prioridade inadiável.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Para lá do dia 18 de novembro e da estatística «1 em cada 5»</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/para-la-do-dia-18-de-novembro-e-da-estatistica-1-em-cada-5/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 07:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=9236</guid>

					<description><![CDATA[Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência sexual», é igualmente urgente recordar que passaram mais de dez anos desde então e que os casos de abuso sexual de crianças aumentaram exponencialmente nos últimos anos.</span></p>
<h3><b>Abuso sexual de crianças nos espaços digitais</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos EUA, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) reportou, em 2024, um aumento de 1325% nos casos de exploração sexual de crianças com recurso à inteligência artificial (IA). Esta entidade recebeu, em média, quase 100 denúncias de extorsão sexual por dia, envolvendo crianças coagidas a produzir conteúdos e materiais pelos próprios meios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Reino Unido, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou 291.273 páginas com conteúdos de violência sexual contra crianças em 2024: o maior registo desde o início da sua atividade. A mesma organização verificou ainda um aumento de 380% na criação de conteúdos gerados com IA entre 2023 e 2024.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não estamos perante um mero aumento de denúncias: a quantidade de material abusivo disponível </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> disparou. A par da extorsão sexual, multiplicam-se as </span><i><span style="font-weight: 400;">deepfakes</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolvendo crianças e jovens, multiplicando estas formas de violência. Estes números revelam uma rede global de abuso sexual de crianças, hiper-conectada, que excede largamente as estatísticas antigas e exige resposta urgente.</span></p>
<h3><b>Portugal: que prevenção?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Portugal não é exceção, e a situação é igualmente alarmante. Perante estes dados trágicos, impõe-se a pergunta: </span><b>para quando um plano nacional efetivo de prevenção e combate à violência sexual contra crianças?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio e outras entidades defendem, há anos, a criação de um Plano Nacional de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Jovens — à semelhança do que já existe noutras áreas, como saúde ou segurança —, com uma estratégia ampla, coordenada e sustentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este plano deve envolver escolas, profissionais de saúde e de justiça, forças policiais e famílias. Deve investir em educação sexual preventiva, formação de educadores e recursos para respostas de apoio especializadas. É também indispensável fortalecer o sistema judicial, garantindo condenações efetivas e eliminando brechas que continuam a permitir a impunidade. Importa ainda regulamentar de forma rigorosa os serviços e plataformas digitais onde estes crimes ocorrem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia, não basta «assinalar no calendário»: é preciso agir. Exigimos que o Estado salde a dívida que tem para com as crianças e crie, sem demora, um plano nacional de prevenção e combate à violência sexual contra crianças, com metas claras e recursos adequados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não podemos permitir que a normalização destes números nos cegue para a realidade: cada número é uma criança, uma vida marcada, uma história que deve ser ouvida, reconhecida e protegida. E cada criança merece proteção ativa, agora.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia mundial da criança: abuso sexual de meninos e rapazes</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-mundial-da-crianca-abuso-sexual-de-meninos-e-rapazes-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Jun 2024 05:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=8858</guid>

					<description><![CDATA[Hoje assinala-se o Dia Mundial da Criança e para a Quebrar o Silêncio é importante reconhecer que a violência sexual é uma violação grave dos direitos humanos das crianças. Sabemos que um cada seis meninos é vítima de abuso sexual durante a sua infância. São na maioria meninos que crescem a sofrer em silêncio com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje assinala-se o Dia Mundial da Criança e para a Quebrar o Silêncio é importante reconhecer que a violência sexual é uma violação grave dos direitos humanos das crianças.</p>
