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	<title>Extorsão Sexual &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Extorsão Sexual &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<item>
		<title>Extorsão sexual: testemunhos de quem foi vítima</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-testemunhos-de-quem-foi-vitima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 09:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunho]]></category>
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					<description><![CDATA[Tiago (nome fictício), 32 anos «Aconteceu tudo muito rápido, na minha pausa para almoço. Recebi uma mensagem no Instagram de uma rapariga que parecia ter a minha idade. Começámos a falar, a conversa parecia normal e, quando dei por mim, já tínhamos trocado algumas fotos e vídeos. Logo a seguir, ela revelou que afinal era [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>Tiago (nome fictício), 32 anos</h4>
<p>«Aconteceu tudo muito rápido, na minha pausa para almoço. Recebi uma mensagem no Instagram de uma rapariga que parecia ter a minha idade. Começámos a falar, a conversa parecia normal e, quando dei por mim, já tínhamos trocado algumas fotos e vídeos. Logo a seguir, ela revelou que afinal era um homem e começou imediatamente a exigir dinheiro. Ao mesmo tempo, criou grupos de mensagens com a minha família, amigos e colegas de trabalho. Foi um choque total. As mensagens não paravam, com ameaças, contagens decrescentes e uma pressão enorme para eu pagar. Entrei em pânico, sem saber o que fazer, com medo de que a minha mulher descobrisse e arruinasse o casamento. Felizmente, tive um momento de lucidez, fui pesquisar na internet e encontrei o site da Quebrar o Silêncio. Liguei para a associação na hora. Sinceramente, foi isso que me salvou.»</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Marcelo (nome fictício), 63 anos</h4>
<p>«Conheci-a nos grupos no Facebook. Foi logo muito direta e disse que procurava companhia e que queria sentir-se protegida por um homem mais velho. Tinha um ar muito jovem e uma conversa bastante provocadora, por isso lembro-me de lhe perguntar várias vezes a idade. Garantiu-me sempre que era maior de idade.</p>
<p>»A conversa tornou-se íntima muito depressa e eu acabei por corresponder. Ela enviava fotos e vídeos e pedia-me que fizesse o mesmo. Quando enviei os meus, tudo mudou. Fui contactado por alguém que dizia ser um alto comandante da Polícia Angolana. Disse-me que afinal ela era menor e que a mãe tinha apresentado uma queixa contra mim por pedofilia. Entrei imediatamente em pânico. Tentei explicar o que tinha acontecido e que ela tinha mentido, mas disseram-me que a denúncia avançaria a não ser que eu pagasse 1500 euros à polícia que eles tratavam de transferir à mãe dela.</p>
<p>»Foi só quando contactei a Quebrar o Silêncio que percebi o que estava realmente a acontecer. Explicaram-me que as autoridades não fazem este tipo de contacto, não pedem pagamentos e não fazem mediações deste género. Segui as indicações que me deram, bloqueei todos os contactos e não paguei nada. Foi isso que me safou. Só assim a situação parou.»</p>
<p>Em relação ao caso de Marcelo, a Quebrar o Silêncio tem registado vários casos que seguem um guião semelhante: o homem vitimado é contactado por uma mulher que se apresenta como maior de idade, a qual desenvolve uma relação <em>online</em> para trocar mensagens, fotografias ou vídeos íntimos e sexualizados. Imediatamente após a troca, o homem é contactado por alguém que se faz passar por polícia ou figura de autoridade, alegando que a pessoa era afinal menor, seguindo-se a extorsão em jeito de mediação.</p>
<p>«Este esquema tem-se revelado extremamente eficaz em gerar pânico, numa tentativa de forçar o pagamento imediato. E é precisamente esse choque súbito, essa sensação paralisante de que a vida pode desmoronar-se num segundo, que os extorsionários exploram até ao limite», afirma Ângelo Fernandes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Rui (nome fictício), 45 anos</h4>
<p class="p1">«O meu caso começou depois de uma separação complicada. Estava sozinho, a sentir-me em baixo, e voltei a usar aplicações de encontros. Conheci alguém que parecia interessada em ouvir-me e em perceber o que eu estava a passar. Falámos sobre a minha vida, o trabalho e os filhos. A certa altura, a conversa tornou-se mais íntima e trocámos algumas fotos e vídeos, acreditando que era uma pessoa de confiança.</p>
<p class="p1">»Mal enviei os ficheiros, recebi uma mensagem completamente diferente. Mandaram-me uma montagem das minhas fotos, onde não se via a minha cara, mas coladas à imagem do meu perfil para que as pessoas percebessem que era eu. Ameaçavam enviá-las para a minha ex-mulher e para colegas de trabalho se eu não pagasse. Tive medo que isso prejudicasse o meu divórcio e acabei por pagar 150 euros, mas não serviu de nada. Pediram mais e criaram um grupo de conversa no Instagram com pessoas que me seguiam nas redes sociais. Voltei a pagar mais 250 euros e, em menos de uma semana, já tinha enviado um total de 3 mil euros. Estava desesperado, mas cada vez que enviava dinheiro a chantagem não parava, apenas aumentava.</p>
<p class="p1">»Eu nem fazia ideia de que aquilo fosse crime ou que se chamava extorsão sexual. Só queria que tudo acabasse, porque tinha medo de perder o contacto com os meus filhos e de ser humilhado. Sentia-me ridículo por ter caído neste esquema e nem sei o que me passou pela cabeça para enviar um vídeo em que se via a minha cara.</p>
