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	<title>Incesto &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Incesto &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Dia do Pai: quando a celebração traz memórias difíceis</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-do-pai-quando-a-celebracao-traz-memorias-dificeis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 08:45:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, o Dia do Pai é um momento de celebração, gratidão e proximidade familiar. As redes sociais são entupidas de fotografias, mensagens de carinho e memórias felizes. Para alguns sobreviventes de violência sexual, no entanto, esta data é vivida de forma muito diferente. Nem todas as histórias com a figura paterna são seguras ou [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos, o Dia do Pai é um momento de celebração, gratidão e proximidade familiar. As redes sociais são entupidas de fotografias, mensagens de carinho e memórias felizes. Para alguns sobreviventes de violência sexual, no entanto, esta data é vivida de forma muito diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem todas as histórias com a figura paterna são seguras ou protetoras. Em muitos casos, quem abusou foi o próprio pai, padrasto ou outra figura masculina próxima; que influencia a forma como o sobrevivente se relaciona com os outros, consigo próprio e com o mundo. É comum que os sobreviventes passem a ver figuras masculinas e/ou de autoridade como ameaçadoras, uma vez que o seu passado foi marcado pelo abuso sexual por parte do pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Noutras situações, o pai não soube ou não quis ver o que estava a acontecer, não acreditou no relato da criança, não conseguiu oferecer a proteção necessária ou até a responsabilizou e a puniu pelo abuso. Independentemente da circunstância, a relação com a figura paterna pode ficar marcada por emoções e sentimentos complexos que ressurgem em datas simbólicas como esta.</span></p>
<h4><b>Um dia emocionalmente confuso</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">O Dia do Pai pode reativar memórias difíceis ou emoções que pareciam adormecidas. Tristeza, raiva, confusão, sensação de perda ou até vazio podem surgir quando o discurso dominante à volta desta data fala apenas de amor incondicional, segurança e cuidado. Para quem teve experiências de violência sexual, negligência ou ausência, esse contraste pode ser particularmente doloroso e exacerbar o seu sofrimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante reconhecer que estas reações são naturais. O trauma não desaparece nem dá folga apenas porque o calendário assinala um dia de celebração. As memórias e emoções associadas às experiências de abuso sexual podem ser ativadas por datas, lugares, cheiros, imagens ou narrativas sociais que evocam relações familiares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns sobreviventes, o Dia do Pai pode também despertar perguntas difíceis: Como continuar a ter uma relação cordial com pai, sabendo que foi este o abusador? Como gerir a dinâmica e harmonia familiar quando o abusador se encontra no centro? Como lidar com a ausência da figura protetora? É possível sentir afeto por alguém que abusou e/ou que também falhou na proteção? Como conciliar as expetativas sociais com a própria história de abuso sexual? Não existem respostas simples para estas questões, apenas que podem ter um impacto devastador no sobrevivente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante lembrar que o impacto da violência sexual não se limita ao momento do abuso, envolve também dinâmicas de poder, manipulação, silenciamento e isolamento que se prolongam ao longo do tempo. Quando o abusador é alguém próximo ou quando a proteção falha, a experiência pode afetar profundamente a forma como a pessoa pode voltar a confiar nos outros, a noção de segurança que sente e com os vínculos familiares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num contexto em que a sociedade tende a celebrar uma visão idealizada da paternidade, pode ser difícil para alguns sobreviventes reconhecer que a sua experiência não se encaixa nessa narrativa. Sentir desconforto neste dia não significa ingratidão, fraqueza ou incapacidade de seguir em frente. Significa apenas que a história do sobrevivente não encaixa nessa narrativa editada do dia. É importante relembrar que os sentimentos dos sobreviventes são válidos e merecem ser respeitados; mesmo que estes sejam ignorados ou apagados pela família, pessoas próximas ou eventos como esta efeméride. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns sobreviventes, o processo de recuperação passa por redefinir o significado de família, de cuidado e de proteção. Pode incluir reconhecer figuras que estiveram presentes de outras formas: um familiar, um professor, um amigo, um mentor. Outras vezes, pode significar simplesmente dar a si próprio o espaço necessário para viver o dia com distância e autocuidado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Dia do Pai for um dia difícil, é importante lembrar que procurar apoio pode fazer a diferença. Falar sobre o impacto da violência sexual pode ajudar a compreender melhor estas emoções, desenvolver recursos e encontrar estratégias para lidar com elas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio sabemos que o caminho de cada sobrevivente é diferente. Há dias que são mais “leves” e outros que podem trazer recordações e sentimentos dolorosos. Em todos eles, o mais importante é lembrar que ninguém precisa de enfrentar estas experiências sozinho e que pode contar connosco.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sabe o que é incesto emocional?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/sabe-o-que-e-incesto-emocional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 11:04:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[Incesto emocional pode ser descrito como a proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, e por isso inadequada e imprópria, em relação à criança e ao papel que esta desempenha na família. Mesmo que não se concretize no abuso sexual físico, o incesto emocional (ou camuflado) trata-se de um modelo de relação pouco saudável [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Incesto emocional pode ser descrito como a </span><b>proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, e por isso inadequada e imprópria, em relação à criança e ao papel que esta desempenha</b><span style="font-weight: 400;"> na família. Mesmo que não se concretize no abuso sexual físico, o incesto emocional (ou camuflado) trata-se de um modelo de relação pouco saudável em que os pais e/ou cuidadores esbatem os limites dos seus papéis e responsabilidades, e elevam a criança ao nível de parceiro. Mesmo que as pessoas adultas não tenham perceção e consciência dos seus atos, esta proximidade pode ter consequências devastadoras e afetar o desenvolvimento saudável da criança.