<p>Sabemos que <strong>um cada seis meninos é vítima de abuso sexual durante a sua infância</strong>. São na maioria meninos que crescem a sofrer em silêncio com as consequências do abuso, sem nunca contar a ninguém o que aconteceu.</p>
<p>A maioria dos homens sobreviventes só partilha com alguém a sua história de abuso 20 anos depois do crime. Significa que muitas das vezes, estes meninos só têm o apoio que precisam quando já são homens adultos. Atualmente a média de idades dos homens que procuram o apoio da Quebrar o Silêncio é de 37 anos e muitos destes sobreviventes foram abusados na infância, por alguém próximo em quem confiavam.</p>
<p>Nesta efeméride é importante celebrar os direitos das crianças, mas também é fundamental relembrar a urgência em salvaguardar a sua segurança. Quando apoiamos um homem vítima de violência sexual, também estamos a apoiar a criança. Aquele menino que foi abusado sexualmente — na maioria dos casos por um familiar ou alguém próximo — e que cresceu sem o apoio que necessitava. Neste sentido, partilhamos a campanha que lançámos no final de 2022 para relembrar esta realidade que passa despercebida para muitas pessoas cuidadores, pais e mães destes meninos.</p>
<p><iframe title="Quebrar o Silêncio - mais de 20 anos em silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/QHESuJ--I_0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Se necessitar de apoio contacte-nos.<br />
910 846 589<br />
apoio@quebrarosilencio.pt</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-7944 size-large" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg" alt="" width="722" height="1024" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B.jpg 1748w" sizes="(max-width: 722px) 100vw, 722px" /></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-7943 size-large" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg" alt="" width="722" height="1024" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A.jpg 1748w" sizes="auto, (max-width: 722px) 100vw, 722px" /></p>
<p>Se lida com crianças no exercício profissional, faça download do nosso manual &#8220;<a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf">Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças: conhecer, identificar e agir. Guia para profissionais</a>&#8221;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-8477" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-212x300.jpg" alt="Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças" width="212" height="300" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-212x300.jpg 212w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-724x1024.jpg 724w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-768x1086.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-1086x1536.jpg 1086w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-1448x2048.jpg 1448w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia.jpg 1612w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia mundial da criança: abuso sexual de meninos e rapazes</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia_mundial_da_crianca_abuso_sexual_de-meninos_e_rapazes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2023 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=7978</guid>

					<description><![CDATA[Quando se assinala o Dia Mundial da Criança é importante reconhecer que a violência sexual é uma violação grave dos direitos humanos das crianças. Sabemos que um cada seis meninos é vítima de abuso sexual durante a sua infância. São na maioria meninos que crescem a sofrer em silêncio com as consequências do abuso, sem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se assinala o Dia Mundial da Criança é importante reconhecer que a violência sexual é uma violação grave dos direitos humanos das crianças. Sabemos que um cada seis meninos é vítima de abuso sexual durante a sua infância. São na maioria meninos que crescem a sofrer em silêncio com as consequências do abuso, sem nunca contar a ninguém o que aconteceu.<br />
A maioria dos homens só partilha com alguém a sua história de abuso 20 anos depois. Significa que muitas das vezes, estes meninos só têm o apoio que precisam quando já são homens adultos. Atualmente a média de idades dos homens que procuram o apoio da Quebrar o Silêncio é de 39 anos e muitos destes sobreviventes foram abusados na infância, por alguém próximo em quem confiavam.</p>