<p class="p1">»Quando pedi ajuda à Quebrar o Silêncio, explicaram-me que se tratava de extorsão e que eu não tinha de lidar com aquilo sozinho, mas nessa altura já tinha enviado mais dinheiro. No total, paguei mais de 6 mil euros.»</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Extorsão sexual: análise de um crime em rápida escalada</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-analise-de-um-crime-em-rapida-escalada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 10:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2025, a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2025, <strong>a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos</strong>. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes como a violação e assédio sexual.</p>
<p>«O aumento dos pedidos de ajuda deve-se, uma vez mais, aos esforços que temos feito para informar sobre as diferentes formas de violência sexual contra homens. No passado, aconteceu o mesmo quando focámos o abuso sexual em contexto de <em>chemsex</em> ou quando os homens são forçados a penetrar. No final de 2024 começámos a alertar e a informar para os crimes de extorsão sexual contra homens e, em 2025, vimos os resultados desta campanha. Os homens tendem a sentir uma vergonha profunda e a crer que são um caso isolado, e é essa uma das razões pelas quais não procuram apoio. Quando têm contacto com as nossas publicações essa sensação de isolamento tende a desaparecer e é quando procuram a Quebrar o Silêncio», explica Ângelo Fernandes, diretor técnico da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>«Este é um crime igualmente preocupante e que também é pouco discutido. À Quebrar o Silêncio chegam casos em que os sobreviventes começam por pagar 50€ ou 100€, para depois serem vítimas de uma escalada na violência exercida e nas ameaças para extorquir valores cada vez maiores. Há casos em que os pagamentos chegaram a rondar os 20 mil euros», complementa o fundador.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>«Os homens quando nos contactam, estão muitas vezes extremamente ansiosos e em desespero porque a extorsão está a acontecer naquele preciso momento. Procuram uma solução imediata para terminar a extorsão e para que a ameaça acabe o mais rápido possível. No fundo o que eles procuram é esquecer que este episódio alguma vez aconteceu», complementa Filipa Carvalhinho, Coordenadora do Gabinete de Apoio à Vítima da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Caraterização dos crimes</h3>
<p>Este tipo de crime caracteriza-se, frequentemente, por contactos iniciados em ambientes digitais, pela obtenção de imagens íntimas e pela subsequente chantagem com exigência de pagamento, sob ameaça de divulgação dos conteúdos.</p>
<p>É um crime oportunista que atinge os homens de forma transversal, independentemente da idade, orientação sexual, estado civil ou contexto profissional, e com <strong>diferentes níveis de literacia digital</strong>.</p>
<p>Destacam-se sobretudo redes sociais generalistas, como Instagram e Facebook, onde é fácil criar perfis falsos e iniciar conversas privadas, bem como aplicações de encontros, como Tinder, Badoo ou Grindr, usadas para estabelecer rapidamente contacto com as vítimas. Após o primeiro contacto é frequente que a conversa seja transferida para serviços de mensagens instantâneas, como WhatsApp, Telegram ou Snapchat, por permitirem maior proximidade e menor perceção de controlo.</p>
<p>Em alguns casos, são ainda utilizadas plataformas de videochamada ou streaming, onde são solicitadas interações íntimas que podem ser gravadas sem consentimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Perfil das vítimas</h3>
<p>Na Quebrar o Silêncio acompanhamos perfis distintos de homens vítimas de extorsão sexual, mas com vulnerabilidades comuns. Entre os mais jovens, é frequente terem uma presença ativa nas redes sociais, e para quem conhecer pessoas através dessas plataformas é parte integrante do seu quotidiano e é vivido com naturalidade. A procura de ligação, de validação ou de intimidade ocorre em ambientes digitais que percecionam como familiares e seguros.</p>
<p>Entre os homens mais velhos, surgem realidades diferentes, mas igualmente marcadas pela vulnerabilidade. Muitos encontram-se social ou emocionalmente isolados, alguns após divórcios ou situações de viuvez. Outros estão em relações estáveis ou casados, mas ainda assim atravessam períodos de solidão, fragilidade ou necessidade de reconhecimento.</p>
<p>O que une estes perfis é a vulnerabilidade emocional ou a carência afetiva, características que os extorsionistas identificam e exploram de forma deliberada, criando uma falsa sensação de relação, proximidade e confiança, que depois é instrumentalizada para a chantagem.</p>
<p>Existe ainda um terceiro perfil, menos frequente, que envolve homens vítimas de extorsão por parte de pessoas próximas. Nestes casos, a extorsão parte de alguém com quem mantêm ou mantiveram uma relação de intimidade, ou, em algumas situações, de elementos do seu círculo social. A proximidade prévia torna a violência ainda mais complexa, intensificando sentimentos de traição, vergonha e medo de exposição.