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	<title>Masculinidades &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Masculinidades &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Quando a violência sexual destrói o amor-próprio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 08:48:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
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					<description><![CDATA[A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a própria forma como se percebem enquanto pessoas e enquanto homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em casos de abuso sexual a autoestima pode ser profundamente afetada. Ideias como “há algo de errado comigo”, “sou fraco”, “sou sujo” ou “não mereço coisas boas” passam a ocupar espaço no pensamento diário. Estas crenças não surgem do nada: são frequentemente alimentadas pelo estigma social, pelos mitos sobre masculinidade e pelo silêncio que ainda envolve a violência sexual contra homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos sobreviventes, aceitar um elogio torna-se difícil, quase impossível; por sua vez, as críticas negativas parecem ficar cravadas no corpo. Sentir orgulho em si próprios pode parecer impossível. A perceção de valor pessoal fica comprometida e, com o tempo, essa visão negativa pode tornar-se uma lente através da qual passam a interpretar a própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual também pode afetar profundamente a forma como os homens se veem enquanto homens. Vivemos em sociedades que continuam a associar masculinidade à força, ao controlo, à invulnerabilidade e à capacidade de se defender. Quando um homem é vítima de violência sexual, estas ideias podem transformar-se em acusações internas devastadoras: “Se eu fosse um homem a sério, isto não teria acontecido.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta narrativa é injusta e errada, mas tem consequências reais. Muitos sobreviventes podem passar anos a questionar a própria masculinidade, a sua identidade e o seu lugar no mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o tempo, estas perceções podem influenciar decisões importantes da vida. Há homens que evitam relações íntimas por medo, vergonha ou desconfiança. Outros sentem dificuldade em comunicar os seus limites, em confiar nas pessoas ou em reconhecer que merecem cuidado e respeito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com o próprio corpo também pode mudar. Alguns sobreviventes relatam sentir-se desligados de si mesmos, como se habitassem um corpo que deixou de lhes pertencer plenamente. Outros desenvolvem sentimentos de repulsa, culpa ou estranheza em relação ao próprio corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas experiências podem ainda influenciar o percurso profissional, as relações familiares, a vida afetiva e sexual e até a forma como a pessoa imagina o seu futuro. Quando a autoestima é destruída, o horizonte pode parecer mais curto. O sobrevivente pode acreditar que não merece felicidade, estabilidade ou amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio da Quebrar o Silêncios, os homens desenvolvem ferramentas para reconstruir a forma como se veem a si próprios. A recuperação do trauma não significa apagar o que aconteceu, mas aprender a olhar para si com mais compaixão, dignidade e verdade.</span></p>
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		<title>Intimidade enquanto arma: violência sexual e manipulação emocional no digital</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/intimidade-enquanto-arma-violencia-sexual-e-manipulacao-emocional-no-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 13:03:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[intimidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Com a época do Dia de São Valentim, aumenta a procura por ligação, intimidade e reconhecimento, sobretudo em contextos digitais. Aplicações de encontros, redes sociais e plataformas de mensagens tornam-se espaços privilegiados de contacto. Para muitas pessoas, estes ambientes representam oportunidades legítimas de conhecer alguém. Para outras, tornam-se o ponto de entrada para experiências profundamente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Com a época do Dia de São Valentim, aumenta a procura por ligação, intimidade e reconhecimento, sobretudo em contextos digitais. Aplicações de encontros, redes sociais e plataformas de mensagens tornam-se espaços privilegiados de contacto. Para muitas pessoas, estes ambientes representam oportunidades legítimas de conhecer alguém. Para outras, tornam-se o ponto de entrada para experiências profundamente violentas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, a Quebrar o Silêncio tem acompanhado um crescimento significativo de casos de violência sexual em contextos digitais, em particular através de extorsão sexual. Só em 2025, registou-se um aumento de 5000% em relação a 2024</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes casos raramente começam com uma ameaça explícita. Começam, quase sempre, com uma conversa aparentemente banal, uma troca de atenção, uma promessa implícita de proximidade.</span></p>