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O bem-estar e as necessidades emocionais dos pais vêm sempre em primeiro lugar.»</span></i></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes casos, as crianças não são protegidas e cuidadas, mas sim levadas a inverter os papéis e a assumir o lugar de cuidador dos próprios progenitores (parentificação), sendo solicitadas para ajudar na resolução de problemas (emocionais, íntimos, etc) e até mesmo para dar conselhos românticos. Neste modelo de relação é comum que as crianças não vejam as suas necessidades asseguradas, pois no centro desta dinâmica familiar estão só as necessidades dos pais.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.»</span></i></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a criança, esta relação é imensamente confusa visto que a deixa sem saber qual é o seu lugar e também quais são os limites do que é inadequado e impróprio na relação que os pais ou cuidadores estabelecem com ela. É possível que desenvolva na criança um sentimento de responsabilização pelo bem estar dos progenitores que pode gerar sentimentos de culpa.</span></p>
<blockquote>
<h4><i><span style="font-weight: 400;">«O incesto emocional não requer contacto físico»</span></i></h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Sinais de incesto emocional</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O incesto emocional pode ter uma carga altamente sexualizada. Por exemplo quando os pais:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">invadem a privacidade da criança e não respeitam os limites do seu corpo, fazendo referências ou comentários sexualizados sobre o corpo da criança.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dormem na mesma cama com ela até a uma idade avançada.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">têm conversas sobre encontros sexuais que tiveram ou levam a criança para encontros amorosos.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">romantizam e sexualizam a relação sem nunca haver uma concretização propriamente física, o que resulta num estado de confusão da criança relativamente à relação que os pais têm com ela ou qual o seu papel nessa relação. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">confidenciam com a criança algo íntimo e sexual, cujo teor pode ser incompreensível para ela, levando-a a sentir que tem um papel diferente, especial ou até mesmo privilegiado.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros sinais que podem ser comuns são quando os pais:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">pedem que o filho os conforte (desabafam ou choram para chamar a atenção da criança);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">partilham segredos íntimos e de teor sexualizado (ex: fazer queixas sobre a vida sexual dos próprios pais);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">centram a atenção da criança neles, desencorajando que ela tenha amizades com os seus pares;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">demonstram ciúmes quando a criança passa tempo longe deles ou quando a criança apresenta mais autonomia e desejo de liberdade;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">usam a criança como fonte de elogios, glorificação e reforço emocional.</span></li>
</ul>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Consequências do incesto emocional</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Como consequência é comum que a criança:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se sinta mais adulta do que os seus pares e sinta ter mais maturidade do que na realidade tem.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">passe a ser o “ombro amigo” e seja usada quando os cuidadores precisam, quando confidenciam pormenores das suas vidas que não contam a mais ninguém, o que pode contribuir para que ela se sinta, a determinada altura, especial.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">seja negligenciada e em detrimento do bem-estar dos cuidadores.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">não tenha o tempo necessário com os seus pares nem desenvolva relações de amizade saudáveis.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se sinta responsável pelas emoções dos outros e pelo bem-estar das outras pessoas, acabando por desenvolver atitudes de constante cuidado para com e de tentar agradar ao outro.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">desenvolva sentimentos ambivalentes de amor/ódio pelo progenitor que pratica incesto emocional.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">venha a ter problemas de gestão e regulação das emoções, afetando o seu desenvolvimento.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">se torne num adulto sem consciência dos seus limites, sem a noção de que pode dizer que «não», tendendo a se anular e se focar apenas no que o outro quer (ex: na gratificação e prazer do outro)</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por último, nestas circunstâncias, é comum a criança tornar-se mais vulnerável à violência sexual. Um abusador pode identificar essa fragilidade e aproximar-se oferecendo atenção, escuta e apoio, assumindo o papel de um adulto de confiança. Esta aproximação é deliberada e visa criar dependência emocional, isolar a criança, ultrapassar limites e, progressivamente, normalizar a sexualização da relação.</span></p>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Casos reais que chegam à Quebrar o Silêncio</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, muitos dos homens que foram vítimas de violência sexual relatam que viveram em ambientes familiares pouco centrados nas necessidades da crianças (mesmo que, para terceiros, isso não fosse óbvio) e também com modelos de relação pouco saudáveis, como é o caso do incesto emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum serem referidos exemplos de mães que entram sem autorização no banho do filho, já adolescente, com o pretexto de que vão inspecionar e certificar-se que a zona genital está lavada corretamente, mães que dormem na mesma cama com o filho até este ser adulto, ou em que há uma relação com uma carga sexualmente presente que deturpa o papel de filho e o torna num confidente/melhor amigo ou algo mais. Há relatos onde é possível determinar que houve a normalização da nudez (por exemplo um homem adulto que não tem qualquer privacidade ou limites na exposição do seu corpo perante a mãe) e a normalização de conversas acerca da vida sexual e intimidade do homem (perguntas intrusivas sobre relações sexuais que o homem teve).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso das mulheres, existem também casos igualmente desadequados, em que os pais se apresentam como o namorado das filhas, o futuro marido, a cara-metade, ou o seu príncipe, entre outras situações.</span></p>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b>Incesto emocional como forma de abuso</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta dinâmica familiar (ainda) não vem referenciada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-5), mas não deixa, por isso, de ser alvo de estudo e investigações. Existem teorias e ferramentas para identificar sinais de que possa estar a acontecer e quais as suas consequências como, por exemplo, a escala Childhood Emotional Incest Scale (CEIS).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para algumas pessoas o incesto emocional é uma forma de abuso sexual de crianças, para outras não é, mas como Kathy Hardie-Williams refere, não deixa de ser uma forma de abuso e violência contra a criança. Independentemente da posição individual de cada um, não podemos negar a relação que tem com a violência sexual contra crianças, nomeadamente a de criar mais vulnerabilidades para que as crianças sejam vitimadas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3></h3>