<p>Nesta efeméride é importante celebrar os direitos das crianças, mas também é fundamental relembrar a urgência em salvaguardar a sua segurança. Quando apoiamos um homem vítima de violência sexual, também estamos a apoiar a criança. Aquele menino que foi abusado sexualmente — na maioria dos casos por um familiar ou alguém próximo — e que cresceu sem o apoio que necessitava. Neste sentido, partilhamos a campanha que lançámos no final de 2022 para relembrar esta realidade que passa despercebida para muitas pessoas cuidadores, pais e mães destes meninos.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Quebrar o Silêncio - mais de 20 anos em silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/QHESuJ--I_0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Se necessitar de apoio contacte-nos.<br />
910 846 589<br />
apoio@quebrarosilencio.pt</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-7944 size-large" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg" alt="" width="722" height="1024" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B.jpg 1748w" sizes="auto, (max-width: 722px) 100vw, 722px" /></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-7943 size-large" src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg" alt="" width="722" height="1024" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A.jpg 1748w" sizes="auto, (max-width: 722px) 100vw, 722px" /></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunicado: Quebrar o Silêncio faz apelo à igreja relativamente à descontinuação da linha telefónica</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/comunicado-quebrar-o-silencio-faz-apelo-a-igreja-relativamente-a-descontinuacao-da-linha-telefonica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Apr 2023 10:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Abusos na igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=7889</guid>

					<description><![CDATA[Face à descontinuação da linha telefónica da comissão independente, a associação Quebrar o Silêncio apela à Igreja que faça o reencaminhamento das chamadas para as respostas especializadas de apoio à vítima de violência sexual. O objetivo é que nenhuma vítima fique desamparada e sem apoio. «As vítimas que continuam a sentir necessidade de falar e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Face à descontinuação da linha telefónica da comissão independente, a associação Quebrar o Silêncio apela à Igreja que faça o reencaminhamento das chamadas para as respostas especializadas de apoio à vítima de violência sexual. O objetivo é que nenhuma vítima fique desamparada e sem apoio. «As vítimas que continuam a sentir necessidade de falar e de procurar ajuda, não podem ficar sem resposta. As vítimas que agora ligam para o número da comissão precisam de ser encaminhadas para as organizações que prestam apoio especializado na área da violência sexual, para que tenham alguém que as escute e lhes dê a resposta que precisam» refere Ângelo Fernandes, presidente da Quebrar o Silêncio.</p>
<p>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">«É preciso relembrar que estas pessoas passaram por eventos traumáticos e que é fundamental respeitar o tempo de que necessitam para falar das suas histórias de abuso. A Igreja pediu às vítimas para falar, mas deu-lhes um prazo limitado. Não teve em mente a dimensão traumática e o tempo que as vítimas podem precisar. Agora temos pessoas preparadas para darem este passo e a Igreja fechou-lhes a porta ao descontinuar a linha telefónica. Para nós é fundamental e de extrema urgência que as vítimas tenham uma alternativa. Por este motivo, pedimos à Igreja que faça o reencaminhamento das chamadas para as entidades de apoio especializado para vítimas de violência sexual», complementa o presidente da Quebrar o Silêncio.</p>
<p>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entidades de apoio especializado para vítimas de violência sexual:</p>
<p>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quebrar o Silêncio </strong>(apoio para homens e rapazes vítimas de abusos sexuais)</p>



<p class="wp-block-paragraph">910 846 589 | apoio@quebrarosilencio.pt</p>
<p>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Associação de Mulheres Contra a Violência &#8211; AMCV</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">213 802 165 | ca@amcv.org.pt</p>
<p>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Emancipação, Igualdade e Recuperação &#8211; EIR UMAR</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">914 736 078 | eir.centro@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Abuso sexual de crianças e incesto emocional</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/abuso-sexual-de-criancas-e-incesto-emocional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 10:53:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=7898</guid>

