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	<title>Ansiedade &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Ansiedade &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Quando a violência sexual destrói o amor-próprio</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-a-violencia-sexual-destroi-o-amor-proprio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 08:48:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
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					<description><![CDATA[A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a própria forma como se percebem enquanto pessoas e enquanto homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em casos de abuso sexual a autoestima pode ser profundamente afetada. Ideias como “há algo de errado comigo”, “sou fraco”, “sou sujo” ou “não mereço coisas boas” passam a ocupar espaço no pensamento diário. Estas crenças não surgem do nada: são frequentemente alimentadas pelo estigma social, pelos mitos sobre masculinidade e pelo silêncio que ainda envolve a violência sexual contra homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos sobreviventes, aceitar um elogio torna-se difícil, quase impossível; por sua vez, as críticas negativas parecem ficar cravadas no corpo. Sentir orgulho em si próprios pode parecer impossível. A perceção de valor pessoal fica comprometida e, com o tempo, essa visão negativa pode tornar-se uma lente através da qual passam a interpretar a própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual também pode afetar profundamente a forma como os homens se veem enquanto homens. Vivemos em sociedades que continuam a associar masculinidade à força, ao controlo, à invulnerabilidade e à capacidade de se defender. Quando um homem é vítima de violência sexual, estas ideias podem transformar-se em acusações internas devastadoras: “Se eu fosse um homem a sério, isto não teria acontecido.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta narrativa é injusta e errada, mas tem consequências reais. Muitos sobreviventes podem passar anos a questionar a própria masculinidade, a sua identidade e o seu lugar no mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o tempo, estas perceções podem influenciar decisões importantes da vida. Há homens que evitam relações íntimas por medo, vergonha ou desconfiança. Outros sentem dificuldade em comunicar os seus limites, em confiar nas pessoas ou em reconhecer que merecem cuidado e respeito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com o próprio corpo também pode mudar. Alguns sobreviventes relatam sentir-se desligados de si mesmos, como se habitassem um corpo que deixou de lhes pertencer plenamente. Outros desenvolvem sentimentos de repulsa, culpa ou estranheza em relação ao próprio corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas experiências podem ainda influenciar o percurso profissional, as relações familiares, a vida afetiva e sexual e até a forma como a pessoa imagina o seu futuro. Quando a autoestima é destruída, o horizonte pode parecer mais curto. O sobrevivente pode acreditar que não merece felicidade, estabilidade ou amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio da Quebrar o Silêncios, os homens desenvolvem ferramentas para reconstruir a forma como se veem a si próprios. A recuperação do trauma não significa apagar o que aconteceu, mas aprender a olhar para si com mais compaixão, dignidade e verdade.</span></p>
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		<title>Vida depois do trauma: confiar sem olhar por cima do ombro</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/vida-depois-do-trauma-confiar-sem-olhar-por-cima-do-ombro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2025 09:06:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[Na Quebrar o Silêncio, acompanhamos de perto o percurso de muitos homens que viveram experiências profundamente marcantes de violência sexual. Sabemos que o caminho da recuperação nem sempre é linear. Por vezes, é duro, exigente, e cheio de hesitações. Mas também sabemos, por escuta direta, que vale a pena. Não porque a memória do trauma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, acompanhamos de perto o percurso de muitos homens que viveram experiências profundamente marcantes de violência sexual. Sabemos que o caminho da recuperação nem sempre é linear. Por vezes, é duro, exigente, e cheio de hesitações. Mas também sabemos, por escuta direta, que vale a pena. Não porque a memória do trauma se apaga, mas porque deixa de comandar a vida.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">«Sinto que agora posso caminhar pela rua sem precisar de olhar por cima do ombro. O medo já não manda em mim.»