<h3><b>Precisa de ajuda?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Se passou por uma relação de incesto emocional ou foi vítima de violência sexual, contacte-nos:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">​910 846 589</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Para lá do dia 18 de novembro e da estatística «1 em cada 5»</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/para-la-do-dia-18-de-novembro-e-da-estatistica-1-em-cada-5/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 07:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência sexual», é igualmente urgente recordar que passaram mais de dez anos desde então e que os casos de abuso sexual de crianças aumentaram exponencialmente nos últimos anos.</span></p>
<h3><b>Abuso sexual de crianças nos espaços digitais</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos EUA, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) reportou, em 2024, um aumento de 1325% nos casos de exploração sexual de crianças com recurso à inteligência artificial (IA). Esta entidade recebeu, em média, quase 100 denúncias de extorsão sexual por dia, envolvendo crianças coagidas a produzir conteúdos e materiais pelos próprios meios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Reino Unido, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou 291.273 páginas com conteúdos de violência sexual contra crianças em 2024: o maior registo desde o início da sua atividade. A mesma organização verificou ainda um aumento de 380% na criação de conteúdos gerados com IA entre 2023 e 2024.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não estamos perante um mero aumento de denúncias: a quantidade de material abusivo disponível </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> disparou. A par da extorsão sexual, multiplicam-se as </span><i><span style="font-weight: 400;">deepfakes</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolvendo crianças e jovens, multiplicando estas formas de violência. Estes números revelam uma rede global de abuso sexual de crianças, hiper-conectada, que excede largamente as estatísticas antigas e exige resposta urgente.</span></p>
<h3><b>Portugal: que prevenção?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Portugal não é exceção, e a situação é igualmente alarmante. Perante estes dados trágicos, impõe-se a pergunta: </span><b>para quando um plano nacional efetivo de prevenção e combate à violência sexual contra crianças?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio e outras entidades defendem, há anos, a criação de um Plano Nacional de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Jovens — à semelhança do que já existe noutras áreas, como saúde ou segurança —, com uma estratégia ampla, coordenada e sustentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este plano deve envolver escolas, profissionais de saúde e de justiça, forças policiais e famílias. Deve investir em educação sexual preventiva, formação de educadores e recursos para respostas de apoio especializadas. É também indispensável fortalecer o sistema judicial, garantindo condenações efetivas e eliminando brechas que continuam a permitir a impunidade. Importa ainda regulamentar de forma rigorosa os serviços e plataformas digitais onde estes crimes ocorrem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia, não basta «assinalar no calendário»: é preciso agir. Exigimos que o Estado salde a dívida que tem para com as crianças e crie, sem demora, um plano nacional de prevenção e combate à violência sexual contra crianças, com metas claras e recursos adequados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não podemos permitir que a normalização destes números nos cegue para a realidade: cada número é uma criança, uma vida marcada, uma história que deve ser ouvida, reconhecida e protegida. E cada criança merece proteção ativa, agora.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Novo testemunho</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/novo-testemunho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 11:27:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
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					<description><![CDATA[Partilhamos hoje, um novo testemunho. Carlos  procurou a ajuda da Quebrar o Silêncio, aos 36 anos, por ter sido violado em criança. Hoje diz-nos com orgulho «estou melhor do que nunca, e foi por toda a ajuda que recebi da Quebrar o Silêncio durante estes últimos meses.» &#160; Leiam as palavras de Carlos: Sou um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Partilhamos hoje, um novo testemunho. Carlos  procurou a ajuda da Quebrar o Silêncio, aos 36 anos, por ter sido violado em criança. Hoje diz-nos com orgulho «estou melhor do que nunca, e foi por toda a ajuda que recebi da Quebrar o Silêncio durante estes últimos meses.»