<h4><b>A manipulação emocional é o primeiro passo.</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Os mecanismos são conhecidos: criação de uma falsa relação, validação constante, ritmo acelerado de intimidade, pedidos para mudar a conversa para plataformas mais privadas. O objetivo não é o encontro, nem a relação, mas sim a construção de confiança suficiente para explorar vulnerabilidades emocionais. Quando essa confiança é criada, surgem os pedidos de imagens íntimas, chamadas de vídeo ou partilhas privadas. A partir daí, a relação transforma-se em controlo. A pressão e chantagem, que acontecem nos casos de extorsão sexual, instalam-se quando a confiança é dizimada pelo medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos homens relatam que, a partir do momento em que são confrontados com ameaças de divulgação de imagens, sentem que perdem qualquer margem de escolha e controlo. O medo da exposição, da humilhação pública, do impacto na vida profissional, familiar ou relacional torna-se esmagador. A vergonha silencia. O isolamento aprofunda-se. E a violência continua, muitas vezes através de pedidos sucessivos de dinheiro, novas imagens ou novas formas de submissão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importa sublinhar: extorsão sexual é violência sexual. Não é um erro, não é ingenuidade, não é “ter confiado demais”. É abuso sustentado por manipulação emocional, coerção e ameaça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto psicológico destas experiências pode ser profundo e drástico. Muitos homens apresentam sintomas compatíveis com trauma: ansiedade persistente, hipervigilância, dificuldade em dormir, pensamentos intrusivos, vergonha intensa e sentimentos de defeito. A confiança nos outros, e em si próprios, pode ser profundamente abalada. Em alguns casos, estas experiências reativam traumas anteriores, incluindo histórias de abuso sexual na infância ou na adolescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda um fator que agrava este sofrimento: o estigma. A ideia bafienta de que os homens devem ser fortes, racionais e imunes à manipulação emocional contribui para o silêncio. Muitos sobreviventes demoram anos a pedir ajuda. Alguns nunca o fazem. A violência é vivida em segredo, enquanto quem abusa continua impune.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fundamental compreender que estas práticas não são exceções nem fenómenos marginais. São estratégias metódicas de crime organizado, cada vez mais sofisticadas, que exploram necessidades humanas básicas: ligação, validação, intimidade. Quando estas necessidades se cruzam com momentos de solidão, fragilidade emocional ou desejo de pertença, o risco aumenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar sobre violência sexual em contextos digitais não é gerar alarme, é nomear a realidade tal como ela é. É reconhecer que o abuso também acontece através de ecrãs, palavras e ameaças invisíveis, mas com consequências muito reais. Apenas a ameaça, sem conteúdos íntimos ou sexuais, pode provocar todo um estado de ansiedade extrema e até ideação suicida na vítima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se estiver a passar por uma situação de extorsão sexual ou manipulação emocional, é importante saber que não está sozinho e que há apoio. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo de proteção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, continuamos a acompanhar homens e rapazes sobreviventes destas formas de violência. Dar nome ao que acontece é parte essencial do caminho para quebrar o silêncio, e para devolver dignidade a quem foi vitimado.</span></p>
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		<title>Leia o testemunho de Rui de 45 anos</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/leia-o-testemunho-de-rui-de-45-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 10:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Pornografia]]></category>
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					<description><![CDATA[Cheguei à associação após ouvir o Ângelo num podcast, onde descrevia alguns dos sentimentos com os quais lidava desde há muito. Sentia que vivia uma espécie de vida dupla: perante família, amigos e sociedade apresentava-me com uma segurança e eloquência irrepreensíveis e até destacada; no silêncio do meu isolamento, reprimia-me por me sentir sempre fisicamente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cheguei à associação após ouvir o Ângelo num podcast, onde descrevia alguns dos sentimentos com os quais lidava desde há muito.</p>
<p>Sentia que vivia uma espécie de vida dupla: perante família, amigos e sociedade apresentava-me com uma segurança e eloquência irrepreensíveis e até destacada; no silêncio do meu isolamento, reprimia-me por me sentir sempre fisicamente em desvantagem perante os outros homens.</p>
<p>Iniciei a minha vida sexual tardiamente pois, percebo agora, julgava que a minha performance e o meu falo seriam &#8220;avaliados&#8221; e o medo de &#8220;falhar&#8221; remetia-me para um afastamento dessas situações. A masturbação e o recurso à pornografia saciavam a minha pulsão sexual. Após iniciar a minha vida sexual &#8211; e mesmo após a concretização de um casamento &#8211; essa ideia de performance e de permanente comparação com outros continuou, ainda que de um modo mais ou menos inconsciente, associada à prática sexual.</p>
