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	<title>Quebrar o Silêncio &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Quebrar o Silêncio &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Extorsão sexual: análise de um crime em rápida escalada</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-analise-de-um-crime-em-rapida-escalada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 10:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2025, a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2025, <strong>a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos</strong>. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes como a violação e assédio sexual.</p>
<p>«O aumento dos pedidos de ajuda deve-se, uma vez mais, aos esforços que temos feito para informar sobre as diferentes formas de violência sexual contra homens. No passado, aconteceu o mesmo quando focámos o abuso sexual em contexto de <em>chemsex</em> ou quando os homens são forçados a penetrar. No final de 2024 começámos a alertar e a informar para os crimes de extorsão sexual contra homens e, em 2025, vimos os resultados desta campanha. Os homens tendem a sentir uma vergonha profunda e a crer que são um caso isolado, e é essa uma das razões pelas quais não procuram apoio. Quando têm contacto com as nossas publicações essa sensação de isolamento tende a desaparecer e é quando procuram a Quebrar o Silêncio», explica Ângelo Fernandes, diretor técnico da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>«Este é um crime igualmente preocupante e que também é pouco discutido. À Quebrar o Silêncio chegam casos em que os sobreviventes começam por pagar 50€ ou 100€, para depois serem vítimas de uma escalada na violência exercida e nas ameaças para extorquir valores cada vez maiores. Há casos em que os pagamentos chegaram a rondar os 20 mil euros», complementa o fundador.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>«Os homens quando nos contactam, estão muitas vezes extremamente ansiosos e em desespero porque a extorsão está a acontecer naquele preciso momento. Procuram uma solução imediata para terminar a extorsão e para que a ameaça acabe o mais rápido possível. No fundo o que eles procuram é esquecer que este episódio alguma vez aconteceu», complementa Filipa Carvalhinho, Coordenadora do Gabinete de Apoio à Vítima da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Caraterização dos crimes</h3>
<p>Este tipo de crime caracteriza-se, frequentemente, por contactos iniciados em ambientes digitais, pela obtenção de imagens íntimas e pela subsequente chantagem com exigência de pagamento, sob ameaça de divulgação dos conteúdos.</p>
<p>É um crime oportunista que atinge os homens de forma transversal, independentemente da idade, orientação sexual, estado civil ou contexto profissional, e com <strong>diferentes níveis de literacia digital</strong>.</p>
<p>Destacam-se sobretudo redes sociais generalistas, como Instagram e Facebook, onde é fácil criar perfis falsos e iniciar conversas privadas, bem como aplicações de encontros, como Tinder, Badoo ou Grindr, usadas para estabelecer rapidamente contacto com as vítimas. Após o primeiro contacto é frequente que a conversa seja transferida para serviços de mensagens instantâneas, como WhatsApp, Telegram ou Snapchat, por permitirem maior proximidade e menor perceção de controlo.</p>
<p>Em alguns casos, são ainda utilizadas plataformas de videochamada ou streaming, onde são solicitadas interações íntimas que podem ser gravadas sem consentimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Perfil das vítimas</h3>
<p>Na Quebrar o Silêncio acompanhamos perfis distintos de homens vítimas de extorsão sexual, mas com vulnerabilidades comuns. Entre os mais jovens, é frequente terem uma presença ativa nas redes sociais, e para quem conhecer pessoas através dessas plataformas é parte integrante do seu quotidiano e é vivido com naturalidade. A procura de ligação, de validação ou de intimidade ocorre em ambientes digitais que percecionam como familiares e seguros.</p>
<p>Entre os homens mais velhos, surgem realidades diferentes, mas igualmente marcadas pela vulnerabilidade. Muitos encontram-se social ou emocionalmente isolados, alguns após divórcios ou situações de viuvez. Outros estão em relações estáveis ou casados, mas ainda assim atravessam períodos de solidão, fragilidade ou necessidade de reconhecimento.</p>
<p>O que une estes perfis é a vulnerabilidade emocional ou a carência afetiva, características que os extorsionistas identificam e exploram de forma deliberada, criando uma falsa sensação de relação, proximidade e confiança, que depois é instrumentalizada para a chantagem.</p>