</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leiam as palavras de Carlos:</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou um imigrante a morar em Portugal há 10 anos. Além das dificuldades de ser imigrante, comigo esteve sempre o peso de ter sofrido violência sexual por muitos anos quando era miúdo, e não saber quanto do que sofri realmente tinha superado ou estava só a aparentar e manter muitos dos traumas dentro de mim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu sofri violação por parte de um familiar até os 10 anos, e embora sempre soube que algo estava errado em tudo isso, nunca consegui dizer aos meus pais o que estava a acontecer. Ele usou sempre as suas palavras e &#8220;amizade&#8221; para fazer tudo o que queria comigo, como se estivesse bem, e isso bem fez que a minha personalidade ficasse afetada: tornei-me um miúdo muito tímido e não gostava de conhecer pessoas novas nem fazer muita conversa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu sabia que o único mundo de segurança era o meu quarto e tentava não sair daí. Assim passei toda a minha adolescência até chegar à universidade, onde por fim perdi a timidez, e acreditei que os traumas que tinha sofrido pelas violações tinha ido embora. Por muitos anos achei que fui feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheguei aos 30 anos, e comecei a ter problemas nas relações sexuais e tive disfunção erétil. Foi quando me apercebi de que tinha dentro de mim muitas coisas que nunca foram atendidas e soube que precisava de ajuda. Passaram muitos anos até chegar a encontrar os serviços da Quebrar o Silêncio. Foi só através de um amigo que me os recomendou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o processo de atendimento desde o começo foi maravilhoso. Desde o primeiro momento fizeram-me sentir confortável num processo que é de tudo menos confortável, e isso já vale para muito. Tivemos dias em que aprofundámos muito o que eu sofri quando era miúdo, mas outros dias também falamos em coisas que me acontecem que não tem de ver com as violações porque afinal também é saúde mental, e me fazia sentir muito mais seguro neste processo terapêutico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final eu consegui ver que tinha melhorado muito, especialmente como agora eu valido-me a mim próprio e sou consciente das coisas que preciso para cuidar de mim mesmo, e estar bem comigo. Sei como pôr limites e respeitar-me a mim próprio e fazer-me respeitar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consegui tudo isto com a ajuda da Quebrar o Silêncio e não posso estar mais agradecido, foram a ajuda que sempre procurei e agora sinto-me como nunca me senti antes. Estou muito feliz de ter sido ajudado por vocês e estou seguro do meu próprio bem-estar. Muito obrigado!</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>URGENTE: prevenção do abuso sexual de crianças</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/urgente-prevencao-do-abuso-sexual-de-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2025 09:15:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Abril é o Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Para a Quebrar o Silêncio, é urgente que se reconheça, cada vez mais, a realidade do abuso sexual de crianças, a gravidade dos números e as consequências devastadoras que acarreta para o seu desenvolvimento e bem-estar ao longo da vida. Em 2015, o Conselho da Europa alertava [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Abril é o Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância.</p>
<p>Para a Quebrar o Silêncio, é urgente que se reconheça, cada vez mais, a realidade do abuso sexual de crianças, a gravidade dos números e as consequências devastadoras que acarreta para o seu desenvolvimento e bem-estar ao longo da vida.</p>
<p>Em 2015, o <a href="https://www.coe.int/en/web/children/underwear-rule" target="_blank" rel="noopener">Conselho da Europa</a> alertava para um dado alarmante:<strong> 1 em cada 5 crianças na Europa é, foi ou será vítima de violência sexual</strong>. Contudo, o próprio organismo reconhece que &#8220;este número pode estar drasticamente subestimado devido à escassez de denúncias.&#8221; A Quebrar o Silêncio partilha dessa avaliação — a realidade é muito mais vasta do que os números revelam.</p>
<p>Desde então, os casos de abuso sexual em ambientes digitais dispararam. A pandemia obrigou os perpetradores a adaptarem-se, tornando-se mais engenhosos na forma como se aproximam das crianças. Também se regista um aumento preocupante da violência sexual entre pares.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>
<strong>Perante este cenário, defendemos que o Estado Português deve:</strong></h3>
<ul>
<li>Criar políticas públicas específicas que promovam <strong>respostas especializadas em matéria de violência sexual</strong>.</li>
<li>Implementar uma <strong>Rede Nacional de Apoio Especializado a Vítimas de Violência Sexual, autónoma e independente da atual RNAVV</strong>D.</li>
<li>Desenvolver um <strong>Plano Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso Sexual de Crianças</strong>.</li>
<li><strong>Abolir os prazos de prescrição e de denúncia</strong> para os crimes sexuais contra crianças, à semelhança do que já acontece noutros países. Muitos sobreviventes só conseguem denunciar décadas depois — quando finalmente se sentem preparados, já não o podem fazer. Manter limites temporais apenas protege os agressores e perpetua o abuso.</li>
<li><strong>Formar profissionais</strong> da saúde, justiça, educação e intervenção social (e outros) sobre violência sexual contra crianças e trauma.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Violência sexual nos ambientes digitais</h3>
<p>Em relação ao abuso sexual de crianças online, é importante recordar alguns factos:</p>
<ul>
<li>Em 2022, a <a href="https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=COM%3A2022%3A209%3AFIN&amp;qid=1652451192472" target="_blank" rel="noopener">Comissão Europeia propôs um regulamento</a> que obriga os prestadores de serviços digitais (como a Meta, Google, entre outros) a prevenir, detetar, reportar e remover materiais de abuso e exploração sexual de crianças (MAESC / CSAM em inglês). Estas empresas têm responsabilidade na disseminação destes materiais. Enquanto não existirem regras claras e vinculativas, continuarão a agir sem escrutínio — e as crianças não podem depender das «boas intenções» das operadoras. A regulamentação deve ser firme e eficaz.</li>
<li>O volume de MAESC disponível online é colossal e em constante expansão. Esta situação é ainda mais grave com a utilização de inteligência artificial (IA) para gerar imagens hiper-realistas de abuso sexual de crianças. Estas imagens são praticamente indistinguíveis de imagens reais, o que representa um enorme desafio para as autoridades — tanto para identificar se as vítimas são reais como para investigar os crimes.</li>
<li>Na dark web, proliferam fóruns onde se partilham instruções detalhadas sobre como criar, modificar e disseminar este tipo de imagens, bem como métodos para contornar salvaguardas tecnológicas.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Números que não se podem ignorar</h3>
<p>A Internet Watch Foundation (IWF) <a href="https://www.iwf.org.uk/media/q4zll2ya/iwf-ai-csam-report_public-oct23v1.pdf" target="_blank" rel="noopener">analisou <strong>11 108 imagens geradas por IA</strong></a> publicadas num único fórum da dark web, durante o mês de setembro de 2023. Eis o que foi identificado:</p>
<ul>
<li>2 978 dessas imagens eram material de abuso sexual infantil (MAESC);</li>
<li>2 562 eram tão realistas que a lei teria de as considerar como imagens reais;</li>
<li>564 foram classificadas como Categoria A — o nível mais grave, que pode incluir violação, tortura sexual e bestialidade;</li>
<li>1 372 retratavam crianças com idades entre os 7 e os 10 anos;</li>