<p>A imagem física que tinha de mim próprio mantinha um padrão de permanente comparação com outros homens, sendo que a comparação era sempre com homens que eu considerava mais viris ou que se aproximavam do meu (pré)conceito do que é ser Masculino. Em suma, saía sempre a perder… e, para além disso, plantava a dúvida acerca de uma orientação sexual indefinida. Não era fácil abordar este tema com quem quer que fosse. Mesmo com a frequência de outras consultas de psicologia estas questões não melhoravam nem encontravam uma resposta.</p>
<p>Após o envio de um primeiro email, com alguma vergonha e mais dúvidas do que certezas, fui &#8220;acolhido&#8221; e iniciou-se o processo.</p>
<p>O processo de recuperação foi intenso e de grande dedicação, tendo a profissional envolvida sido fundamental para ajudar a desconstruir as perceções e sentimentos assimilados ao longo de toda a minha vida. A clarividência da dismorfia que me acompanhava, bem como a humanização das Figuras Masculinas que eram o &#8220;gatilho&#8221; para sentimentos e pensamentos comparativos foram, e são, fundamentais para iniciar uma reconstrução alicerçada em compreensão e (início de) aceitação próprias.</p>
<p>Hoje sinto-me mais capaz de lidar com a minha imagem física e mais preparado para ajudar os que me rodeiam a viverem mais atentos aos padrões que, de modo mais ou menos subliminar, a sociedade nos impõe. As situações de balneários e de exposição do corpo, com os quais me debatia, tornaram-se menos desafiantes e são melhor compreendidas por mim, como sendo consequência do ato continuado a que fui sujeito enquanto criança, abuso esse que nunca se configurou como violento, nem foi intencionalmente doloso, o que o tornou ainda mais difícil de definir como tal.</p>
<p>O grupo de apoio, em articulação com as sessões terapêuticas individuais, permitiu a existência de espaços seguros de partilha com outros homens que, à sua maneira, têm vidas e experiências que me permitem uma identificação e até perspetivar soluções que ajudaram e ajudam a manter-me neste percurso com vista a uma vida mais completa, física e intelectualmente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>As mulheres também abusam sexualmente? A resposta é: sim</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/as-mulheres-tambem-abusam-sexualmente-a-resposta-e-sim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 10:54:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
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		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Comecemos pelo fundamental: a violência sexual é uma experiência potencialmente traumática e pode ter um impacto devastador na vida das vítimas. Sabemos que a maioria das vítimas são mulheres e raparigas, mas os homens e rapazes também o são. Por exemplo, em oito anos de atividade, a Quebrar o Silêncio recebeu 830 pedidos de ajuda [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Comecemos pelo fundamental: a violência sexual é uma experiência potencialmente traumática e pode ter um impacto devastador na vida das vítimas. Sabemos que a maioria das vítimas são mulheres e raparigas, mas os homens e rapazes também o são. Por exemplo, em oito anos de atividade, </span><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quebrar-o-silencio-recebeu-830-pedidos-de-ajuda-de-homens-e-rapazes-vitimas-de-violencia-sexual"><span style="font-weight: 400;">a Quebrar o Silêncio recebeu 830 pedidos de ajuda de homens e rapazes vítimas de abuso sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também sabemos que a maioria dos abusadores são homens (e homens heterossexuais), mas tal realidade não significa que as mulheres não abusem sexualmente. Mesmo em minoria sabemos que, sim, as mulheres e raparigas abusam de homens e rapazes. Irmãs, primas, mães. Professoras, educadoras, vizinhas. Profissionais de saúde e outras áreas do cuidado.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">«A minha mãe abusava de mim, fingindo que era cuidado. No duche mexia-me nas partes íntimas. Foi assim desde sempre até eu ter 17 anos.»</span></i></p></blockquote>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3><b><br />
Crime invisível</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o abuso sexual de homens e rapazes é um crime bastante invisibilizado, os que são cometidos por mulheres são-no ainda mais. Tal como muitas pessoas, os próprios homens sobreviventes podem não saber e/ou não acreditar que as mulheres também são capazes de abusar sexualmente. Assim, quando são vítimas por parte de uma mulher, estes homens e rapazes podem crer que se tratou de relações sexuais (mesmo que sejam confusas, dolorosas e traumáticas), e não de crime.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">«A minha tia cuidava de mim quando os meus pais não podiam e nas brincadeiras pedia-me para me despir e lhe fazer coisas.»</p>
<p></span></i></p></blockquote>
<h3><b></p>