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>978 homens vítimas de abuso sexual pediram ajuda à Quebrar o Silêncio</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/978-homens-vitimas-de-abuso-sexual-pediram-ajuda-a-quebrar-o-silencio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 00:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017, dos quais 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual. &#160; Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio. &#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de<strong> 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017</strong>, dos quais<strong> 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>A associação destaca o aumento de 37% nos pedidos de ajuda, em particular o <strong>crescimento abrupto e preocupante dos crimes de extorsão sexual. </strong>Em 2025, foram registados 67 casos de extorsão sexual, dos quais <strong>51 foram homens, o que representa um aumento de 5000% face ao ano anterior</strong> de 2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A média de idades dos homens situa-se nos 38 anos numa amplitude etária alargada, entre os 14 e os 70 anos, desmontando a ideia errada de que a violência sexual contra homens é um crime limitado à infância, atravessando, sim, as diferentes fases de vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora maioritariamente masculina, <strong>a violência sexual não é praticada exclusivamente por homens</strong>. Em 2025, sempre que foi possível identificar o sexo do abusador, os dados da Quebrar o Silêncio indicam que 65% foram homens e 35% mulheres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para assinalar o seu 9.º aniversário, realizamos, hoje, 6 de fevereiro, um evento <em>online</em>, onde será apresentada a análise dos crimes sexuais contra homens e rapazes referente ao ano de 2025, bem como a <strong>nova campanha de sensibilização da associação &#8220;Quem é que…&#8221;</strong>.</p>
<p>Podem ver o vídeo aqui:</p>
<p><iframe title="&quot;Quem é que…&quot; — nova campanha da Quebrar o Silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/rnyBwg3iAO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O evento culminará com o painel <strong><em>«Extorsão Sexual e Masculinidades»</em></strong>, que contará com a participação de <strong>Ricardo Vieira</strong>, inspetor da Polícia Judiciária, <strong>Paula Cosme Pinto</strong>, ex-jornalista e ativista pela igualdade, e <strong>Filipa Carvalhinho</strong>, coordenadora do Gabinete de Psicologia e Apoio à Vítima da Quebrar o Silêncio.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aumento preocupante de casos de extorsão sexual contra homens e rapazes</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/aumento-preocupante-de-casos-de-extorsao-sexual-contra-homens-e-rapazes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 May 2025 08:42:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[sextortion]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos primeiros quatro meses de 2025, a Quebrar o Silêncio registou 14 casos de extorsão sexual de homens e rapazes — um número que representa um aumento drástico face a 2024, ano em que apenas um caso foi identificado. &#160; Estes casos envolvem duas situações distintas: homens vítimas de extorsão sexual por parte de desconhecidos, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote>
<h2><b><span style="font-size: large;">Nos primeiros quatro meses de 2025, <u>a Quebrar o Silêncio registou 14 casos de extorsão sexual de homens e rapazes</u> — um número que representa um aumento drástico face a 2024, ano em que apenas um caso foi identificado.</span></b></h2>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<div></div>
<p>Estes casos envolvem duas situações distintas:</p></div>
<div>
<ul>
<li>homens vítimas de extorsão sexual por parte de desconhecidos,</li>
<li>extorsão ocorridas no contexto de relações de intimidade.</li>
</ul>
</div>
<div></div>
<h3></h3>
<h3><span style="color: #000000;"><b><span style="font-size: large;"><span class="gmail_default">O aumento destes casos é abrupto, mas não surpreende</span></span></b></span></h3>
<div>A <span class="gmail_default">Quebrar o Silêncio </span>constata que, num padrão recorrente, os homens sobreviventes são abordados por outros homens que, assumindo identidades femininas falsas, iniciam conversas com forte teor sexual. O objetivo é levar as vítimas a partilhar imagens ou vídeos íntimos. Assim que o material é obtido, a dinâmica muda: os agressores revelam a farsa e iniciam uma campanha de intimidação e exigências, pressionando a vítima, num curto espaço de tempo, a ceder às chantagens. Em alguns casos, os abusadores podem chegar a contactar familiares, amigos ou colegas das vítimas, aumentando o pânico e a pressão para pagarem (frequentemente através de vouchers ou cartões-brinde, dificultando o rastreio financeiro).</p>
<p><b>Foi o que aconteceu a André (nome fictício), 24 anos.</b> «Só passaram duas horas de conversa com ela e já estava a confiar», relata. Julgava estar a conversar com uma rapariga da sua idade. Quando se deu conta, as imagens que enviara estavam nas mãos de um homem na Nigéria, que o ameaçava com uma campanha agressiva de exposição pública caso não obedecesse.</div>
<div></div>
<div>Noutros casos, no contexto de relações íntimas, ex-companheiros ameaçam divulgar (disseminação não consentida) imagens íntimas obtidas durante a relação, como forma de coação para reatar a relação ou por uma sensação distorcida de “retaliação” pela separação.</p>
<p>Nos casos de casais do mesmo sexo, verifica-se ainda o recurso à ameaça de “outing” forçado, ou seja, a exposição pública da orientação sexual da vítima sem o seu consentimento.</p>
<p><b>No caso de Manuel (nome fictício), de 36 anos. </b>O ex-parceiro partilhou fotos, captadas durante a relação, com colegas de trabalho e em aplicações de encontros, anunciando-as como se fossem um convite para ofertas sexuais disponíveis para quem quisesse. A humilhação de Manuel não foi só privada, mas também foi pública, deliberada e devastadora.</div>