<p>Existe ainda um terceiro perfil, menos frequente, que envolve homens vítimas de extorsão por parte de pessoas próximas. Nestes casos, a extorsão parte de alguém com quem mantêm ou mantiveram uma relação de intimidade, ou, em algumas situações, de elementos do seu círculo social. A proximidade prévia torna a violência ainda mais complexa, intensificando sentimentos de traição, vergonha e medo de exposição.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>978 homens vítimas de abuso sexual pediram ajuda à Quebrar o Silêncio</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/978-homens-vitimas-de-abuso-sexual-pediram-ajuda-a-quebrar-o-silencio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 00:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017, dos quais 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual. &#160; Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio. &#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de<strong> 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017</strong>, dos quais<strong> 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>A associação destaca o aumento de 37% nos pedidos de ajuda, em particular o <strong>crescimento abrupto e preocupante dos crimes de extorsão sexual. </strong>Em 2025, foram registados 67 casos de extorsão sexual, dos quais <strong>51 foram homens, o que representa um aumento de 5000% face ao ano anterior</strong> de 2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A média de idades dos homens situa-se nos 38 anos numa amplitude etária alargada, entre os 14 e os 70 anos, desmontando a ideia errada de que a violência sexual contra homens é um crime limitado à infância, atravessando, sim, as diferentes fases de vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora maioritariamente masculina, <strong>a violência sexual não é praticada exclusivamente por homens</strong>. Em 2025, sempre que foi possível identificar o sexo do abusador, os dados da Quebrar o Silêncio indicam que 65% foram homens e 35% mulheres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para assinalar o seu 9.º aniversário, realizamos, hoje, 6 de fevereiro, um evento <em>online</em>, onde será apresentada a análise dos crimes sexuais contra homens e rapazes referente ao ano de 2025, bem como a <strong>nova campanha de sensibilização da associação &#8220;Quem é que…&#8221;</strong>.</p>
<p>Podem ver o vídeo aqui:</p>
<p><iframe title="&quot;Quem é que…&quot; — nova campanha da Quebrar o Silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/rnyBwg3iAO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O evento culminará com o painel <strong><em>«Extorsão Sexual e Masculinidades»</em></strong>, que contará com a participação de <strong>Ricardo Vieira</strong>, inspetor da Polícia Judiciária, <strong>Paula Cosme Pinto</strong>, ex-jornalista e ativista pela igualdade, e <strong>Filipa Carvalhinho</strong>, coordenadora do Gabinete de Psicologia e Apoio à Vítima da Quebrar o Silêncio.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres — testemunho de Jorge</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/eu-fui-vitima-de-varios-episodios-de-abuso-sexual-e-as-agressoras-foram-sempre-mulheres-testemunho-de-jorge/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 08:19:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Orientação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres. Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’. Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres.</p>
<p>Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘<em>vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’</em>.</p>
<p>Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim tão graves, comparadas com a de muitos homens, e que eu estaria a ocupar o lugar de alguém que <em>“merecia mais”</em>. A verdade é que ninguém merece ser abusado sexualmente. E não existe algo como <em>“pouco”</em> ou <em>“muito”</em> abuso.</p>
<p>Mesmo nas primeiras sessões com a Dr.ª Mariana, tinha muita relutância em ver-me como <strong>vítima</strong>. “Eu sou homem.”; “Eu podia ter parado.”; “Eu era fisicamente mais forte.”; ou “Eu sou o culpado.”; eram pensamentos que ruminavam na minha cabeça há anos.</p>
<p>Perceber que ser vítima de abusos sexuais e que nunca foi culpa minha, foi um ensinamento libertador que jamais teria aprendido sem a <strong>Quebrar o Silêncio</strong> e a Dr.ª Mariana.</p>
<p>O primeiro caso de abuso foi com uma professora, aos 11 anos. Só falei dele pela primeira vez, a um amigo, 15 anos mais tarde.</p>
<p>O segundo, foi num relacionamento de um ano e meio com uma mulher de 21: eu tinha 15. Deixando de parte os incontáveis episódios de chantagem emocional (muitos deles a roçar o crime), a relação terminou porque eu recusei a ter sexo com ela &#8211; a reação dela ao meu <em>“Não”</em> foi agredir-me.</p>
<p>O terceiro, quarto e quinto casos, sempre com mulheres, aconteceram aos 24 e 25 anos, com experiências casuais: encheram-me de substâncias para me acordar e ter sexo sem consentimento, tentaram sufocar-me sem aviso, tiraram-me fotografias nu e, o pior, não respeitaram o meu<em> “Não”</em> &#8211; dito de forma repetida &#8211; forçando-se física e psicologicamente em mim e levando-me a ter relações sexuais não consentidas de forma repetida na mesma noite.</p>
<p>Sou, como muitos de nós, um produto de uma sociedade machista. Onde os miúdos não têm informação sobre sinais de abusos sexuais e onde um homem não pode ser vítima de violação de uma mulher. Por isso, nem assumi estes casos, inicialmente, como violência sexual. Eram apenas<em> “experiências más”</em>. E assumi que eu estava destinado a ter mau sexo a minha vida toda. Que o problema era Eu, ou talvez uma qualquer questão metafísica de <em>Karma</em> ou astrologia: mas jamais Elas.</p>