<p>Marcador de género</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O marcador de género influencia a forma como os casos de abusos sexuais perpetrados por mulheres são vistos. A visão tradicional e redutora da mulher maternal e cuidadora, contribui para a ideia de que as mulheres não sejam vistas como abusadoras e incapazes de cometer tais crimes. Esta representação errónea exacerba a perceção da dimensão do crime quando uma mulher abusa sexualmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a visão tradicional do homem que está sempre disponível para ter relações sexuais e que é incapaz de dizer “não” aos avanços de uma mulher, contribui para invisibilizar os casos quando um rapaz é vítima de violência sexual por uma mulher. Nestas circunstâncias, o menino ou rapaz vitimado pode ser visto como “sortudo” e não como vítima, e o abuso como uma forma de iniciação sexual e não como uma agressão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">«A minha mulher coagia-me a ter relações sexuais com ela quando eu não queria. Dizia-me que eu só podia ser gay ou que tinha um problema no pénis. A única forma de lhe provar que estava errada era tendo sexo com ela.»</span></i></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo desta diferenciação de género está patente na forma como as notícias descrevem este tipo de crime. No contexto escolar, se um professor abusa sexualmente de uma aluna, o docente é adjetivado de abusador, pedófilo, pederasta, molestador ou violador, que “abusou”, “molestou” ou “violou” a vítima. Quando se trata de uma mulher, a abusadora é, frequentemente, referida apenas como professora ou docente, e o abuso é descrito como se fosse um relacionamento entre iguais, sendo comum ler-se “envolveu-se com o aluno”, “teve relações com o jovem”, “mantinha uma relação com aluno”, “fez sexo”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O marcador de género é evidente nestes casos, o que desvaloriza o crime no feminino e afasta a dimensão traumática desta forma de violência.</span></p>
<p><strong>Independentemente de quem abusa, o abuso sexual de homens e rapazes é uma realidade. Acontece nas diferentes fases de vida, desde a infância, passando pela idade adulta, até à senioridade.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ajudamos homens vítimas de abuso sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contacte a Quebrar o Silêncio:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">📞 910 846 589  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">📧 apoio@quebrarosilencio.pt </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Abuso sexual de meninos e rapazes: Dia Europeu para a Proteção de Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/abuso-sexual-de-meninos-e-rapazes-dia-europeu-para-a-protecao-de-criancas-contra-a-exploracao-sexual-e-os-abusos-sexuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 08:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje assinala-se o Dia Europeu para a Proteção de Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais. Enquanto organização que presta apoio especializado a homens e rapazes que foram vítimas de violência sexual, a Quebrar o Silêncio relembra que uma em cada cinco crianças será vítima de abusos sexuais na infância. Esta é uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Hoje assinala-se o Dia Europeu para a Proteção de Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais. Enquanto organização que presta apoio especializado a homens e rapazes que foram vítimas de violência sexual, a Quebrar o Silêncio relembra que uma em cada cinco crianças será vítima de abusos sexuais na infância. Esta é uma realidade assustadora para muitas pessoas. No entanto, é um crime que continua ancorado num silêncio denso e difícil de desocultar. Este silêncio é particularmente notável quando se trata de meninos e rapazes que foram vítimas de abuso sexual.</span></p>
<h3><b>Meninos e rapazes vitimados</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala de abuso sexual no masculino, sabemos que um em cada seis rapazes será vítima de alguma forma de violência sexual até aos 18 anos. Na maioria destes casos, os meninos vitimados demoram, em média, mais de 20 anos a procurar apoio e partilhar as suas histórias de abuso pela primeira vez. Significa que quando quebram o silêncio, são já homens adultos e passaram grande parte das suas vidas a sofrer em silêncio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem muitos obstáculos, mitos e ideias erradas sobre a vitimação masculina. As crenças erradas de que um homem é invulnerável e por isso não pode ser vítima de abuso sexual, que sabe defender-se, que não pode pedir ajuda, não chora e resolve os seus problemas sozinho, são alguns dos motivos pelos quais os homens sobreviventes não procuram apoio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, a Quebrar o Silêncio criou a campanha “Mais de 20 anos em silêncio” e que volta a partilhar: </span><a href="https://youtu.be/QHESuJ--I_0?si=1j5paX4nnJxXPtgD" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Quebrar o Silêncio - mais de 20 anos em silêncio&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://youtu.be/QHESuJ--I_0?si=1j5paX4nnJxXPtgD&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Quebrar o Silêncio &#8211; mais de 20 anos em silêncio</span></a></p>