					<description><![CDATA[Incesto emocional pode ser descrito como um modelo de relação pouco saudável em que os pais procuram a criança para apoio, conforto e até para a resolução de problemas. Esta procura carrega em si uma carga sexualizada, mas que nunca chega a ter uma dimensão física. Esta dinâmica familiar, que por vezes também é referida [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Incesto emocional pode ser descrito como um modelo de relação pouco saudável em que os pais procuram a criança para apoio, conforto e até para a resolução de problemas. Esta procura carrega em si uma carga sexualizada, mas que nunca chega a ter uma dimensão física.</strong></p>
<p>Esta dinâmica familiar, que por vezes também é referida por incesto camuflado, não vem (ainda) referenciada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-5), mas não deixa, por isso, de ser alvo de estudo e investigações. Existem teorias e ferramentas para identificar sinais de que possa estar a acontecer e quais as suas consequências como, por exemplo, a escala Childhood Emotional Incest Scale (CEIS).</p>
<blockquote><p>«O incesto emocional não requer contacto físico»</p></blockquote>
<p>O nome pode suscitar questões sobre a sua concretização, uma vez que o incesto emocional não requer contacto físico. Podemos dizer que se trata de uma proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, que é inadequada e imprópria. Mesmo que os pais não tenham perceção e consciência dos seus atos, o incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.</p>
<p>Numa dinâmica de incesto emocional, os pais esbatem os limites dos seus papéis e responsabilidades e elevam a criança ao nível de parceiro. Ou seja, em vez de as crianças serem protegidas e cuidadas, são levadas a inverter os papéis e a assumir o lugar de cuidador dos próprios progenitores (parentificação), sendo solicitadas para ajudar na resolução de problemas e até mesmo para dar conselhos românticos. Neste modelo de relação é comum que as crianças não vejam as suas necessidades saciadas, pois no centro desta dinâmica familiar estão só as necessidades dos pais.</p>
<blockquote><p>«O incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.»</p></blockquote>
<p>Para a criança, esta relação pode ser imensamente confusa visto que a deixa sem saber qual é o seu lugar e também quais são os limites do que é adequado e impróprio na relação que os pais estabelecem com ela. É comum que a criança se sinta mais adulta do que os seus pares e que sinta ter mais maturidade do que na realidade tem, uma vez que é procurada pelos pais para aconselhamento, conforto e resolução de problemas. A criança é o “ombro amigo” e é usada quando os cuidadores precisam, quando confidenciam pormenores das suas vidas que não contam a mais ninguém, o que pode contribuir para que ela se sinta, a determinada altura, especial. No entanto, este papel pode originar uma fatura danosa a nível do desenvolvimento, nomeadamente porque impede a criança de o ser e de ter a infância que merece, uma onde os pais cuidam de si. Ela cresce sem que os cuidadores estejam focados nela, acabando por negligenciá-la e deixá-la a navegar sozinha a infância e as relações com os outros. No fundo as suas necessidades sociais e emocionais mais básicas são ignoradas e nunca satisfeitas, porque o bem-estar dos pais vem sempre em primeiro lugar.</p>
<h1>Sinais de incesto emocional</h1>
<p>É preciso reconhecer que, embora não haja uma dimensão física, o incesto emocional entra num território sexualizado e pode ter uma carga altamente sexualizada. Por exemplo, os pais podem invadir a privacidade da criança e não respeitar os limites do seu corpo, fazendo referências ou comentários sexualizados sobre o corpo da criança. Outro exemplo é quando dormem na mesma cama com ela até a uma idade avançada. Também podem ter conversas sobre encontros sexuais que tiveram ou levar a criança para encontros amorosos. Há uma romantização e sexualização da relação sem nunca haver uma concretização propriamente física, o que pode resultar num estado de confusão da criança relativamente à relação que os pais têm com ela ou qual o seu papel nessa relação. Assim, é comum a mãe ou o pai confidenciarem com a criança algo íntimo e sexual, cujo teor pode ser incompreensível para a criança, mas que sente ter-lhe sido atribuído um papel diferente, especial ou até mesmo privilegiado.</p>
<p>Outros sinais que podem ser comuns são quando os pais:</p>
<ul>
<li>Pedem que o filho os conforte (desabafam ou choram para chamar a atenção da criança);</li>
<li>Partilham segredos íntimos e de teor sexualizado (ex: fazer queixas sobre a vida sexual dos próprios pais);</li>
<li>Centram a atenção da criança neles, desencorajando que ela tenha amizades com os seus pares;</li>
<li>Demonstram ciúmes quando a criança passa tempo longe deles ou quando a criança apresenta mais autonomia e desejo de liberdade;</li>
<li>Usam a criança como fonte de elogios, glorificação e reforço emocional.</li>