<div></div>
<h3><b>Impacto na vida dos homens vitimados</b></h3>
<p>A Quebrar o Silêncio sublinha que a extorsão sexual pode ter um impacto profundamente devastador na vida das vítimas. Muitos homens relatam uma sensação extrema de falta de controlo (por estarem à mercê dos abusadores), desesperança, vergonha e medo de exposição, uma vez que desconhecem onde e até que ponto as imagens íntimas foram divulgadas (fóruns, redes sociais, grupos de conversa como o WhatsApp). Ignoram se amigos, familiares e colegas terão já visto as suas imagens e vídeos. Esta angústia pode levar a graves consequências para a saúde mental, incluindo pensamentos suicidas e, em alguns casos, pode levar mesmo ao suicídio.</p>
<p>Para a<span class="gmail_default"> </span>Quebrar o Silêncio, «o aumento dos casos reportados é um reflexo do trabalho e do esforço da Quebrar o Silêncio em dar visibilidade às múltiplas expressões da violência sexual contra homens. Quando falamos sobre outras formas de abuso sexual — como a violação em contexto de chemsex, ser forçado a penetrar ou o stalking de homens —, mais homens encontram palavras para o que viveram, e isso dá-lhes coragem para procurar ajuda.»</p>
<div></div>
<h3><span style="color: #000000;"><b><span style="font-size: large;">Em caso de extorsão, saiba o que fazer</span></b></span></h3>
<div>
<p><strong><br />
Não ceda à chantagem</strong></p>
<ul>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Não envie dinheiro nem imagens ou vídeos.</span></li>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Ceder pode encorajar o criminoso a continuar.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-family: arial, sans-serif;"> </span></p>
<p><strong><span style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small;">Guarde todas as provas</span></strong></p>
<ul>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Faça capturas de ecrã das mensagens, perfis e transações (se aplicável).</span></li>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Guarde links e e-mails.</span></li>
</ul>
<p><strong><span style="font-family: arial, sans-serif;"><br />
</span><span style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small;">Interrompa o contacto</span></strong></p>
<ul>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Não tente negociar ou dialogar.</span></li>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Bloqueie a pessoa em todas as plataformas.</span></li>
</ul>
<p><strong><span style="font-family: arial, sans-serif;"><br />
</span><span style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small;">Denuncie o crime </span></strong></p>
<ul>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Denuncie à Polícia Judiciária através do portal da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (<a href="https://www.policiajudiciaria.pt/unc3t/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.policiajudiciaria.pt/unc3t/&amp;source=gmail&amp;ust=1746606854270000&amp;usg=AOvVaw3Yc-L0yPYIqdbtZO-hLIZj">UNC3T</a>) ou presencialmente.</span></li>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Pondere contactar associações de apoio como a Quebrar o Silêncio ou a <a href="https://www.instagram.com/naopartilhes/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.instagram.com/naopartilhes/&amp;source=gmail&amp;ust=1746606854270000&amp;usg=AOvVaw0ZAZvb-dzOknxRKT1k9LOR">Associação Não Partilhes</a>.</span></li>
<li><span style="font-family: arial, sans-serif;">Se a chantagem ocorreu nas redes sociais, denuncie a conta aos administradores da plataforma.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-family: arial, sans-serif;"> </span></p>
<div><span style="color: #000000;"><b><span style="font-size: large;">Contacte a Quebrar o Silêncio</span></b></span></div>
<p><span style="font-family: arial, sans-serif;"><br />
Se for alvo deste tipo de situação pode contar com o nosso apoio. Partilhar o caso com familiares e amigos pode ajudar. No entanto, por vezes a partilha pode resultar (mesmo sem intenção) na culpabilização da própria vítima que, por sua vez, pode ouvir juízos de valor e não receber o merecido apoio das pessoas com quem desabafou. </span></p>
<p><span style="font-family: arial, sans-serif;">Contactar primeiramente uma entidade de apoio à vítima como a Quebrar o Silêncio pode ajudar a ganhar alguma perspetiva sobre o assunto. Este pode ser o primeiro passo para aceder a um apoio psicológico especializado que o ajude a lidar com as consequências, e se desejar, que o oriente e encaminhe para outras formas de apoio, designadamente, judicial. Denunciar o crime é um direito da vítima se desejar.</span></p>
<p><span style="font-family: arial, sans-serif;">Os homens e rapazes são, cada vez mais, vítimas de extorsão sexual. Esta é uma forma de violência sexual, praticada principalmente nos espaços online e em ambientes digitais, e que tem aumentado nos últimos anos. No entanto, esta é uma realidade pouco falada. Muitos dos sobreviventes sofrem em silêncio e tentam resolver sozinhos as consequências.</span></p>
<div>Se foi vítima de extorsão sexual ou de algum crime deste tipo, nós podemos ajudá-lo.</div>
<p>Os nossos serviços de apoio são gratuitos e confidenciais.</p>
<p>Contactos:<br />
910 846 589<br />