</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos anos, são muitos os sobreviventes que partilham connosco o alívio, a leveza e a liberdade que voltaram a sentir depois de terminar o processo terapêutico. São testemunhos que nos lembram que, apesar de tudo, a esperança não é uma ideia abstrata — é uma realidade possível.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">«Achei que nunca mais ia confiar em ninguém. Mas a verdade é que, com tempo e apoio, recuperei amizades, fiz novas, e deixei de me sentir constantemente em alerta.»</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes relatos revelam um ponto comum: a mudança é real. Viver depois do trauma é possível. Mais do que isso, é transformador. Muitos dos homens que nos procuram referem que, após o processo terapêutico, conseguem sentir-se mais inteiros, com mais clareza sobre o que lhes aconteceu e sobre o que merecem. Voltam a sorrir com genuinidade. A apaixonar-se. A dormir sem pesadelos. A fazer planos — não para fugir, mas para viver.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">«Depois de anos a viver em modo sobrevivência, sinto que agora estou, finalmente, a viver a minha vida.»</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante dizê-lo: o processo de apoio psicológico pode trazer momentos dolorosos , sim. Toca em feridas antigas, confronta silêncios longos, obriga à verdade. Mas não é um processo solitário. É feito lado a lado, ao ritmo de cada um, com escuta e validação. E o que está do outro lado compensa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">«Pela primeira vez, senti que alguém me ouvia sem querer saber todos os pormenores. Isso fez toda a diferença.»</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho da Quebrar o Silêncio não apaga o passado. Mas ajuda a ressignificá-lo. A dar nome, a encontrar sentido, a recuperar controlo. A verdade é que são os próprios homens que o dizem:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">«Procurar a Quebrar o Silêncio foi a melhor decisão da minha vida.»</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O apagão e o abuso sexual de homens: que relação?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/o-apagao-e-o-abuso-sexual-de-homens-que-relacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 10:26:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
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					<description><![CDATA[O apagão de ontem pode ter sido um contratempo técnico. Mas para os homens sobreviventes de violência sexual, pode ter representado muito mais do que isso. Pode ter sido um momento em que a sensação de segurança e controlo, já profundamente abalada, se esfumou por completo e os deixou em crise. O que tem em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<h4><em>O apagão de ontem pode ter sido um contratempo técnico. Mas para os homens sobreviventes de violência sexual, pode ter representado muito mais do que isso. Pode ter sido um momento em que a sensação de segurança e controlo, já profundamente abalada, se esfumou por completo e os deixou em crise.</em></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que tem em comum um apagão, como o que se viveu ontem, com a experiência de um homem que foi vítima de violência sexual? À primeira vista, muito pouco. Mas se escutarmos com atenção, o que muitos destes sobreviventes nos dizem, encontramos um ponto de contacto profundo: a sensação esmagadora da perda abrupta de controlo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser vítima de violência sexual implica a total subversão da autonomia pessoal. O corpo torna-se num território violado. O que acontece não é desejado, não é consentido, e não é controlado. Esta experiência traumática repercute-se ao longo do tempo, deixando marcas profundas na forma como a pessoa interpreta e reage ao mundo, percecionando-o como potencialmente perigoso. Assim, qualquer evento que evoque, mesmo de forma simbólica, essa perda de controlo — uma pandemia, um colapso digital, uma notícia inesperada, um desaparecimento súbito de dados — pode funcionar como um desencadeador emocional. E o corpo pode ser levado a lembrar-se do que a mente tenta esquecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este tipo de situação atípica, imprevisível e sem precedentes, abala também algo fundamental: a sensação de segurança. Para muitos sobreviventes de violência sexual, o quotidiano já é vivido num estado de hipervigilância, como se o perigo estivesse sempre à espreita. Quando o mundo exterior confirma, mesmo que momentaneamente, essa perceção de ameaça, a resposta emocional intensifica-se. Ou seja, a reação interna pode ser desproporcional, mas não é irracional: é traumática. O apagão já não é só a ausência de sinal, é, também, o colapso de um frágil equilíbrio entre o dentro e o fora, entre o previsível e o caótico. E essa instabilidade pode reativar memórias sensoriais e emocionais ligadas à violência