</ul>
<p>Como consequência do incesto emocional, a criança é negligenciada e em detrimento do bem-estar dos cuidadores. Acaba por não ter o tempo que necessita com os seus pares nem desenvolver relações de amizade saudáveis. A criança pode começar a sentir-se responsável pelas emoções dos outros e pelo bem-estar das outras pessoas, acabando por desenvolver atitudes de constante cuidado para com e de tentar agradar ao outro. A criança pode também desenvolver sentimentos ambíguos de amor/ódio pelo progenitor que pratica incesto emocional. Segundo um estudo de 2015, este tipo de situações está associado a problemas de gestão e regulação das emoções por parte das crianças, afetando o seu desenvolvimento.</p>
<h1>Incesto emocional e violência sexual contra crianças</h1>
<p>Ao ocupar o papel de cuidador, a criança acaba por não ver as suas necessidades satisfeitas. Como consequência, ela poderá ficar mais vulnerável à violência sexual. Um abusador que se aperceba desta fragilidade pode aproveitá-la para iniciar uma relação com a criança e dar-lhe a atenção de que ela tanto necessita. O abusador toma, assim, o papel do adulto que se interessa pela criança, que a escuta verdadeiramente e que está presente para a ajudar. É uma estratégia planeada para se aproximar da criança e para ser reconhecido como um adulto de confiança, um que a criança pode procurar se tiver algum problema ou necessidade. As condições estão reunidas para começar a escalar a manipulação sobre a criança, isolá-la para garantir momentos a sós, sexualizar as conversas que têm e, claro, para a dessensibilizar ao toque.</p>
<p>Na Quebrar o Silêncio, muitos dos homens que foram vítimas de violência sexual relatam que viveram em ambientes familiares pouco centrados nas necessidades da crianças (mesmo que, para terceiros, isso não fosse óbvio) e também com modelos de relação pouco saudáveis, como é o caso do incesto emocional. É comum serem referidos exemplos de mães que entram sem autorização no banho do filho, já adolescente, com o pretexto de que vão certificar-se que a zona genital está lavada corretamente, mães que dormem na mesma cama com o filho até este ser adulto, ou em que há uma relação com uma carga sexualmente presente que deturpa o papel de filho e o torna num confidente/melhor amigo ou algo mais. Na área das mulheres, existem também casos igualmente desadequados, em que os pais se apresentam como o namorado das filhas, o futuro marido, a cara-metade, ou o seu príncipe, entre outras situações.</p>
<p>O incesto emocional é um modelo de relação familiar no qual os pais ultrapassam as fronteiras saudáveis na relação que têm com os filhos, diluindo os limites do que é adequado e desadequado, e que tem uma carga sexualizada sem haver contacto físico. Quando falamos de violência sexual contra crianças é fundamental compreendermos a complexidade desta realidade e também as diferentes extensões e de que forma estão interligadas.</p>
<p>Para algumas pessoas o incesto emocional é uma forma de abuso sexual de crianças, para outras não é, mas como Kathy Hardie-Williams refere, não deixa de ser uma forma de abuso e violência contra a criança. Independentemente da posição individual de cada um, não podemos negar a relação que tem com a violência sexual contra crianças, nomeadamente a de criar mais vulnerabilidades para que as crianças sejam vitimadas.</p>
<h2>Precisa de ajuda?</h2>
<p>Se foi passou por uma relação de incesto emocional ou foi vítima de violência sexual, contacte-nos:</p>
<p>​910 846 589</p>
<p>apoio@quebrarosilencio.pt</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunicado da Quebrar o Silêncio relativamente aos casos de abusos sexuais no contexto da igreja</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/comunicado-da-quebrar-o-silencio-relativamente-aos-casos-de-abusos-sexuais-no-contexto-da-igreja/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Feb 2023 10:58:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Abusos na igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.quebrarosilencio.pt/?p=7903</guid>

					<description><![CDATA[As notícias relacionadas com os abusos sexuais na igreja estão a deixar vítimas em crise. A associação Quebrar o Silêncio registou, esta semana, um aumento dos pedidos de apoio relacionados com os casos de abuso sexual no contexto da igreja. “São homens que foram vítimas de violência sexual na infância e que não conseguem ter [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As notícias relacionadas com os abusos sexuais na igreja estão a deixar vítimas em crise. A associação Quebrar o Silêncio registou, esta semana, um aumento dos pedidos de apoio relacionados com os casos de abuso sexual no contexto da igreja. “São homens que foram vítimas de violência sexual na infância e que não conseguem ter um momento de paz, pois são constantemente confrontados com notícias de abuso sexual. Para estas vítimas é um constante reviver das suas próprias histórias”, refere Ângelo Fernandes, fundador da associação.</p>