<li>143 mostravam crianças entre os 3 e os 6 anos e 2 imagens retratavam bebés com menos de 2 anos.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Guia para a prevenção da violência sexual contra crianças</h3>
<p>Descarregue o nosso <a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf"><strong>Guia para Profissionais</strong></a> com os princípios básicos para prevenir a violência sexual: conhecer, identificar e agir.</p>
<p>Este guia destina-se a todos os profissionais que trabalham com crianças — da educação (docentes e não-docentes) à medicina (sobretudo pediatria), passando por campos de férias, escuteiros, igrejas, ATL e outras áreas de contacto directo com crianças.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4><strong>A violência sexual contra crianças é real e uma violação dos direitos humanos das crianças.</strong></h4>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fui abusado sexualmente pelo meu pai.</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/fui-abusado-sexualmente-pelo-meu-pai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2025 08:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando falamos de abuso sexual de homens, a maioria dos crimes é cometida por pessoas próximas, nomeadamente familiares. Muitas vezes, o abusador é o próprio pai. Vários homens que procuram a ajuda da Quebrar o Silêncio referem viver uma relação ambígua com o progenitor. Se, por um lado, este deveria ter sido o cuidador e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos de abuso sexual de homens, a maioria dos crimes é cometida por pessoas próximas, nomeadamente familiares. Muitas vezes, o abusador é o próprio pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vários homens que procuram a ajuda da Quebrar o Silêncio referem viver uma relação ambígua com o progenitor. Se, por um lado, este deveria ter sido o cuidador e protetor, por outro, foi quem infligiu atos de violência sexual, resultando numa experiência traumática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, para um menino, um rapaz ou um homem que foi abusado sexualmente pelo progenitor, o Dia do Pai pode ser uma efeméride dolorosa. Por todo o lado surgem anúncios a celebrar esta data e sugestões de presentes acompanhadas de frases de apreço para com o pai. Para estes sobreviventes, as semanas que antecedem 19 de março podem ser extremamente complicadas e dolorosas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria dos meninos só partilha a sua história de abuso décadas mais tarde e, por isso, as pessoas mais próximas, amigos e familiares, podem desconhecer o que lhes aconteceu. Assim, muitos sobreviventes vivem a angústia do Dia do Pai em segredo e sentem a necessidade de se mostrarem recetivos à data, sentindo-se obrigados a celebrá-la e a felicitar o progenitor, quando interiormente podem estar a passar por um turbilhão de sentimentos contraditórios.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Testemunho de João</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">João, um dos homens que procurou ajuda na Quebrar o Silêncio, partilha: «Fui abusado pelo meu pai quando tinha entre 4 e 6 anos de idade. Depois de tentar suicidar-me, 24 anos mais tarde, decidi que precisava de procurar a ajuda que, desde sempre, senti que não merecia.»  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste caso em concreto, João indica ainda que: «houve muita manipulação e sedução inteligente no meu abuso. Era apenas um jogo que o meu pai tinha comigo e tudo parecia uma brincadeira ou uma demonstração de afeto. Não era a história de um estranho que me violentou de forma agressiva na rua. Era tudo feito em casa, em segredo, no meu quarto. Era tudo muito confuso e, por isso, senti que não merecia ajuda.»  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os meninos e rapazes podem crescer com uma noção pouco clara sobre o que é afeto ou demonstrações de carinho por parte de outras pessoas, em particular de homens. Podem não saber como reagir, pois receiam que o afeto e a atenção sejam sinónimos de abuso ou outra face deste. Assim, é comum que muitos sobreviventes passem a evitar o contacto com outras pessoas ou a desenvolver relações superficiais e com pouca profundidade, como estratégia de sobrevivência. Estas são apenas algumas das consequências.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Dia do pai</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">É compreensível que, para estes sobreviventes, o dia 19 de março seja um momento que os relembra do abuso que sofreram. Estes homens não tiveram um pai que os protegeu, que cuidou deles e que, por isso, mereça ser celebrado. Pelo contrário, os pais destes homens foram quem, desde muito cedo, abusou sexualmente dos próprios filhos e, em muitos casos, durante vários anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sobreviventes podem ter ultrapassado o impacto traumático do abuso, mas, muitas vezes, a família não tem conhecimento do que aconteceu. Assim, para preservar a harmonia familiar e também porque receiam que ninguém acredite na sua história, estes homens mantêm uma relação com o pai. Pode ser meramente cordial, mas não deixa de ser um contacto regular com o abusador.  </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><span style="font-weight: 400;">Ajudamos homens vítimas de abuso sexual.</span></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Contacte a Quebrar o Silêncio:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">📞 910 846 589  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">📧 apoio@quebrarosilencio.pt </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fui vítima de abuso sexual, vou tornar-me abusador?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/fui-vitima-de-abuso-sexual-vou-tornar-me-abusador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 10:32:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A ideia de que um rapaz vítima de violência sexual se tornará, ele próprio, um abusador é um mito que assombra e silencia muitos homens sobreviventes. No entanto, não é esta a realidade. Por terem sido vítimas de violência sexual, há homens sobreviventes que receiam poder vir a abusar sexualmente de crianças. É importante esclarecer, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de que um rapaz vítima de violência sexual se tornará, ele próprio, um abusador é um mito que assombra e silencia muitos homens sobreviventes. No entanto, não é esta a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por terem sido vítimas de violência sexual, há homens sobreviventes que receiam poder vir a abusar sexualmente de crianças. É importante esclarecer, desde já, que não existe uma relação causal. Todavia, este medo infundado é reforçado socialmente devido aos mitos e crenças erradas sobre estes temas e, não só gera sofrimento e ansiedade, como também contribui para que os sobreviventes continuem a sofrer em silêncio. Há abusadores (cerca