sofrida: a ausência de controlo, o medo súbito, e o sentimento de que «algo de muito mau está a acontecer e eu não consigo impedir». Embora não sejam comparáveis em termos de violência, a suspensão abrupta da normalidade e da capacidade de previsão são elementos essenciais para o bem-estar psicológico de quem vive com este tipo de trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos homens, estas reações são frequentemente silenciadas ou desvalorizadas — pelas normas societais que ainda lhes impõe o papel de inquebráveis, pela vergonha internalizada de terem sido vítimas de abuso sexual, nomeadamente como sinal de fraqueza. E, no entanto, eles existem, em silêncio, e a tentar viver como se nada tivesse acontecido. Esta realidade dificulta o reconhecimento e a verbalização do sofrimento, perpetuando o silêncio que rodeia o abuso sexual masculino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é urgente que compreendamos que o controlo — ou a ilusão dele — é um elemento fundamental na recuperação do trauma dos homens que foram vítimas de violência sexual. O controlo sobre o corpo, sobre a narrativa, e sobre o quotidiano. E isto inclui gestos como decidir o que se partilha, com quem, e quando; e ter controlo total nessas tomadas de decisão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desvalorizar ou ignorar o impacto que acontecimentos externos podem ter nos sobreviventes deste tipo de trauma é contribuir para a manutenção de uma invisibilidade social que tem consequências reais. Urge desenvolver uma escuta mais empática e informada, que reconheça que o trauma sexual não pertence exclusivamente ao passado. Pelo contrário, manifesta-se frequentemente no presente, e que pode ser reativado por eventos que rompem com o senso de previsibilidade e segurança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apagão de ontem pode ter sido, para a maioria, uma perturbação passageira. Para outros, foi uma ameaça simbólica com ressonâncias muito mais profundas. Talvez o apagão também sirva como um convite a refletir sobre a nossa incapacidade coletiva de reconhecer e validar o sofrimento daqueles que, em silêncio, continuam a tentar reconstruir-se após uma violência que nunca deveria ter acontecido.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Fui vítima de abuso sexual, vou tornar-me abusador?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/fui-vitima-de-abuso-sexual-vou-tornar-me-abusador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 10:32:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
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					<description><![CDATA[A ideia de que um rapaz vítima de violência sexual se tornará, ele próprio, um abusador é um mito que assombra e silencia muitos homens sobreviventes. No entanto, não é esta a realidade. Por terem sido vítimas de violência sexual, há homens sobreviventes que receiam poder vir a abusar sexualmente de crianças. É importante esclarecer, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de que um rapaz vítima de violência sexual se tornará, ele próprio, um abusador é um mito que assombra e silencia muitos homens sobreviventes. No entanto, não é esta a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por terem sido vítimas de violência sexual, há homens sobreviventes que receiam poder vir a abusar sexualmente de crianças. É importante esclarecer, desde já, que não existe uma relação causal. Todavia, este medo infundado é reforçado socialmente devido aos mitos e crenças erradas sobre estes temas e, não só gera sofrimento e ansiedade, como também contribui para que os sobreviventes continuem a sofrer em silêncio. Há abusadores (cerca de 30%) que referem terem sido vítimas de abuso sexual no passado, mas — atenção — deduzir que 30% dos homens sobreviventes tornar-se-á abusador é uma conclusão errada. Repetimos: não existe uma relação causal. Quando, no apoio psicológico, exploramos este receio, é evidente que este não está relacionado com o facto de o sobrevivente sentir desejo ou atração sexual por crianças. Prende-se, sim, com a preocupação irracional — baseada na desinformação sobre o porquê de os abusadores vitimarem crianças — de que, por ter sido abusado, é inevitável tornar-se um abusador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta dúvida pode estar presente de várias formas, como por exemplo, através de pensamentos disruptivos recorrentes, nos quais o sobrevivente receia poder magoar uma criança e acredita que tal pode mesmo vir a acontecer. Alguns homens sentem dificuldade em manifestar carinho ou afeto pelas crianças que fazem parte da sua vida, como filhas e filhos ou sobrinhas e sobrinhos. Para muitos pais, abraçar, pegar ao colo ou dar banho às suas crianças , pode ser um momento de ansiedade marcado pelo medo de fazer algo de errado. Em algumas situações, esta