<p>Os homens que, no passado, já haviam procurado o apoio psicológico da Quebrar o Silêncio partilham o mesmo sentimento. “Os homens referem que estes são momentos muito difíceis de gerir devido à enorme exposição mediática. Observamos a intensificação das consequências geradas pelo trauma do abuso sexual, como o aumento de pensamentos e memórias indesejadas do abuso, flashbacks, aumento da ansiedade, angústia e tristeza, entre outras”, indica o presidente da Quebrar o Silêncio. “Mesmo quando as vítimas decidem não ver mais notícias, o tema está tão presente no contexto do seu trabalho ou mesmo nas suas próprias casas, que não há como fugir ou ter um momento de paz.”</p>
<h3>Reforçar o apoio disponível para as vítimas</h3>
<p>Para combater esta situação e para que nenhuma vítima fique sem apoio, a Quebrar o Silêncio apela a que se sejam colocados os contactos das organizações de apoio especializado às vítimas de violência sexual nas notícias sobre abusos sexuais.</p>
<p>“A maioria das vítimas não partilha a sua história de abuso por vergonha, por medo da reação das outras pessoas, entre muitos outros motivos, e nestes momentos mediáticos acabam por gerir tudo isto em segredo. Do nosso ponto de vista, é importante que as notícias incluam, em nota de rodapé, os contactos das associações de apoio especializado para vítimas de violência sexual. A inclusão destes contactos, como se faz com temas como o suicídio, é fundamental para que as vítimas, que desconhecem estas respostas, tenham oportunidade de dar o primeiro passo para procurarem ajuda, quando se sentirem preparadas.” avança Ângelo Fernandes.</p>
<p><strong>Associações de apoio especializado à vítima de violência sexual</strong><br />
Quebrar o Silêncio (apoio para homens e rapazes vítimas de abusos sexuais)<br />
Linha de apoio: 910 846 589<br />
Email: apoio@quebrarosilencio.pt</p>
<p><strong>Associação de Mulheres Contra a Violência &#8211; AMCV</strong><br />
Linha de apoio: 213 802 165<br />
Email: ca@amcv.org.pt</p>
<p><strong>Emancipação, Igualdade e Recuperação &#8211; EIR UMAR</strong><br />
Linha de apoio: 914 736 078<br />
Email: eir.centro@gmail.com</p>
<h3>Aumento da prescrição dos crimes sexuais</h3>
<p>Em 2021 a Quebrar o Silêncio e a Associação de Mulheres Contra a Violência colaboraram na redação de uma proposta para aumentar o prazo de prescrição dos crimes sexuais contra crianças. As organizações pretendiam alargar o prazo da prescrição para 15 anos após a vítima atingir os 35 anos de idade, ou seja, até aos 50 anos de idade da vítima. A proposta foi aprovada na Assembleia da República em outubro de 2021, mas o processo legislativo acabou por ele próprio prescrever com a queda do anterior Governo.</p>
<p>Com a desocultação do cenário dantesco exposto pela Comissão Independente, a Quebrar o Silêncio acredita que esta é uma nova oportunidade para fazer progredir a lei portuguesa em conformidade com vários países que têm avançado nestas matérias. O Reino Unido, Islândia, Canadá, Nova Zelândia e Austrália não têm limite para a denúncia de crimes sexuais contra menores. Mesmo nos países onde os há, os prazos são bastante mais alargados do que acontece em Portugal. É o caso da Alemanha, em que o prazo é de 20 anos quando a vítima atinge os 30 anos de idade — ou seja, pode denunciar até aos 50 anos de idade. Em Portugal, o prazo é de apenas 5 anos após a vítima menor atingir a maioridade, ou seja, até aos 23 anos de idade. Se considerarmos que a maioria das pessoas abusadas sexualmente na infância demora mais de 20 ou 30 anos a partilhar a sua história de abuso, este prazo não é suficiente e não respeita o tempo das vítimas.</p>
<h3>Que mudanças podemos aguardar da igreja?</h3>
<p>Esta semana começou com a publicação do relatório pela Comissão Independente. Após um ano de trabalho, foram desocultadas 4815 vítimas de violência sexual no contexto da igreja desde 1950.</p>
<p>Os abusos sexuais têm uma dimensão sistémica, mas o silenciamento dos casos na igreja e a proteção dos abusadores foi estrutural. Como consequência, acreditamos que as medidas e respostas terão de romper com a cultura de ocultação e de autoproteção que se instalou na igreja. Os crimes têm de ser denunciados sem reservas, demoras ou questionamentos; os abusadores têm de ser investigados pelas autoridades policiais competentes e julgados conforme a lei portuguesa.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