<p><iframe title="Quebrar o Silêncio - mais de 20 anos em silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/QHESuJ--I_0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-7944 " src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg" alt="" width="495" height="702" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-B.jpg 1748w" sizes="(max-width: 495px) 100vw, 495px" /> <img decoding="async" class="alignnone wp-image-7943 " src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg" alt="" width="496" height="703" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-722x1024.jpg 722w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-211x300.jpg 211w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-768x1090.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1083x1536.jpg 1083w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A-1444x2048.jpg 1444w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2022/12/POSTER-A.jpg 1748w" sizes="(max-width: 496px) 100vw, 496px" /></p>
<h3><b>Prevenção da violência sexual contra crianças</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Em novembro de 2023, a Quebrar o Silêncio publicou o manual “Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças: conhecer, identificar e agir”. Este é um guia destinado à promoção da prevenção da violência sexual contra crianças e é destinado a todos os profissionais que lidam com crianças e jovens, dos quais destacamos docentes, pediatras e assistentes operacionais, entre outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste recurso é munir os profissionais com conhecimento e informações sobre esta forma de violência, no qual foca pressupostos acerca da violência sexual contra crianças, estratégias de manipulação utilizadas por quem abusa, consequências da violência sexual, obstáculos à partilha e consequências dessa mesma partilha, identificação de sinais de abuso sexual, entre outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia conta com o apoio de várias entidades, como é o caso da Polícia Judiciária, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens ou do Ministério da Educação que distribuiu o guia pelas escolas portuguesas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode fazer o download gratuito do guia, </span><span style="text-decoration: underline;"><strong><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf">aqui</a></strong></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8477 " src="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-724x1024.jpg" alt="Princípios básicos para a prevenção da violência sexual contra crianças" width="413" height="584" srcset="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-724x1024.jpg 724w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-212x300.jpg 212w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-768x1086.jpg 768w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-1086x1536.jpg 1086w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia-1448x2048.jpg 1448w, https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/capa-guia.jpg 1612w" sizes="auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio é a primeira e única associação portuguesa de apoio especializado para homens e rapazes sobreviventes de violência sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contactos para apoio de sobreviventes e encaminhamento: 910 846 589 ou apoio@quebrarosilencio.pt</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contactos gerais: info@quebrarosilencio.pt</span></p>
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			</item>
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		<title>Quando um homem adulto é abusado sexualmente</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-um-homem-adulto-e-abusado-sexualmente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Dec 2023 09:30:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabemos que muitos dos casos de violência sexual acontecem na infância. No entanto, isso não significa que o abuso sexual de homens adultos seja raro ou pontual, antes pelo contrário. A realidade é que os homens adultos também são vítimas de violência sexual, mas devido a vários obstáculos, muitos não procuram apoio, não falam do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos que muitos dos casos de violência sexual acontecem na infância. No entanto, isso não significa que o abuso sexual de homens adultos seja raro ou pontual, antes pelo contrário. A realidade é que os homens adultos também são vítimas de violência sexual, mas devido a vários obstáculos, muitos não procuram apoio, não falam do abuso e acabam por sofrer em silêncio.</span></p>
<h3><b>Mitos e estereótipos</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem várias ideias erradas e crenças que contribuem para o silêncio dos homens sobreviventes. Ainda persiste o mito de que um homem adulto não pode ser abusado sexualmente. Esta ideia errada silencia os homens vitimados, fazendo com que não procurem apoio ou denunciem o caso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também existe desinformação em relação às diferentes formas de abuso sexual. Por exemplo, quando se fala em violação, talvez não se pense </span><span style="text-decoration: underline;"><strong><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/violencia-sexual-quando-os-homens-sao-forcados-a-penetrar/">num homem que é forçado a penetrar</a></strong></span><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a violência sexual abrange um espectro alargado de experiências traumáticas e “forçado a penetrar” também é uma forma de violação. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>O que é ser homem?