<a href="mailto:apoio@quebrarosilencio.pt" target="_blank" rel="noopener">apoio@quebrarosilencio.pt</a></p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Extorsão sexual de homens: o crime aumenta, mas o silêncio dos sobreviventes também</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-de-homens-o-crime-aumenta-mas-o-silencio-dos-sobreviventes-tambem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 10:44:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[sextortion]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Texto originalmente publicado no SAPO24. &#160; A extorsão sexual de homens e rapazes tem vindo a aumentar. No entanto, estes crimes nem sempre são denunciados. O isolamento sentido pelas vítimas, os estereótipos de género e o medo do julgamento social são entraves à denúncia e à procura de apoio. &#160; Em outubro de 2022, Dinal [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h6><a href="https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/extorsao-sexual-de-homens-o-crime-aumenta-mas-o-silencio-das-vitimas-tambem" target="_blank" rel="noopener">Texto originalmente publicado no SAPO24</a>.</h6>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">A extorsão sexual de homens e rapazes tem vindo a aumentar. No entanto, estes crimes nem sempre são denunciados. O isolamento sentido pelas vítimas, os estereótipos de género e o medo do julgamento social são entraves à denúncia e à procura de apoio.</span></i></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outubro de 2022, Dinal De Alwis foi encontrado morto. O jovem de 16 anos suicidou-se após ter sido vítima de extorsão sexual. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, horas antes da sua morte, Dinal recebeu mensagens de um homem que ameaçava divulgar duas imagens íntimas suas «a todos os seus seguidores» caso não lhe enviasse dinheiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como muitos outros jovens vítimas deste crime, Dinal bloqueou o chantagista, mas o homem enviou mensagens de outro número a pressioná-lo. Dizia: «Achas que bloqueares-me iria parar-me? O que queres que eu faça – queres que envie [as imagens] para todos os teus seguidores? Porque é que não me pagas? 100 libras?» Dinal não aguentou a pressão, e enviou mensagens de despedida à família antes de se suicidar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dinal não está sozinho. À </span><a href="https://quebrarosilencio.pt/"><span style="font-weight: 400;">Quebrar o Silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegam, cada vez mais, pedidos de ajuda de </span><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/estou-a-ser-vitima-de-extorsao-sexual-o-que-posso-fazer/"><span style="font-weight: 400;">homens e rapazes que foram alvo de extorsão sexual e que não sabem o que fazer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nestes casos, o perpetrador ameaça divulgar os conteúdos sexualizados que conseguiu extrair, caso a vítima não envie dinheiro e/ou cartões de oferta. O montante solicitado varia e, muitas vezes, o autor do crime acaba por partilhar, junto da família, amigos e colegas de trabalho, os conteúdos íntimos, independentemente de receber ou não o pagamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo o Federal Bureau of Investigation (FBI), esta ameaça crescente tem resultado num número alarmante de mortes por suicídio e, de acordo com o National Center for Missing &amp; Exploited Children (NCMEC), a extorsão sexual com fins lucrativos tem vindo a aumentar. Cerca de 79% dos criminosos demandam dinheiro em vez de mais conteúdos sexualizados.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>A extorsão sexual afeta, cada vez mais, jovens rapazes</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Entidades como o FBI têm registado um aumento de casos de extorsão sexual financeira dirigidos a vítimas menores de idade, enquanto que, no Reino Unido, a National Crime Agency (NCA) refere que os adolescentes, geralmente rapazes, estão a ser enganados para enviarem fotografias suas nuas ou seminuas a burlões e chantagistas. Segundo a NCA, em 2024, foi comunicada às autoridades inglesas uma média mensal de 117 denúncias de extorsão sexual de crianças e jovens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A extorsão sexual é um crime em que o perpetrador utiliza fotografias ou vídeos íntimos e/ou de natureza sexualizada da vítima – atualmente, com recurso à Inteligência Artificial, os conteúdos não têm de ser imagens ou vídeos reais – para a forçar a fazer algo contra a sua vontade. Através desta coerção, o agressor pode obrigar a vítima a produzir mais conteúdos, a pagar para evitar a divulgação dos mesmos, e a prestar favores ou outros benefícios, sob ameaça de expor os conteúdos ou informações comprometedoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este crime pode assumir diferentes formas. Nos ambientes </span><i><span style="font-weight: 400;">online </span></i><span style="font-weight: 400;">e espaços digitais, os chantagistas tendem a utilizar aplicações de encontros, redes sociais, </span><i><span style="font-weight: 400;">websites </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">webcam/streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de pornografia. Para seduzirem as vítimas e conquistarem a sua confiança, os perpetradores costumam adotar uma identidade falsa, fazendo-se passar por raparigas ou mulheres para aliciar rapazes e homens a trocar imagens e conteúdos íntimos e sexualizados. As vítimas são levadas a acreditar que se trata de uma troca mútua e segura, e as imagens e vídeos acabam por ser usados para as extorquir. Os agressores podem ameaçar divulgar esses conteúdos caso a vítima não cumpra as exigências impostas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos que rapazes mais jovens e adolescentes são particularmente vulneráveis a este tipo de violência, especialmente aqueles que sentem atração pelo mesmo sexo. No entanto, homens adultos e heterossexuais também são alvo deste crime.