preocupação pode ser tão intensa que leva o sobrevivente a adotar comportamentos de evitamento, como não interagir com as crianças da sua família, evitar passar perto de escolas ou parques infantis ou até mesmo tomar a decisão de não ser pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este medo de magoar uma criança é habitualmente acompanhado por fortes sentimentos de culpa e vergonha. Uma vez que esta crença errada ainda está bastante enraizada socialmente, pode contribuir para que o sobrevivente não partilhe a sua história de abuso, por ter medo de ser julgado como alguém que irá abusar sexualmente de uma criança. Na verdade, por terem sidos vítimas de violência sexual na infância, muitos destes homens que são pais, acabam por ser mais protetores e atentos, uma vez que estão mais alerta e conscientes de que este é um problema ainda silenciado na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o apoio especializado da Quebrar o Silêncio, o sobrevivente tem a oportunidade de compreender que se trata apenas de um medo infundado e que não corresponde à realidade. Esta desconstrução permite ao sobrevivente viver a sua vida sem estar aprisionado ao receio constante de poder magoar uma criança. Tornar-se-á mais fácil relacionar-se com as crianças que fazem parte da sua vida e manifestar o seu carinho e afeto para com elas, sem que isso seja disruptivo ou provoque ansiedade. Ao sentir-se confiante e seguro, o sobrevivente estará mais livre para tomar decisões importantes sem se condicionar, como por exemplo, escolher ser pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se se identifica com este texto saiba que não está sozinho. A Quebrar o Silêncio está disponível para recebê-lo através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email </span><a href="mailto:apoio@quebrarosilencio.pt"><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“As redes sociais fazem-me sentir pior”</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/as-redes-sociais-fazem-me-sentir-pior/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2024 07:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A utilização das redes sociais é, várias vezes, identificada por homens sobreviventes de violência sexual como um hábito disruptivo que promove o mal-estar, a desregulação emocional e o isolamento. O sobrevivente pode encontrar nas redes sociais uma estratégia de evitamento. Ao ser bombardeado com inúmeros estímulos, pode ajudar a fugir das memórias e pensamentos intrusivos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A utilização das redes sociais é, várias vezes, identificada por homens sobreviventes de violência sexual como um hábito disruptivo que promove o mal-estar, a desregulação emocional e o isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente pode encontrar nas redes sociais uma estratégia de evitamento. Ao ser bombardeado com inúmeros estímulos, pode ajudar a fugir das memórias e pensamentos intrusivos que o assolam. Estes pensamentos negativos podem tornar-se particularmente intensos quando o sobrevivente não está ocupado, pelo que as redes sociais surgem como uma forma rápida e facilmente acessível de se manter distante dos pensamentos e emoções que o perturbam. Em algumas situações este hábito pode ainda funcionar como uma forma de lidar com o tédio, ansiedade, frustração e/ou tristeza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além disso, estabelecer novas relações através das redes sociais pode tornar-se mais fácil e seguro, uma vez que, exige menor exposição e o sobrevivente pode sentir-se menos vulnerável e com maior controlo. </span><span style="font-weight: 400;">Para alguns sobreviventes de violência sexual, manter alguma forma de controlo do ritmo e do modo como as relações se desenvolvem pode ser essencial para preservar uma sensação de segurança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns homens, este hábito pode ocupar várias horas do seu dia e tornar-se nocivo e contribuir para o aumento da ansiedade e de sintomas depressivos, potenciar o isolamento social, aumentar a procrastinação e levá-los a abdicar de outras atividades que seriam mais construtivas e satisfatórias para si. A constante comparação com os outros e as suas vidas — vidas estas, cuja representação pode não corresponder à verdade —, pode reforçar crenças negativas sobre si, tal como, sentimentos de fracasso, defeito e solidão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas consequências podem estar presentes em qualquer pessoa, independentemente de ter ou não ter sido vítima de violência sexual. No entanto, para alguns homens sobreviventes, pode ser particularmente significativa e impactante, uma vez que, pode intensificar sintomas e crenças disfuncionais muitas vezes já presentes devido à vivência do abuso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o processo de apoio psicológico, o sobrevivente pode refletir sobre os seus hábitos e rotinas, identificar aqueles que estão a ser danosos para si e ajustar o que sentir necessidade. Paralelamente, ao compreender o que o ajuda a estar equilibrado emocionalmente, pode substituir hábitos nocivos por comportamentos e estratégias funcionais que promovam o seu bem-estar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se é sobrevivente de violência sexual e se identifica com este texto contacte-nos </span><span style="font-weight: 400;">através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt, </span><span style="font-weight: 400;">a Quebrar o Silêncio está disponível para o receber. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quando o Natal é um desafio para quem foi vítima de violência sexual</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-o-natal-e-um-desafio-para-quem-foi-vitima-de-violencia-sexual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 09:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Dezembro pode ser um mês particularmente difícil para os homens que foram vítimas de abusos sexuais. Para muitos sobreviventes o Natal pode implicar ter de conviver com o abusador ou com familiares que têm conhecimento do abuso (e que podem ter sido coniventes). São momentos complicados, potenciadores de mal estar e que implicam uma gestão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dezembro pode ser um mês particularmente difícil para os homens que foram vítimas de abusos sexuais. Para muitos sobreviventes o Natal pode implicar ter de conviver com o abusador ou com familiares que têm conhecimento do abuso (e que podem ter sido coniventes). São momentos complicados, potenciadores de mal estar e que implicam uma gestão difícil e dolorosa por parte do sobrevivente.</p>
<p>Por vezes, não é de todo possível evitar ter contacto com o abusador. Nos casos em que nenhum outro familiar tem conhecimento do que aconteceu, pode não haver, para a família, nenhum motivo ou razão para que o sobrevivente não tenha uma relação próxima com aquela pessoa. Manter a harmonia familiar, enquanto gere o impacto do contacto com o abusador é, para muitos sobreviventes, um processo bastante doloroso e que gera ansiedade, stress e mal estar.</p>
<p>Numa altura em que se privilegia os momentos em família, o Natal pode representar uma sensação de sufoco, agonia e angústia para muitos dos sobreviventes. A hipótese de se confrontar com o abusador, a proximidade de amigos e familiares, a pressão para se apresentar estável e bem-disposto, e a dificuldade em encontrar momentos a sós são algumas das dificuldades identificadas como desencadeadoras de algum mal-estar e desconforto para vários sobreviventes.</p>
<p>Sabemos que não existem cenários perfeitos, nem soluções milagrosas, mas há estratégias que podem ajudar a encontrar o equilíbrio necessário para ajudá-lo a passar o Natal. Se for possível, pode:</p>
<ul>
<li>Se for possível, não se force a permanecer em situações, locais ou conversas que o deixam desconfortável;</li>
<li>Definir os seus próprios limites, até onde se sente confortável e a partir de que momento será importante se retirar ou sair da situação;</li>
<li>Decidir de antemão quais os tópicos que quer evitar das conversas em família;</li>
<li>Pensar em formas e estratégias para mudar de assunto quando o tema não é confortável;</li>
<li>Antecipar como responder a uma pergunta provocadora ou curiosa com outra pergunta que mude o assunto;</li>
<li>Informar familiares que confia que não quer falar sobre determinados temas e pedir que tomem atenção;</li>
<li>Procurar momentos a sós para relaxar um pouco (ex: passear um animal, ir comprar algo que é necessário);</li>
<li>Identificar se há na família alguém que possa ser uma pessoa aliada para ajudar a navegar e a gerir alguns dos momentos mais complicados;</li>
<li>Contactar pessoas amigas de confiança com quem possa desabafar durante o Natal (ex: pode enviar SMS ou pedir que lhe telefonem a determinado momento para ter uma razão para sair de uma conversa mais complicada);</li>
<li>Recorde-se que existe sempre a opção de não comparecer a um evento ou situação que poderá ser gerador de mal estar e que pode optar por um programa diferente.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lembre-se que não está sozinho. Se tiver dificuldades em gerir estes momentos e sentir que necessita de apoio, contacte-nos através do email apoio@quebrarosilencio.pt ou da nossa Linha de Apoio 910 846 58.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Violência sexual contra homens: o corpo enquanto gatilho</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/violencia-sexual-contra-homens-o-corpo-enquanto-gatilho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Nov 2023 11:29:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[É comum sobreviventes de violência sexual sentirem o próprio corpo enquanto gatilho do evento traumático vivido. Como forma de fugir ao sofrimento, o sobrevivente pode evitar ou rejeitar o seu corpo, o que vai gerar um impacto na percepção que tem de si, no modo como vive a sua sexualidade e como se relaciona com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É comum sobreviventes de violência sexual sentirem o próprio corpo enquanto gatilho do evento traumático vivido. Como forma de fugir ao sofrimento, o sobrevivente pode evitar ou rejeitar o seu corpo, o que vai gerar um impacto na percepção que tem de si, no modo como vive a sua sexualidade e como se relaciona com os outros.</p>