de 30%) que referem terem sido vítimas de abuso sexual no passado, mas — atenção — deduzir que 30% dos homens sobreviventes tornar-se-á abusador é uma conclusão errada. Repetimos: não existe uma relação causal. Quando, no apoio psicológico, exploramos este receio, é evidente que este não está relacionado com o facto de o sobrevivente sentir desejo ou atração sexual por crianças. Prende-se, sim, com a preocupação irracional — baseada na desinformação sobre o porquê de os abusadores vitimarem crianças — de que, por ter sido abusado, é inevitável tornar-se um abusador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta dúvida pode estar presente de várias formas, como por exemplo, através de pensamentos disruptivos recorrentes, nos quais o sobrevivente receia poder magoar uma criança e acredita que tal pode mesmo vir a acontecer. Alguns homens sentem dificuldade em manifestar carinho ou afeto pelas crianças que fazem parte da sua vida, como filhas e filhos ou sobrinhas e sobrinhos. Para muitos pais, abraçar, pegar ao colo ou dar banho às suas crianças , pode ser um momento de ansiedade marcado pelo medo de fazer algo de errado. Em algumas situações, esta preocupação pode ser tão intensa que leva o sobrevivente a adotar comportamentos de evitamento, como não interagir com as crianças da sua família, evitar passar perto de escolas ou parques infantis ou até mesmo tomar a decisão de não ser pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este medo de magoar uma criança é habitualmente acompanhado por fortes sentimentos de culpa e vergonha. Uma vez que esta crença errada ainda está bastante enraizada socialmente, pode contribuir para que o sobrevivente não partilhe a sua história de abuso, por ter medo de ser julgado como alguém que irá abusar sexualmente de uma criança. Na verdade, por terem sidos vítimas de violência sexual na infância, muitos destes homens que são pais, acabam por ser mais protetores e atentos, uma vez que estão mais alerta e conscientes de que este é um problema ainda silenciado na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o apoio especializado da Quebrar o Silêncio, o sobrevivente tem a oportunidade de compreender que se trata apenas de um medo infundado e que não corresponde à realidade. Esta desconstrução permite ao sobrevivente viver a sua vida sem estar aprisionado ao receio constante de poder magoar uma criança. Tornar-se-á mais fácil relacionar-se com as crianças que fazem parte da sua vida e manifestar o seu carinho e afeto para com elas, sem que isso seja disruptivo ou provoque ansiedade. Ao sentir-se confiante e seguro, o sobrevivente estará mais livre para tomar decisões importantes sem se condicionar, como por exemplo, escolher ser pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se se identifica com este texto saiba que não está sozinho. A Quebrar o Silêncio está disponível para recebê-lo através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email </span><a href="mailto:apoio@quebrarosilencio.pt"><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia do pai: quando o abusador é o próprio pai</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-do-pai-quando-o-abusador-e-o-proprio-pai-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Mar 2024 09:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Para os homens sobreviventes de violência sexual o dia do pai pode ser uma data bastante problemática e complicada. Na maioria dos casos de violência sexual contra homens e rapazes o abuso acontece na própria família, e muitas vezes o abusador é o próprio pai. Noutros casos, o progenitor pode ter tido conhecimento do abuso [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para os homens sobreviventes de violência sexual o dia do pai pode ser uma data bastante problemática e complicada. Na maioria dos casos de violência sexual contra homens e rapazes o abuso acontece na própria família, e muitas vezes o abusador é o próprio pai. Noutros casos, o progenitor pode ter tido conhecimento do abuso e não ter garantido a segurança do filho. Em ambas as situações, a relação entre a vítima e o pai é muitas vezes ambígua e repleta de sentimentos contraditórios. As vítimas podem sentir afeto e apego pelo seu progenitor, tal como, a necessidade de serem amadas e cuidadas pelo mesmo. Paralelamente, podem ser invadidas por sentimentos de medo e raiva por aquele que as deveria proteger ser o mesmo que lhes causou sofrimento.</p>
<p>Para um menino ou rapaz vitimado esta é uma experiência bastante complexa, dolorosa e confusa. Quando o progenitor é o abusador, pode existir uma dualidade de papéis difícil de gerir para a criança. Por um lado, o pai é a figura de referência que deve proteger e cuidar da criança, por outro o pai é quem abusa sexualmente e provoca dor, medo, desconforto, entre várias outras consequências.</p>
<p>Além do impacto traumático e devastador da violência sexual, estas situações também podem afetar a forma como a criança se vai relacionar consigo própria e também com as outras pessoas. Se o próprio pai cuida dela em certos momentos, mas noutros abusa sexualmente, que comportamentos poderá a criança esperar das outras pessoas? Será este o relacionamento “normal” que os adultos têm com as crianças? Estas são algumas das questões que as vítimas podem interiorizar e integrar como normais à medida que crescem.</p>
<h3>Testemunho de João</h3>
<p>João, um dos homens que procurou ajuda na Quebrar o Silêncio, refere que «fui abusado pelo meu pai quando tinha entre 4 e 6 anos de idade. Depois de tentar suicidar-me 24 anos depois, decidi que precisava de procurar a ajuda que desde sempre senti que não merecia.» Neste caso em concreto, João indica ainda que «houve muita manipulação e sedução inteligente no meu abuso. Era apenas um jogo que o meu pai tinha comigo e tudo era como se fosse uma brincadeira ou afetos. Não era a história de um estranho que me violentou de forma agressiva na rua. Era tudo feito em casa e em segredo no meu quarto, e era tudo muito confuso, e por isso senti que não merecia ajuda.»</p>
<p>Os meninos e rapazes podem crescer e ter uma relação pouco saudável em relação às demonstrações de afeto por parte de outras pessoas e/ou em particular por parte de homens. Podem não saber como reagir, pois receiam que o afeto e atenção sejam sinónimos ou a outra face do abuso. Assim, é comum que muitos sobreviventes passem a evitar contactos com outras pessoas ou a desenvolver relações superficiais e com pouca profundidade, com estratégia de sobrevivência. Estas são apenas algumas das consequências.</p>
<h3>Forçados a celebrar o dia do pai</h3>
<p>É compreensível que para os homens que foram vítimas de violência sexual, o dia 19 de março seja uma data que os relembra do abuso que sofreram e que é bastante difícil de gerir. Estes homens não tiveram um pai que os protegeu, que cuidou deles e, que por isso, sentem que não merece ser celebrado. Os pais destes homens foram quem abusou sexualmente dos próprios filhos e, em muitas das situações, durante vários anos.</p>