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Denunciar ou não denunciar?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Os homens vítimas de extorsão sexual sentem dificuldade em denunciá-lo devido a estereótipos de género e ao medo do julgamento social. Muitos sentem-se isolados e impotentes, receando que pedir ajuda resulte numa maior exposição ou represálias por parte do perpetrador. Esta barreira ao apoio e à denúncia pode agravar as consequências emocionais e psicológicas do crime. Quanto às crianças e jovens, a vergonha, o medo e a confusão que sentem quando são apanhados neste ciclo, impedem-nas muitas vezes de pedir ajuda ou de denunciar o abuso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nada na violência sexual é simples, e o abuso sexual de homens e rapazes tem ainda muitas camadas de silenciamento, tabus e preconceitos. A extorsão sexual é mais uma das expressões deste crime que, por não ser falado, encerra as vítimas num silêncio que, mais uma vez, apenas beneficia os abusadores e prejudica as vítimas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se é ou foi vítima de extorsão sexual ou de algum crime deste tipo, contacte a Quebrar o Silêncio através da linha de apoio 910 846 589 ou via email apoio@quebrarosilencio.pt.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estou a ser vítima de extorsão sexual. O que posso fazer?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/estou-a-ser-vitima-de-extorsao-sexual-o-que-posso-fazer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 08:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Catfish]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[sextortion]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[O que é extorsão sexual? A extorsão sexual é uma forma de extorsão em que o perpetrador utiliza fotografias ou vídeos íntimos e/ou de natureza sexual da vítima para obrigá-la a fazer algo contra a sua vontade.  O abusador pode coagir a vítima a produzir mais conteúdos ou a pagar para evitar a divulgação dos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><b>O que é extorsão sexual?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A extorsão sexual é uma forma de extorsão em que o perpetrador utiliza fotografias ou vídeos íntimos e/ou de natureza sexual da vítima para obrigá-la a fazer algo contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O abusador pode coagir a vítima a produzir mais conteúdos ou a pagar para evitar a divulgação dos mesmos. Os chantagistas tendem a utilizar aplicações de encontros sociais/amorosos, redes sociais, sites de </span><i><span style="font-weight: 400;">webcam/streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou de pornografia. Para seduzirem as vítimas e conquistarem a sua confiança, os perpetradores costumam adotar uma identidade falsa. Ou seja, fazem-se passar por raparigas ou mulheres para aliciar rapazes e homens a trocar imagens e conteúdos íntimos e sexualizados. As vítimas são levadas a acreditar que se trata de uma troca mútua e as imagens são posteriormente usadas para extorquir os sobreviventes. Rapazes mais jovens e adolescentes são particularmente mais vulneráveis a este tipo de violência, nomeadamente jovens que sintam atração pelo mesmo sexo. No entanto, homens adultos também são alvo deste tipo de extorsão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>O chantagista nem sempre é um estranho</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Por vezes, quem extorque pode ser um namorado, companheiro, marido ou alguém com quem a vítima partilhou momentos íntimos e poderá ter produzido conteúdos com consentimento e que agora o perpetrador ameaça divulgar sem autorização. Em certos casos, os conteúdos podem ter sido registados sem o conhecimento da vítima enquanto mantinham uma relação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>E quando não há imagens ou imagens reais?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A ameaça também é violência. Os conteúdos não têm de ser reais para que alguém seja vítima de extorsão sexual, e nem sempre é necessário que existam imagens ou vídeos. A ameaça da partilha em si é um ato de violência contra o homem ou rapaz. A vítima, não sabendo se o chantagista tem ou não imagens suas, reais ou ficcionais, pode sentir as mesmas consequências e pressão para pagar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, os conteúdos podem ser forjados, manipulados ou completamente falsos, com recurso à Inteligência Artificial. Ou seja, é possível criar imagens das vítimas em situações que nunca aconteceram e nas quais nunca estiveram envolvidas, mas que servem de base para a extorsão sexual. Independentemente de as vítimas terem elas próprias produzido os conteúdos, a questão passa pela partilha e divulgação não consentida desses materiais.