<p>Quando vivenciada, a violência sexual fica gravada na memória enquanto um evento traumático, tal como as sensações e emoções negativas a ela associadas. Quando o sobrevivente se depara com desencadeadores que de algum modo são associados ao trauma vivido, é invadido por memórias do que aconteceu, tal como, pelas sensações e emoções que estiveram presentes. Estes gatilhos são muitas vezes externos, por exemplo um som, um local ou uma situação. No entanto, quando falamos de violência sexual, o próprio corpo do sobrevivente pode ser o gatilho dos abusos de que foi vítima, sendo este uma constante lembrança do que aconteceu, da qual é impossível fugir. Por esse motivo, pode sentir nojo ou repulsa do seu corpo, o que o leva progressivamente a evitá-lo. Assim, é comum que homens que foram abusados sexualmente evitem olhar, tocar ou até mesmo sentir o seu próprio corpo. Neste sentido, o sobrevivente pode não querer olhar-se ao espelho, colocar creme sobre o seu corpo, evitar relações sexuais ou contactos íntimos, pois fazê-lo pode gerar sentimentos negativos ou até trazer memórias dos abusos. Esta rejeição de si próprio poderá reforçar sentimentos de autodesvalorização, culpa e vergonha, tal como, algumas crenças negativas sobre si como “eu sou feio e nojento”, “há algo muito errado comigo”, “ninguém me vai amar ou aceitar como sou”, entre outras.</p>
<p>O facto de se sentir cada vez mais desconectado com o seu corpo, pode gerar a sensação de que este não lhe pertence e que por isso não tem controlo sobre ele. Esta percepção de ausência de controlo, reforçada muitas vezes por sentimentos de culpa face ao abuso, pode levar o sobrevivente a acreditar que a qualquer momento pode ter uma reação inesperada e fazer algo de errado, como magoar outra pessoa, mesmo quando na realidade nada indica que o faria.</p>
<p><strong>Impacto na relação com os outros</strong></p>
<p>Muitos homens que sentem o seu corpo enquanto gatilho da violência sexual sofrida, partilham dificuldades em estabelecer relações afetivas seguras e em se envolver intimimanente com outras pessoas. Sensações como o toque, o contacto pele a pele ou a proximidade física em momentos de intimidade, podem ser extremamente ativadoras e transportar o sobrevivente para o evento traumático. Do mesmo modo, reações físicas como ter uma ereção ou ejacular, podem ser um gatilho para homens que foram abusados sexualmente, causando sofrimento e mal estar que vão influenciar a forma como vivem a sua sexualidade. Tudo isto, pode levar ao evitamento de determinadas práticas sexuais desencadeadoras de memórias, emoções ou sensações relacionadas com o abuso, como por exemplo penetrar outra pessoa durante a relação sexual ou até mesmo evitar qualquer envolvimento sexual.</p>
<p>Através de um acompanhamento psicológico especializado, é possível compreender melhor estes gatilhos e as emoções por ele geradas, tal como, o que fazer para que se tornem menos disruptivos na sua vida. Ao longo do processo terapêutico poderá aprender a aceitar-se por inteiro, a sentir o seu corpo como seu e não como uma ameaça ou perigo iminente ou como uma recordação sucessiva dos abusos. Ao deixar de ser um gatilho, o sobrevivente poderá apropriar-se do seu corpo e sentir que tem total controlo sobre ele. Será assim mais fácil gostar de si e aceitar-se inteiramente, sendo assim possível conectar-se e relacionar-se com os outros de forma segura.</p>
<p>Se sente que o seu corpo é um gatilho ou se se identifica com este texto, procure apoio. Contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