<p>Passei a ver o sexo como uma obrigação e a intimidade como uma ameaça que eu deveria evitar a qualquer custo &#8211; e assim foi durante demasiado tempo.</p>
<p>Duvidei da minha orientação sexual, da minha capacidade de confiar e me ligar emocionalmente às pessoas e, após um período conturbado despontado por uma fratura peniana, perdi o controlo sobre as minhas emoções, entrando num <em>loop </em>de ansiedade, depressão e o início de ideação suicida.</p>
<p>Nunca vou esquecer a noite em que me apercebi pela primeira vez, através da informação no site da Quebrar o Silêncio, que eu poderia ter sido vítima. Senti a dor emocional de todas as experiências de uma só vez. Nunca me senti tão pequeno. Pensava que estava quebrado para sempre. Mas só precisava mesmo de quebrar o silêncio.</p>
<p>A Dr.ª Mariana guiou-me por todo o processo, de altos e baixos, mas muito consistente. E algo foi sarando, lentamente, em mim. Foi das experiências mais transformadoras da minha vida e, hoje, sinto-me um homem novo, mais seguro, mais confiante e conhecedor dos seus limites.</p>
<p><em>A cereja no topo do bolo?</em></p>
<p>Hoje, meses depois de iniciar este processo, estou a conhecer uma mulher incrível. Que me faz sentir que nunca é tarde, que nem todas as mulheres são iguais, que o sexo não é uma performance e que não temos de esconder as nossas cicatrizes de quem em nós só vê amor.</p>
<p>Isto também é possível para ti. Dá o <em>primeiro passo</em>. Eu sei que mete medo, mas podes confiar em mim: <strong>é seguro</strong>.</p>
<p>Jorge, 28 anos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crimes sexuais contra crianças envolvendo o adjunto da ex-Ministra da Justiça: um alerta para a realidade dos abusadores na sociedade</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/crimes-sexuais-contra-criancas-envolvendo-o-adjunto-da-ex-ministra-da-justica-um-alerta-para-a-realidade-dos-abusadores-na-sociedade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 12:13:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio, que presta apoio especializado a homens e rapazes vítimas de violência sexual, acompanha com profunda preocupação as notícias relativas à detenção do adjunto da ex-Ministra da Justiça, suspeito de abuso sexual de crianças e posse de conteúdos de abuso sexual de crianças, incluindo vítimas portuguesas. Este episódio é mais um exemplo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Quebrar o Silêncio, que presta apoio especializado a homens e rapazes vítimas de violência sexual, acompanha com profunda preocupação as notícias relativas à detenção do adjunto da ex-Ministra da Justiça, suspeito de abuso sexual de crianças e posse de conteúdos de abuso sexual de crianças, incluindo vítimas portuguesas.</p>
<p>Este episódio é mais um exemplo alarmante de uma realidade que insistimos em salientar: os abusadores não são figuras marginais, isoladas ou ‘monstros’ que se identificam facilmente pelo ar fortemente suspeito ou asqueroso. Pelo contrário, tratam-se, muitas vezes, de homens social e profissionalmente bem integrados, com carreira, formação, relações sociais e posições de confiança na sociedade.</p>
<h3>A Quebrar o Silêncio destaca que:</h3>
<ul>
<li>não existe um “perfil social” que distinga um abusador de outros homens;</li>
<li>não são identificáveis apenas pela forma como se apresentam ou se comportam em contextos sociais ou profissionais;</li>
<li>podem ocupar cargos públicos, exercer profissões reconhecidas e manter redes de contacto aparentemente reputadas, e, ainda assim, cometer crimes sexuais contra crianças de enorme gravidade.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>O caso agora em investigação, em que o suspeito desempenhou funções de adjunto no Ministério da Justiça e terá perpetrado crimes que afetaram pelo menos duas crianças portuguesas, ilustra precisamente a realidade perturbadora da violência sexual contra crianças: homens que parecem “normais”, insuspeitos ou bem-sucedidos e que, nos seus comportamentos privados, violam crianças e jovens.</p>
<p>É fundamental que a sociedade e as instituições não confundam a ‘aparência socialmente aceitável’ com a ausência de risco ou de violência. O estigma social que associa a violência sexual apenas a perfis marginais só contribui para a invisibilidade do crime e para o silenciamento das vítimas. Muitos sobreviventes veem o seu sofrimento intensificado por receio de não serem levados a sério, ou por medo de retaliações sociais ou profissionais.</p>
<p>A Quebrar o Silêncio reafirma que a violência sexual pode ocorrer em qualquer estrato social, em qualquer contexto e perpetrada por pessoas que, externamente, parecem perfeitamente integradas. Esta realidade exige uma resposta coletiva mais informada, mais vigilante e mais comprometida com a proteção das crianças e jovens.</p>