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">As diversas representações relacionadas com a expressão da masculinidade também podem contribuir para não procurar ajuda. Socialmente, muitos homens sentem o peso de resolver os seus problemas sozinhos, sem qualquer tipo de apoio. Pedir ajuda é visto como uma fraqueza e, se o fizerem, serão menos homens por isso. Assim, muitos dos homens que foram abusados sexualmente, acabam por tentar ultrapassar o impacto do trauma sem sucesso, pois acreditam que têm de consegui-lo sozinho. Pedir apoio ou ajuda não faz de um sobrevivente menos homem, é um ato de coragem e de força.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>As mulheres podem abusar de homens?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria dos casos de abuso sexual quem abusa é do sexo masculino. No entanto, também há casos de mulheres que abusam de homens. Nestas situações, o marcador de género é fundamental. Ou seja, para muitos homens, o abuso sexual perpetrado por uma mulher não é visto como violência sexual ou crime, ou como algo que possa infligir dano na vítima. Socialmente, existe uma tendência para desvalorizar este tipo de casos, como se não tivessem o mesmo potencial traumático que quando o abusador é homem. Estas ideias erradas também contribuem para o silenciamento dos homens vitimados.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual contra homens na idade adulta é uma realidade e acontece mais do que se possa acreditar, como por exemplo, no contexto de </span><i><span style="font-weight: 400;">dating</span></i><span style="font-weight: 400;">, encontros amorosos, relações de intimidade, em consulta ou exames médicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">chemsex</span></i><span style="font-weight: 400;">, desporto ou lazer, entre outros. Importa referir que estes contextos são percecionados, para as vítimas, como seguros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se foi vítima de abuso sexual, na infância ou idade adulta, contacte-nos. Se tiver dúvidas sobre o que aconteceu, queremos que saiba que é natural. Marque uma Sessão de Esclarecimento onde poderá compreender melhor o que aconteceu. O nosso apoio é gratuito e confidencial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">PROCURA APOIO?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">910 846 589</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>As mulheres também abusam sexualmente de homens?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/as-mulheres-tambem-abusam-sexualmente-de-homens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 09:30:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando falamos de violência sexual contra homens e rapazes é comum perguntarem-nos se as mulheres são capazes de abusar sexualmente de homens e rapazes, e a resposta é sim. Sabemos que as mulheres abusam sexualmente de meninos e homens, e também de meninas e de outras mulheres. No entanto, é preciso clarificar que na maioria [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos de violência sexual contra homens e rapazes é comum perguntarem-nos se as mulheres são capazes de abusar sexualmente de homens e rapazes, e a resposta é sim. Sabemos que as mulheres abusam sexualmente de meninos e homens, e também de meninas e de outras mulheres. No entanto, é preciso clarificar que na maioria dos casos de abuso sexual os perpetradores são homens, independentemente do sexo da vítima. No </span><a href="https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=%3d%3dBQAAAB%2bLCAAAAAAABAAzNDazMAQAhxRa3gUAAAA%3d" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Relatório Anual de Segurança Interna</span></a><span style="font-weight: 400;"> (RASI) de 2022, nos crimes de abuso sexual de crianças, 93,5% dos arguidos eram do sexo masculino e 6,5% eram do sexo feminino. Nos crimes de violação contra pessoas adultas, 97,7% dos arguidos eram homens e apenas 2,3% eram mulheres. Independentemente das estatísticas e percentagens, para a Quebrar o Silêncio, o importante é que nenhuma vítima seja excluída, independentemente do sexo de quem abusa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Crimes invisibilizados </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importa referir que os casos de abusos sexuais perpetrados por mulheres são vistos de forma diferente da dos homens e são influenciados pelos estereótipos de género. A visão tradicional da mulher maternal e cuidadora, contribui para a ideia de que as mulheres não sejam vistas como abusadoras. Por outro lado, a visão tradicional do homem que está sempre disponível para ter relações sexuais e que é incapaz de dizer “não” aos avanços de uma mulher, contribui para invisibilizar os casos quando um rapaz é vítima de violência sexual por uma mulher. Nestas circunstâncias, o menino ou rapaz vitimado pode ser visto como “sortudo” e não como vítima, e o abuso como uma forma de iniciação sexual e não como uma agressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo desta diferenciação de género está patente na forma como as notícias descrevem este tipo de crime. No contexto escolar, se um professor abusa sexualmente de uma aluna, o docente é adjetivado de abusador, pedófilo, pederasta, molestador ou violador, que “abusou”, “molestou” ou “violou” a vítima. Quando se trata de uma mulher, a abusadora é, frequentemente, referida apenas como professora ou docente, e o abuso é descrito como se fosse um relacionamento entre iguais, sendo comum ler-se “envolveu-se com o aluno”, “teve relações com o jovem”, “mantinha uma relação com aluno”, “fez sexo”.