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Impacto na vida das vítimas</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser vítima de extorsão sexual pode ter um impacto psicológico e emocional e gerar ansiedade, medo e falta de controlo na sua vida, nomeadamente durante o período de ameaças e/ou se o chantagista escalar nos comportamentos/exigências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum que a vítima sinta vergonha e culpa, e passe por momentos mais depressivos, de isolamento social ou tenha receio do julgamento das pessoas amigas, família e colegas. Há quem deixe de confiar nos outros, incluindo em relações futuras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A extorsão sexual pode ter consequências sociais, como prejuízo na reputação da vítima, em particular nos casos em que as imagens e vídeos são divulgadas junto das pessoas que a vítima conhece. Em contextos mais conservadores, a vítima pode enfrentar estigmas e ver as relações sociais a se deteriorarem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vítima pode sentir que a exposição impactou-a académica e/ou profissionalmente. Pode perder oportunidades de trabalho ou ter dificuldades de concentração e redução no rendimento laboral/académico. Em certos casos pode ser despedida ou despedir-se porque os conteúdos foram partilhados no local de trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o chantagista forçar e conseguir que a vítima ceda à vantagem, esta poderá ter um impacto financeiro. Também poderá ter despesas inesperadas e custos acrescidos relacionados com processos legais ou no acesso a apoio psicológico privado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido às consequências da chantagem, muitos dos homens vitimados sentem-se à mercê de um desconhecido e sentem que perderam o controlo da sua vida. A maioria dos sobreviventes receia que familiares, amigos e colegas possam receber os vídeos e fotos, e assim ver a sua intimidade exposta e de conhecimento público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este receio pode ser suficiente para ter um impacto negativo e disruptivo na sua vida, mas as consequências estendem-se para lá destas. Algumas destas vítimas, acabam por desenvolver Perturbação de Stress Pós-Traumático, apresentando sintomatologia habitualmente associada a este tipo de vitimação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>O que fazer em caso de extorsão sexual?</b></h3>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Não ceda à chantagem</b></h5>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Não envie dinheiro nem imagens ou vídeos.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Ceder pode encorajar o criminoso a continuar.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Guarde todas as provas</b></h5>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Faça capturas de ecrã das mensagens, perfis e transações (se aplicável).</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Guarde links e e-mails.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Interrompa o contacto</b></h5>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Não tente negociar ou dialogar.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Bloqueie a pessoa em todas as plataformas.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Denuncie o crime </b></h5>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Denuncie à Polícia Judiciária através do portal da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (</span><a href="https://www.policiajudiciaria.pt/unc3t/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">UNC3T</span></a><span style="font-weight: 400;">) ou presencialmente.</span></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Pondere contactar associações de apoio como a Quebrar o Silêncio ou a </span><a href="https://www.instagram.com/naopartilhes/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Associação Não Partilhes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">​Se a chantagem ocorreu nas redes sociais, denuncie a conta aos administradores da plataforma.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Contacte a Quebrar o Silêncio</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Se for alvo deste tipo de situação pode contar com o nosso apoio. Partilhar o caso com familiares e amigos pode ajudar. No entanto, por vezes a partilha pode resultar (mesmo sem intenção) na culpabilização da própria vítima que, por sua vez, pode ouvir juízos de valor e não receber o merecido apoio das pessoas com quem desabafou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contactar primeiramente uma entidade de apoio à vítima como a Quebrar o Silêncio pode ajudar a ganhar alguma perspetiva sobre o assunto. Este pode ser o primeiro passo para aceder a um apoio psicológico especializado que o ajude a lidar com as consequências, e se desejar, que o oriente e encaminhe para outras formas de apoio, designadamente, judicial. Denunciar o crime é um direito da vítima se desejar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os homens e rapazes são, cada vez mais, vítimas de extorsão sexual. Esta é uma forma de violência sexual, praticada principalmente nos espaços online e em ambientes digitais, e que tem aumentado nos últimos anos. No entanto, esta é uma realidade pouco falada. Muitos dos sobreviventes sofrem em silêncio e tentam resolver sozinhos as consequências.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se foi vítima de extorsão sexual ou de algum crime deste tipo, nós podemos ajudá-lo.<br />
Os nossos serviços de apoio são gratuitos e confidenciais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contactos:<br />
</span><span style="font-weight: 400;">910 846 589<br />