<p>Os sobreviventes podem ter ultrapassado o impacto traumático do abuso, mas muitas vezes a família não tem conhecimento do abuso. Neste sentido, para preservarem a harmonia familiar (e também porque receiam que ninguém acredite na sua história), estes homens mantêm uma relação com o pai. Pode ser meramente cordial, mas pode implicar um contacto regular com o abusador e essa relação pode ter um impacto disruptivo nos sobreviventes.</p>
<p>Se for este o seu caso, queremos que saiba que não está sozinho. Se sentir dificuldades em gerir o dia 19 de março e/ou alguns eventos familiares, contacte-nos. Nós podemos ajudá-lo a ultrapassar o impacto que o abuso teve na sua vida. Os nossos serviços de apoio são gratuitos e confidenciais.</p>
<p>Contactos:<br />
910 846 589<br />
apoio@quebrarosilencio.pt</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Abuso sexual de crianças e incesto emocional</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/abuso-sexual-de-criancas-e-incesto-emocional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 10:53:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Incesto emocional pode ser descrito como um modelo de relação pouco saudável em que os pais procuram a criança para apoio, conforto e até para a resolução de problemas. Esta procura carrega em si uma carga sexualizada, mas que nunca chega a ter uma dimensão física. Esta dinâmica familiar, que por vezes também é referida [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Incesto emocional pode ser descrito como um modelo de relação pouco saudável em que os pais procuram a criança para apoio, conforto e até para a resolução de problemas. Esta procura carrega em si uma carga sexualizada, mas que nunca chega a ter uma dimensão física.</strong></p>
<p>Esta dinâmica familiar, que por vezes também é referida por incesto camuflado, não vem (ainda) referenciada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-5), mas não deixa, por isso, de ser alvo de estudo e investigações. Existem teorias e ferramentas para identificar sinais de que possa estar a acontecer e quais as suas consequências como, por exemplo, a escala Childhood Emotional Incest Scale (CEIS).</p>
<blockquote><p>«O incesto emocional não requer contacto físico»</p></blockquote>
<p>O nome pode suscitar questões sobre a sua concretização, uma vez que o incesto emocional não requer contacto físico. Podemos dizer que se trata de uma proximidade emocional e sexualizada por parte dos cuidadores, que é inadequada e imprópria. Mesmo que os pais não tenham perceção e consciência dos seus atos, o incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.</p>
<p>Numa dinâmica de incesto emocional, os pais esbatem os limites dos seus papéis e responsabilidades e elevam a criança ao nível de parceiro. Ou seja, em vez de as crianças serem protegidas e cuidadas, são levadas a inverter os papéis e a assumir o lugar de cuidador dos próprios progenitores (parentificação), sendo solicitadas para ajudar na resolução de problemas e até mesmo para dar conselhos românticos. Neste modelo de relação é comum que as crianças não vejam as suas necessidades saciadas, pois no centro desta dinâmica familiar estão só as necessidades dos pais.</p>
<blockquote><p>«O incesto emocional pode afetar o desenvolvimento saudável da criança e ter consequências devastadoras.»</p></blockquote>
<p>Para a criança, esta relação pode ser imensamente confusa visto que a deixa sem saber qual é o seu lugar e também quais são os limites do que é adequado e impróprio na relação que os pais estabelecem com ela. É comum que a criança se sinta mais adulta do que os seus pares e que sinta ter mais maturidade do que na realidade tem, uma vez que é procurada pelos pais para aconselhamento, conforto e resolução de problemas. A criança é o “ombro amigo” e é usada quando os cuidadores precisam, quando confidenciam pormenores das suas vidas que não contam a mais ninguém, o que pode contribuir para que ela se sinta, a determinada altura, especial. No entanto, este papel pode originar uma fatura danosa a nível do desenvolvimento, nomeadamente porque impede a criança de o ser e de ter a infância que merece, uma onde os pais cuidam de si. Ela cresce sem que os cuidadores estejam focados nela, acabando por negligenciá-la e deixá-la a navegar sozinha a infância e as relações com os outros. No fundo as suas necessidades sociais e emocionais mais básicas são ignoradas e nunca satisfeitas, porque o bem-estar dos pais vem sempre em primeiro lugar.</p>
<h1>Sinais de incesto emocional</h1>
<p>É preciso reconhecer que, embora não haja uma dimensão física, o incesto emocional entra num território sexualizado e pode ter uma carga altamente sexualizada. Por exemplo, os pais podem invadir a privacidade da criança e não respeitar os limites do seu corpo, fazendo referências ou comentários sexualizados sobre o corpo da criança. Outro exemplo é quando dormem na mesma cama com ela até a uma idade avançada. Também podem ter conversas sobre encontros sexuais que tiveram ou levar a criança para encontros amorosos. Há uma romantização e sexualização da relação sem nunca haver uma concretização propriamente física, o que pode resultar num estado de confusão da criança relativamente à relação que os pais têm com ela ou qual o seu papel nessa relação. Assim, é comum a mãe ou o pai confidenciarem com a criança algo íntimo e sexual, cujo teor pode ser incompreensível para a criança, mas que sente ter-lhe sido atribuído um papel diferente, especial ou até mesmo privilegiado.</p>
<p>Outros sinais que podem ser comuns são quando os pais:</p>
<ul>
<li>Pedem que o filho os conforte (desabafam ou choram para chamar a atenção da criança);</li>
<li>Partilham segredos íntimos e de teor sexualizado (ex: fazer queixas sobre a vida sexual dos próprios pais);</li>
<li>Centram a atenção da criança neles, desencorajando que ela tenha amizades com os seus pares;</li>
<li>Demonstram ciúmes quando a criança passa tempo longe deles ou quando a criança apresenta mais autonomia e desejo de liberdade;</li>
<li>Usam a criança como fonte de elogios, glorificação e reforço emocional.</li>
</ul>
<p>Como consequência do incesto emocional, a criança é negligenciada e em detrimento do bem-estar dos cuidadores. Acaba por não ter o tempo que necessita com os seus pares nem desenvolver relações de amizade saudáveis. A criança pode começar a sentir-se responsável pelas emoções dos outros e pelo bem-estar das outras pessoas, acabando por desenvolver atitudes de constante cuidado para com e de tentar agradar ao outro. A criança pode também desenvolver sentimentos ambíguos de amor/ódio pelo progenitor que pratica incesto emocional. Segundo um estudo de 2015, este tipo de situações está associado a problemas de gestão e regulação das emoções por parte das crianças, afetando o seu desenvolvimento.</p>