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quando os homens são forçados a penetrar</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em violação talvez a primeira imagem que surge não seja a de um homem ou rapaz que é forçado a penetrar. No entanto, é necessário reconhecer que ser “forçado a penetrar” também é uma forma de violência sexual. Nestes casos, existe a crença de que as mulheres são mais fracas e, por essa razão, ser forçado a penetrar não é de todo possível, ou o mito de que os homens estão sempre disponíveis para sexo e que cada oportunidade para ter sexo com uma mulher é uma “benção”, estão na génese da invisibilização desta forma de violação, até entre as próprias vítimas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>[Leia mais sobre “Quando os homens são forçados a penetrar” através deste <a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/violencia-sexual-quando-os-homens-sao-forcados-a-penetrar/">LINK</a>]</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O facto de quem abusa ser uma mulher não implica que a experiência seja menos traumática para o homem ou para o rapaz, nem faz com que os homens e rapazes possam ser considerados “sortudos”. Continua a ser crime e violência sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acreditar que é impossível para uma mulher abusar sexualmente de um homem é alimentar uma ideia errada que dificulta a possibilidade de os homens e rapazes reconhecerem que experienciaram uma situação de violência sexual. Este mito contribui, ainda, para que os próprios homens sobreviventes não reconheçam o abuso como crime, que seus casos sejam mal diagnosticados ou que passem despercebidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se foi vítima de abuso sexual por parte de uma mulher saiba que não está sozinho e que pode contar connosco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contacte-nos: </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">910 846 589</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">apoio@quebrarosilencio.pt </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Ser homem: papéis de género na violência sexual contra homens</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/ser-homem-papeis-de-genero-na-violencia-sexual-contra-homens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 10:35:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando se fala de violência sexual é importante ter em mente como as questões de género afetam a forma como os homens interpretam as suas histórias de abuso e como a visão tradicional do “homem”, ainda presente na sociedade atual, pode ser um obstáculo à procura de ajuda e na superação do trauma. Embora do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala de violência sexual é importante ter em mente como as questões de género afetam a forma como os homens interpretam as suas histórias de abuso e como a visão tradicional do “homem”, ainda presente na sociedade atual, pode ser um obstáculo à procura de ajuda e na superação do trauma.</p>
<p>Embora do ponto de vista traumático, a violência sexual tenha consequências nocivas para homens e mulheres, quando falamos especificamente dos homens sobreviventes temos de ter em conta um conjunto de questões associadas ao papel de ser homem que influenciam a forma como vai lidar com o impacto do abuso na sua vida.</p>
<p>Se pensarmos que ainda prevalece a ideia de que o homem não pode ser vítima de violência sexual e que tem de ser sempre forte e intocável, está a ser retirado espaço para que o homem vitimado consiga identificar-se enquanto vítima desse crime. Do mesmo modo que ainda é esperado que os homens sejam capazes de resolver os seus problemas sozinhos, sem qualquer tipo de auxílio, o que promove o silenciamento dos homens e também que não procurem a ajuda que necessitam.</p>
<p>Socialmente continua a não ser permitido que um homem possa apresentar a sua vulnerabilidade sem que seja alvo de troça, humilhação ou desvalorização. Estas questões afetam a forma como cada sobrevivente vive e experiencia o impacto do abuso na sua vida, sentindo, muitas vezes, que tem de se mostrar sempre forte e inabalável e que não tem espaço para falar da sua história de abuso.</p>
<p>Estas mensagens são transmitidas desde cedo aos meninos e de várias formas, muitas delas subtilmente. Mensagens como “homem que é homem não chora” continuam a reforçar que os meninos e homens não podem expressar as suas emoções e sentimentos.</p>
<p>Ser vítima de violência sexual não significa que o homem vitimado é menos homem e procurar ajuda também não significa que está a falhar. Um homem não é mais forte por sofrer em silêncio. Na Quebrar o Silêncio todos os homens encontram um espaço seguro para partilhar o que desejam e sem qualquer tipo de juízos de valor.</p>
<p>Se tem dúvidas ou se se identifica com este texto enquanto homem vítima de violência sexual, contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