<p>A Quebrar o Silêncio continuará a acompanhar os desenvolvimentos deste caso, apoiando as vítimas e lembrando que a proteção das crianças e jovens deve ser sempre uma prioridade inadiável.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros são fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/repudio-perante-a-noticia-de-que-11-bombeiros-sao-fortemente-suspeitos-da-pratica-de-dois-crimes-de-violacao-e-um-crime-de-coacao-sexual-contra-um-colega-de-19-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 11:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Bombeiros Fundão]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Lisboa, 26 de novembro de 2025 A Quebrar o Silêncio manifesta o seu mais profundo repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, são considerados fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Lisboa, 26 de novembro de 2025</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio manifesta o seu mais profundo repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, são considerados fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos. A associação exige a responsabilização urgente dos implicados.</span></p>
<blockquote>
<h4><b>A violência sexual não é praxe, não é brincadeira e muito menos ritual de integração</b></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em nome da dignidade humana, é urgente clarificar, sem margem para dúvidas, que </span><b>a violência sexual não é praxe, não é brincadeira e muito menos ritual de integração</b><span style="font-weight: 400;">. Tratar qualquer ato de coerção ou violação como se fosse “parte de um rito de iniciação” é um ultraje à vítima, uma perversão da noção de camaradagem e um insulto à própria missão de serviço público que se espera de bombeiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nossa indignação aumenta perante o facto de os indivíduos acusados de um ato de tal gravidade poderem continuar a servir numa instituição que deve inspirar confiança e segurança. Nas palavras do comandante da corporação, José Sousa, “neste momento, não há motivo para suspender.”</span></p>
<blockquote>
<h4><b>Submeter alguém a abusos sexuais violentos, num contexto de hierarquia e suposto espírito de camaradagem, é uma violação extrema da confiança e da integridade da pessoa</b></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O abuso sexual constitui uma forma de violência traumática, capaz de deixar marcas duradouras, físicas, psicológicas e sociais, na vida de quem a sofre. </span><b>Submeter alguém a abusos sexuais violentos, num contexto de hierarquia e suposto espírito de camaradagem, é uma violação extrema da confiança e da integridade da pessoa.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este episódio compromete a confiança que a sociedade deposita nos bombeiros — figuras que, por vocação e responsabilidade, deviam inspirar segurança, ajuda e solidariedade. Aqueles que deveriam proteger foram acusados de abusar de poder, numa traição chocante do dever que lhes está associado. A imagem coletiva de uma corporação dedicada ao socorro fica profundamente abalada quando emergem denúncias desta gravidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio exige que a justiça seja feita com todo o rigor possível: que os suspeitos sejam levados a julgamento, que as vítimas recebam apoio especializado e que se desencadeie uma reflexão séria e urgente sobre a cultura interna das corporações de bombeiros, para que nunca mais este tipo de violência seja disfarçado sob pretexto de praxe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, reafirmamos o nosso compromisso: continuar a defender as vítimas de violência sexual, denunciar práticas abusivas e contribuir para uma transformação institucional que ponha fim a qualquer forma de impunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio apresenta-se igualmente disponível para auxiliar instituições a minimizar práticas danosas e a criar códigos de conduta.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Para lá do dia 18 de novembro e da estatística «1 em cada 5»</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/para-la-do-dia-18-de-novembro-e-da-estatistica-1-em-cada-5/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 07:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, 18 de novembro, assinala-se o «Dia para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual». Esta data nasce da campanha «UMA em CINCO», do Conselho da Europa, que decorreu entre 2010 e 2015. Se é fundamental reconhecer que «1 em cada 5 crianças é vítima de alguma forma de violência sexual», é igualmente urgente recordar que passaram mais de dez anos desde então e que os casos de abuso sexual de crianças aumentaram exponencialmente nos últimos anos.</span></p>