<h1>Incesto emocional e violência sexual contra crianças</h1>
<p>Ao ocupar o papel de cuidador, a criança acaba por não ver as suas necessidades satisfeitas. Como consequência, ela poderá ficar mais vulnerável à violência sexual. Um abusador que se aperceba desta fragilidade pode aproveitá-la para iniciar uma relação com a criança e dar-lhe a atenção de que ela tanto necessita. O abusador toma, assim, o papel do adulto que se interessa pela criança, que a escuta verdadeiramente e que está presente para a ajudar. É uma estratégia planeada para se aproximar da criança e para ser reconhecido como um adulto de confiança, um que a criança pode procurar se tiver algum problema ou necessidade. As condições estão reunidas para começar a escalar a manipulação sobre a criança, isolá-la para garantir momentos a sós, sexualizar as conversas que têm e, claro, para a dessensibilizar ao toque.</p>
<p>Na Quebrar o Silêncio, muitos dos homens que foram vítimas de violência sexual relatam que viveram em ambientes familiares pouco centrados nas necessidades da crianças (mesmo que, para terceiros, isso não fosse óbvio) e também com modelos de relação pouco saudáveis, como é o caso do incesto emocional. É comum serem referidos exemplos de mães que entram sem autorização no banho do filho, já adolescente, com o pretexto de que vão certificar-se que a zona genital está lavada corretamente, mães que dormem na mesma cama com o filho até este ser adulto, ou em que há uma relação com uma carga sexualmente presente que deturpa o papel de filho e o torna num confidente/melhor amigo ou algo mais. Na área das mulheres, existem também casos igualmente desadequados, em que os pais se apresentam como o namorado das filhas, o futuro marido, a cara-metade, ou o seu príncipe, entre outras situações.</p>
<p>O incesto emocional é um modelo de relação familiar no qual os pais ultrapassam as fronteiras saudáveis na relação que têm com os filhos, diluindo os limites do que é adequado e desadequado, e que tem uma carga sexualizada sem haver contacto físico. Quando falamos de violência sexual contra crianças é fundamental compreendermos a complexidade desta realidade e também as diferentes extensões e de que forma estão interligadas.</p>
<p>Para algumas pessoas o incesto emocional é uma forma de abuso sexual de crianças, para outras não é, mas como Kathy Hardie-Williams refere, não deixa de ser uma forma de abuso e violência contra a criança. Independentemente da posição individual de cada um, não podemos negar a relação que tem com a violência sexual contra crianças, nomeadamente a de criar mais vulnerabilidades para que as crianças sejam vitimadas.</p>
<h2>Precisa de ajuda?</h2>
<p>Se foi passou por uma relação de incesto emocional ou foi vítima de violência sexual, contacte-nos:</p>
<p>​910 846 589</p>
<p>apoio@quebrarosilencio.pt</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia do pai: quando o próprio pai abusa sexualmente do filho</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-do-pai-quando-o-proprio-pai-abusa-sexualmente-do-filho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Mar 2023 10:56:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, o dia do pai pode ser uma data para celebrar. No entanto, para os homens e rapazes que foram vítimas de abuso sexual este dia pode ser extremamente doloroso. A realidade é que na maioria dos casos de violência sexual contra crianças o abuso acontece na própria família, e muitas vezes o abusador [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para muitos, o dia do pai pode ser uma data para celebrar. No entanto, para os homens e rapazes que foram vítimas de abuso sexual este dia pode ser extremamente doloroso. A realidade é que na maioria dos casos de violência sexual contra crianças o abuso acontece na própria família, e muitas vezes o abusador é o próprio pai.</p>
<p>Como poderá imaginar, para a criança vitimada esta é uma experiência bastante complexa, dolorosa e confusa. Para estas crianças pode haver uma dualidade de papéis difícil de gerir. Por um lado, o pai é a figura de referência que deve proteger e cuidar da criança, por outro o pai é quem abusa sexualmente dela e que provoca dor, desconforto, entre várias outras consequências. Face à complexidade desta situação, a criança pode experienciar sentimentos contraditórios relativamente à relação que tem com o progenitor e acabar por ter um relacionamento de amor/ódio com o pai.</p>
<p>Além do impacto devastador do abuso sexual, estas situações também podem afetar a forma como a criança vai relacionar-se consigo própria, mas também com as outras pessoas. Se o próprio pai cuida em certos momentos, mas noutros abusa sexualmente, que comportamentos poderá a criança esperar das outras pessoas? Será este o relacionamento “normal” que os adultos têm com as crianças? Estas são algumas das questões que as vítimas podem interiorizar e integrar como normais à medida que crescem.</p>
<p>No caso de João (nome fictício), um sobrevivente de violência sexual na infância, ele refere que «fui abusado pelo meu pai quando tinha entre 4 e 6 anos de idade. Depois de tentar suicidar-me 24 anos depois, decidi que precisava de procurar a ajuda que desde sempre senti que não merecia.» Neste caso em concreto, João indica ainda que «houve muita manipulação e sedução inteligente no meu abuso. Era apenas um jogo que o meu pai tinha comigo e tudo era como se fosse uma brincadeira ou afetos. Não era a história de um estranho que me violentou de forma agressiva na rua. Era tudo feito em casa e em segredo no meu quarto, e era tudo muito confuso, e por isso senti que não merecia ajuda.»</p>
<p>Voltando a esta efeméride, é compreensível que para estes sobreviventes o 19 de março seja um dia que os relembra do abuso que sofreram e que por isso é bastante difícil de gerir. Estes homens não tiveram um pai que os protegeu, que cuidou deles e que por isso mereça ser celebrado. Os pais destes homens foram quem, desde muito cedo, abusou sexualmente dos próprios filhos e, em muitas das situações, durante vários anos. Os sobreviventes podem ter ultrapassado o impacto traumático do abuso, mas muitas vezes a família não tem conhecimento do abuso. Assim, para preservar a harmonia familiar e também porque receiam que ninguém acredite na sua história, estes homens mantêm uma relação com o pai. Pode ser meramente cordial, mas não deixa de ser um contacto regular com o abusador.</p>
<p>No trabalho que fazemos na Quebrar o Silêncio com homens vítimas de violência sexual, sabemos como há determinadas datas que são problemáticas. Num esforço de sensibilizar o público em geral sobre abuso sexual, é importante que se comece a falar cada vez mais destas matérias e da profundidade e extensão que têm na vida das vítimas. Se, por um lado, o dia do pai é motivo de celebração para muitos, para outros não o é de todo.</p>
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