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		<title>Usar máscaras: ninguém sabe quem sou realmente</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/usar-mascaras-ninguem-sabe-quem-sou-realmente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Oct 2021 10:48:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[No nosso dia-a-dia, na interação com o outro é natural que recorramos a máscaras sociais, inofensivas e de alguma forma protetoras. Por exemplo, um sorriso forçado quando não nos apetece ou a típica resposta à pergunta, “Está tudo bem?”, “Sim, está tudo bem”, mesmo quando não está&#8230; Apesar de ser uma estratégia comum, nos homens [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No nosso dia-a-dia, na interação com o outro é natural que recorramos a máscaras sociais, inofensivas e de alguma forma protetoras. Por exemplo, um sorriso forçado quando não nos apetece ou a típica resposta à pergunta, “Está tudo bem?”, “Sim, está tudo bem”, mesmo quando não está&#8230;</p>
<p>Apesar de ser uma estratégia comum, nos homens sobreviventes esta máscara pode assumir proporções muito maiores e disruptivas. A necessidade constante de esconder quem é e “o que fez” (por acreditar que as pessoas não tolerariam conhecê-lo de verdade e o julgariam pela sua história), pode levar à criação de uma ou várias personagens. Personagens estas, adaptadas às diferentes realidades do seu dia-a-dia e que se tornam exaustivas para o homem sustentar. Por vezes, esta necessidade de manter a “fachada” pode levar a um rol de mentiras que se acrescentam umas às outras na tentativa de sobreviver. A necessidade de manter este comportamento pode variar conforme a situação e a pessoa ou pessoas com quem o sobrevivente se relaciona, mas alguns homens mantêm a sua máscara em todos os momentos em que não estejam sós.</p>
<p>A necessidade de demonstrar que é “homem a sério”, que “não é maricas”, que é confiante ou que não tem medos, são algumas das motivações que contribuem para a manutenção da sua máscara. Apesar de ser uma estratégia para se integrar, não é incomum que esta adaptação social se torne desadaptativa e empurre o homem ainda mais para o isolamento, com fortes sentimentos de solidão e vazio, porque ao proteger-se do mundo, não deixa ninguém aproximar-se verdadeiramente.</p>
<p>No processo de recuperação, o sobrevivente consegue perceber que não faz mal deixar mostrar as suas vulnerabilidades e que não há nada de mau ou nojento na pessoa que é. Desconstruir o seu papel de vítima no(s) abuso(s) e utilizar estratégias alternativas na relação com os outros, são algumas das ferramentas que um profissional especializado poderá trabalhar para ajudar o homem a abandonar a necessidade constante de esconder quem é.</p>
<p>Se se identifica com alguns destes pontos ou se experiencia outras consequências que geram mal-estar, contacte-nos através do email apoio@quebrarosilencio.pt ou da nossa Linha de Apoio 910 846 589.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Masculinidades: ser homem e vítima de violência sexual</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/masculinidades-ser-homem-e-vitima-de-violencia-sexual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 12:57:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Ser vítima de violência sexual é viver um evento potencialmente traumático, emocionalmente marcante e por vezes difícil de integrar na narrativa do sobrevivente. Quando falamos de abuso sexual contra homens e rapazes, esta narrativa assume contornos ainda mais específicos, pois obriga a uma conciliação, quase sempre difícil, do papel de vítima com o papel socialmente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ser vítima de violência sexual é viver um evento potencialmente traumático, emocionalmente marcante e por vezes difícil de integrar na narrativa do sobrevivente.</p>
<p>Quando falamos de abuso sexual contra homens e rapazes, esta narrativa assume contornos ainda mais específicos, pois obriga a uma conciliação, quase sempre difícil, do papel de vítima com o papel socialmente atribuído ao homem &#8211; força inabalável, emocionalmente distante, que não fala dos seus sentimentos e que resolve os seus problemas sozinho.</p>
<p>As crenças associadas à masculinidade tradicional reforçam imagens estereotipadas como “homem não chora”, “um homem a sério sabe defender-se” e não se deixa magoar, não fala de emoções, não as expressa e quase não as sente. Para muitos homens esta realidade é um obstáculo na forma como concilia as expectativas sociais do que é ser homem com as memórias dolorosas do abuso. Muitos homens referem que não sabem o que fazer com os sentimentos de raiva e de tristeza que os assolam, e muitos sentem que não podem nem devem procurar ajuda.</p>
<p>É importante desconstruirmos as ideias pré-concebidas que, conscientemente ou não, vão sendo solidificadas, relativamente ao papel social do homem, para que cada sobrevivente possa fazer o seu processo de recuperação livre das normas sociais que o limitam.</p>
<p>Reconhecer que o homem também tem sentimentos, emoções e que as pode expressar, é crucial para a facilitação do pedido de ajuda e processo de apoio de cada sobrevivente.</p>
<p>Se é um homem e foi vítima de violência sexual, saiba que não está sozinho e que nós podemos ajudar. Contacte-nos através do email apoio@quebrarosilencio.pt ou da Linha de Apoio 910 846 589.</p>
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