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		<title>Abuso sexual: “Não consigo descansar e estou sempre alerta. É como se o abuso estivesse em todo o lado”</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/abuso-sexual-nao-consigo-descansar-e-estou-sempre-alerta-e-como-se-o-abuso-estivesse-em-todo-o-lado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Sep 2023 08:08:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[AVISO: ao longo do texto são enumerados exemplos referentes a histórias de violência sexual. Se a leitura for desconfortável ou dolorosa, recomendamos que a interrompa e contacte a associação Quebrar o Silêncio através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt. &#160; Quando alguém é vítima de violência sexual, a sua sensação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>AVISO:</strong> ao longo do texto são enumerados exemplos referentes a histórias de violência sexual. Se a leitura for desconfortável ou dolorosa, recomendamos que a interrompa e contacte a associação Quebrar o Silêncio através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando alguém é vítima de violência sexual, a sua sensação de segurança, percepção de controlo e capacidade de regular as emoções podem ser fortemente abaladas. Este evento traumático, tal como as emoções e sensações que daí advêm, ficam associadas a algo perigoso e ameaçador, mesmo que de forma inconsciente. Quando o sobrevivente está perante algo que de algum modo se relaciona com o trauma vivenciado, estas memórias são ativadas, trazendo de volta sensações e emoções vividas, fazendo-o sentir que está novamente em perigo ou que algo mau vai acontecer.</p>
<p>Viver neste estado constante de vigilância pode ser extremamente disruptivo, uma vez que o sobrevivente sente que é levado para o evento traumático a todo e a qualquer momento. O mundo passa a ser percepcionado como um lugar perigoso e inseguro, o que gera uma enorme ansiedade, hipervigilância, sensação de insegurança e falta de controlo. Numa tentativa de minimizar o mal estar, o sobrevivente acaba por adoptar comportamentos de evitamento, o que interfere com a sua vida pessoal, social e profissional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Quando o trauma do passado afeta o presente</h3>
<p>Dependendo da história de abuso, estes desencadeadores (comummente também denominados como “gatilhos”) podem ser diversos, desde lugares, pessoas, objetos, odores, palavras, até situações do quotidiano. Por exemplo, alguém que no decorrer dos abusos era recorrentemente humilhado, pode sentir-se muito ansioso quando o chefe é mais autoritário ou quando tomam uma decisão por si. Estes desencadeadores também podem incluir sensações físicas, como sons, sabores, texturas e cheiros (ex: se o abusador cheirava habitualmente a álcool ou a tabaco, o sobrevivente pode não conseguir suportar este cheiro ou até estar na presença de bebidas alcoólicas ou de tabaco). Em algumas situações, podem ainda ser determinadas características associadas a quem cometeu os abusos, como por exemplo, ser homem, ter barba, ser alto ou ser uma figura de autoridade.</p>
<p>Mesmo não estando numa situação de perigo, muitas vezes estes estímulos, que remetem ao abuso, podem ser tão intensos que existe uma generalização a outros estímulos semelhantes, dando a sensação de que “o abuso está em todo o lado”. Assim, a ideia de perigo iminente pode ser constante na vida dos sobreviventes, o que gera um estado ininterrupto de alerta (hipervigilância). Por exemplo, um sobrevivente cujos abusos aconteciam no momento do banho, pode ser invadido por memórias intrusivas quando está no duche ou apenas por entrar numa casa de banho, mesmo que não seja aquela onde o abuso aconteceu. Este desencadeador pode ser generalizado a outras situações, fazendo com que o sobrevivente fique extremamente ansioso quando ouve o som de água ou sente água na sua pele. Isto pode levar a que contextos como ir à piscina ou à praia sejam evitados, até afetar tarefas do quotidiano como lavar a cara ou tomar banho.</p>
<p>Do mesmo modo, é comum que o toque seja ativador de memórias do abuso, o que faz com o sobrevivente se sinta extremamente ansioso sempre que tem contactos íntimos e relações sexuais, levando-o a evitar estas situações. Com o passar do tempo, pode mesmo começar a evitar o contacto físico com terceiros (como abraços ou um aperto de mão) e, eventualmente, não se sentir capaz de estar fisicamente próximo de outras pessoas (ex: em transportes públicos, concertos, discotecas, etc.), levando a que gradualmente deixe de frequentar determinados locais ou, em certos casos, até evitar sair de casa.</p>
<p>Com o apoio especializado em trauma e violência sexual, é possível compreender o impacto do abuso e trabalhar estratégias que permitem antecipar e gerir desencadeadores do evento traumático, para que estes se tornem menos desestabilizadores.</p>
<p>Depois da terapia, é comum que o sobrevivente se sinta capaz de lidar com possíveis desencadeadores, tal como com memórias, pensamentos e emoções associadas ao abuso. Isto aumenta a sensação de segurança e controlo sobre a vida, o que lhe permitirá conseguir distanciar-se do passado, focar-se no momento presente, e fazer planos para o futuro.</p>
<p>Se se identifica com este texto e necessita de apoio contacte-nos. A Quebrar o Silêncio está disponível para o receber através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