</span><a href="mailto:apoio@quebrarosilencio.pt"><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Extorsão sexual: aumento de casos contra homens e rapazes</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-aumento-de-casos-contra-homens-e-rapazes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Mar 2024 09:30:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Os homens e rapazes são, cada vez mais, vítimas de extorsão sexual. Esta é uma forma de violência sexual, praticada principalmente nos espaços online e em ambientes digitais, e que tem aumentado nos últimos anos. No entanto, esta é uma realidade pouco falada. Muitos dos sobreviventes sofrem em silêncio e tentam resolver sozinhos as consequências. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os homens e rapazes são, cada vez mais, vítimas de extorsão sexual. Esta é uma forma de violência sexual, praticada principalmente nos espaços online e em ambientes digitais, e que tem aumentado nos últimos anos. No entanto, esta é uma realidade pouco falada. Muitos dos sobreviventes sofrem em silêncio e tentam resolver sozinhos as consequências.</p>
<p>A extorsão sexual é uma forma de extorsão em que o perpetrador utiliza fotografias ou vídeos íntimos e/ou de natureza sexual da vítima para obrigá-la a fazer algo contra a sua vontade. O abusador pode forçar a vítima a produzir mais conteúdos ou a pagar para evitar a divulgação dos conteúdos. Os chantagistas tendem a utilizar aplicações de encontros sociais/amorosos, redes sociais, sites de webcam/streaming ao vivo ou sites de pornografia. Para seduzirem as vítimas e conquistarem a sua confiança, os perpetradores normalmente adotam uma identidade falsa. Ou seja, os abusadores fazem-se passar por raparigas ou mulheres mais velhas para aliciar rapazes e homens a trocar imagens e conteúdos íntimos e sexualizados. As vítimas são levadas a acreditar que se trata de uma troca mútua e as imagens são posteriormente usadas para extorquir os sobreviventes. Rapazes mais jovens e adolescentes são particularmente mais vulneráveis a este tipo de violência. No entanto, homens adultos também são alvo deste tipo de extorsão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Impacto na vida das vítimas</h4>
<p>Devido às consequências da chantagem, muitos dos homens vitimados sentem-se à mercê de um desconhecido e sentem que perderam o controlo da sua vida. A maioria dos sobreviventes receia que familiares, amigos e colegas possam receber os vídeos e fotos, e assim ver a sua intimidade exposta e de conhecimento público.</p>
<p>Este receio pode ser suficiente para ter um impacto negativo e disruptivo na sua vida, mas as consequências estendem-se para lá destas. Muitas destas vítimas, acabam por desenvolver Perturbação de Stress Pós-Traumático, apresentando sintomatologia habitualmente associada a este tipo de vitimação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>A ameaça também é violência</h4>
<p>Os conteúdos não têm de ser reais para que alguém seja vítima de extorsão sexual, e nem sempre é necessário que existam imagens ou fotografias. A ameaça da partilha em si, é um ato de violência contra o homem ou rapaz. A vítima, não sabendo se o chantagista tem ou não imagens suas, reais ou ficcionais, pode sentir as mesmas consequências e pressão para pagar.</p>
<p>Hoje em dia, os próprios conteúdos podem ser forjados, manipulados ou completamente falsos, com recurso à Inteligência Artificial. Ou seja, é possível criar imagens das vítimas em situações que nunca aconteceram e que nunca estiveram envolvidas, mas que servem de base para a extorsão sexual. Independentemente de as vítimas terem elas próprias produzido os conteúdos, a questão passa pela partilha e divulgação não consentida desses materiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>O que fazer em caso de extorsão sexual?</h4>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>Não ceda à chantagem</strong></h5>
<ul>
<li>Não envie dinheiro nem imagens ou vídeos.</li>
<li>Ceder pode encorajar o criminoso a continuar.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>Guarde todas as provas</strong></h5>
<ul>
<li>Faça capturas de ecrã das mensagens, perfis e transações (se aplicável).</li>
<li>Guarde links e e-mails.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>Interrompa o contacto</strong></h5>
<ul>
<li>Não tente negociar ou dialogar.</li>
<li>Bloqueie a pessoa em todas as plataformas.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>Denuncie o crime </strong></h5>
<ul>
<li>Denuncie à Polícia Judiciária através do portal da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (<a href="https://www.policiajudiciaria.pt/unc3t/" target="_blank" rel="noopener">UNC3T</a>) ou presencialmente.</li>
<li>​Se a chantagem ocorreu nas redes sociais, denuncie a conta aos administradores da plataforma.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>Contacte a Quebrar o Silêncio</strong></h5>
<p>Se for alvo deste tipo de situação, queremos que saiba que pode contar com o nosso apoio. Partilhar o caso com familiares e amigos pode ajudar. No entanto, por vezes esta partilha pode resultar (mesmo sem intenção) na culpabilização da própria vítima que, por sua vez, pode ouvir juízos de valor e não receber o apoio das pessoas com quem desabafou. Contactar primeiramente uma entidade de apoio à vítima como a Quebrar o Silêncio e falar com um profissional pode ajudar a ganhar alguma perspetiva sobre o assunto e ser um passo para ter apoio psicológico para ajudar a lidar com as consequências e, se desejar, ter apoio judicial. Denunciar o crime é um direito da vítima se desejar.</p>
<p>Se foi vítima de extorsão sexual ou de algum crime deste tipo, nós podemos ajudá-lo. Os nossos serviços de apoio são gratuitos e confidenciais.</p>
<p>Contactos:<br />
910 846 589<br />
apoio@quebrarosilencio.pt</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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