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		<title>O verão pode ser um desafio para vítimas de violência sexual</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/o-verao-pode-ser-um-desafio-para-vitimas-de-violencia-sexual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 08:41:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[O verão e as férias estão a chegar. Este pode ser um período de descanso e de descontração para a grande maioria das pessoas, mas para homens e rapazes vítimas de abuso sexual pode ser um período bastante difícil e complicado de gerir. Um dos desafios para alguns sobreviventes de violência sexual passa pela dificuldade [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O verão e as férias estão a chegar. Este pode ser um período de descanso e de descontração para a grande maioria das pessoas, mas para homens e rapazes vítimas de abuso sexual pode ser um período bastante difícil e complicado de gerir.</p>
<p>Um dos desafios para alguns sobreviventes de violência sexual passa pela dificuldade na exposição do seu corpo e em lidar com a exposição do corpo dos outros. Numa altura em que as roupas encurtam e as idas à praia são mais frequentes, pode tornar-se mais difícil gerir esse mal-estar e encontrar alternativas para os momentos de lazer.</p>
<p>Quando a exposição do corpo ou parte dele é geradora de sofrimento, o sobrevivente pode evitar frequentar locais vistos como de risco e consequentemente, evitar momentos sociais, de lazer e até de autocuidado. Rejeitar convites para uma tarde passada com amigos junto ao mar, evitar ginásios e até partidas de futebol de praia com os amigos, entre outras situações podem despoletar nestes homens  ansiedade e pensamentos intrusivos, geradores de sofrimento.</p>
<p>Sabemos que a maioria dos casos de violência sexual são praticados por familiares ou por alguém próximo da família. Por este motivo, nesta fase do ano em que é comum passar férias em família ou receber visitas de familiares habitualmente mais distantes, o sobrevivente de abuso sexual pode ser confrontado com a necessidade de rever ou conviver com a pessoa que praticou o abuso, o que naturalmente pode ser disruptivo para o seu bem estar.</p>
<p>Neste sentido, o verão pode proporcionar situações em que se ativam memórias e emoções negativas associadas ao abuso sexual, o que pode gerar sofrimento e altos  níveis de ansiedade e mal-estar nos homens e rapazes vítimas de violência sexual.</p>
<p>Se foi vítima de violência sexual pode contar com a ajuda da Quebrar o Silêncio para recuperar do trauma e retomar o controlo da sua vida. Não está sozinho.</p>
<p>Contacte-nos através da nossa Linha de Apoio 910 846 589 ou através do endereço de email: <a href="mailto:apoio@quebrarosilencio.pt">apoio@quebrarosilencio.pt</a>.</p>












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		<title>Ansiedade nos sobreviventes de violência sexual</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/ansiedade-nos-sobreviventes-de-violencia-sexual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jan 2023 11:14:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A ansiedade que os homens sobreviventes de violência sexual experienciam diariamente pode ser disruptiva nas suas vidas e gerar sofrimento. Pequenos momentos do dia-a-dia ou decisões importantes podem representar internamente um aumento significativo de ansiedade para estes homens. O aumento da ansiedade pode gerar pensamentos obsessivos, projetar cenários negativos ou mesmo catastróficos, atos de impulsividade [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A ansiedade que os homens sobreviventes de violência sexual experienciam diariamente pode ser disruptiva nas suas vidas e gerar sofrimento.</p>
<p>Pequenos momentos do dia-a-dia ou decisões importantes podem representar internamente um aumento significativo de ansiedade para estes homens. O aumento da ansiedade pode gerar pensamentos obsessivos, projetar cenários negativos ou mesmo catastróficos, atos de impulsividade ou paralisação.<br />
Por vezes, uma simples frase como “Amanhã preciso de falar contigo!” pode ser o suficiente para que internamente o homem sinta o seu mundo a desabar.</p>
<p>Aprender a lidar com estes momentos e a ganhar estratégias de gestão da ansiedade faz parte do apoio psicológico que prestamos na Quebrar o Silêncio. Apoio que é gratuito e confidencial.</p>
<p>No final do apoio psicológico muitos homens referem que a ansiedade já não representa um problema nas suas vidas como antigamente. Referem também que aprenderam a gerir momentos stressantes sem que ganhem proporções como anteriormente.</p>
<p>Não adie mais, peça ajuda hoje.<br />
Linha de apoio: 910 846 589<br />
Email: apoio@quebrarosilencio.pt</p>
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