<h3><b>Abuso sexual de crianças nos espaços digitais</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos EUA, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) reportou, em 2024, um aumento de 1325% nos casos de exploração sexual de crianças com recurso à inteligência artificial (IA). Esta entidade recebeu, em média, quase 100 denúncias de extorsão sexual por dia, envolvendo crianças coagidas a produzir conteúdos e materiais pelos próprios meios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Reino Unido, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou 291.273 páginas com conteúdos de violência sexual contra crianças em 2024: o maior registo desde o início da sua atividade. A mesma organização verificou ainda um aumento de 380% na criação de conteúdos gerados com IA entre 2023 e 2024.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não estamos perante um mero aumento de denúncias: a quantidade de material abusivo disponível </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> disparou. A par da extorsão sexual, multiplicam-se as </span><i><span style="font-weight: 400;">deepfakes</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolvendo crianças e jovens, multiplicando estas formas de violência. Estes números revelam uma rede global de abuso sexual de crianças, hiper-conectada, que excede largamente as estatísticas antigas e exige resposta urgente.</span></p>
<h3><b>Portugal: que prevenção?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Portugal não é exceção, e a situação é igualmente alarmante. Perante estes dados trágicos, impõe-se a pergunta: </span><b>para quando um plano nacional efetivo de prevenção e combate à violência sexual contra crianças?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio e outras entidades defendem, há anos, a criação de um Plano Nacional de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Jovens — à semelhança do que já existe noutras áreas, como saúde ou segurança —, com uma estratégia ampla, coordenada e sustentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este plano deve envolver escolas, profissionais de saúde e de justiça, forças policiais e famílias. Deve investir em educação sexual preventiva, formação de educadores e recursos para respostas de apoio especializadas. É também indispensável fortalecer o sistema judicial, garantindo condenações efetivas e eliminando brechas que continuam a permitir a impunidade. Importa ainda regulamentar de forma rigorosa os serviços e plataformas digitais onde estes crimes ocorrem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia, não basta «assinalar no calendário»: é preciso agir. Exigimos que o Estado salde a dívida que tem para com as crianças e crie, sem demora, um plano nacional de prevenção e combate à violência sexual contra crianças, com metas claras e recursos adequados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não podemos permitir que a normalização destes números nos cegue para a realidade: cada número é uma criança, uma vida marcada, uma história que deve ser ouvida, reconhecida e protegida. E cada criança merece proteção ativa, agora.</span></p>
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		<title>Novo testemunho</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/novo-testemunho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 11:27:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Incesto]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Partilhamos hoje, um novo testemunho. Carlos  procurou a ajuda da Quebrar o Silêncio, aos 36 anos, por ter sido violado em criança. Hoje diz-nos com orgulho «estou melhor do que nunca, e foi por toda a ajuda que recebi da Quebrar o Silêncio durante estes últimos meses.» &#160; Leiam as palavras de Carlos: Sou um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Partilhamos hoje, um novo testemunho. Carlos  procurou a ajuda da Quebrar o Silêncio, aos 36 anos, por ter sido violado em criança. Hoje diz-nos com orgulho «estou melhor do que nunca, e foi por toda a ajuda que recebi da Quebrar o Silêncio durante estes últimos meses.»</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leiam as palavras de Carlos:</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou um imigrante a morar em Portugal há 10 anos. Além das dificuldades de ser imigrante, comigo esteve sempre o peso de ter sofrido violência sexual por muitos anos quando era miúdo, e não saber quanto do que sofri realmente tinha superado ou estava só a aparentar e manter muitos dos traumas dentro de mim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu sofri violação por parte de um familiar até os 10 anos, e embora sempre soube que algo estava errado em tudo isso, nunca consegui dizer aos meus pais o que estava a acontecer. Ele usou sempre as suas palavras e &#8220;amizade&#8221; para fazer tudo o que queria comigo, como se estivesse bem, e isso bem fez que a minha personalidade ficasse afetada: tornei-me um miúdo muito tímido e não gostava de conhecer pessoas novas nem fazer muita conversa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu sabia que o único mundo de segurança era o meu quarto e tentava não sair daí. Assim passei toda a minha adolescência até chegar à universidade, onde por fim perdi a timidez, e acreditei que os traumas que tinha sofrido pelas violações tinha ido embora. Por muitos anos achei que fui feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheguei aos 30 anos, e comecei a ter problemas nas relações sexuais e tive disfunção erétil. Foi quando me apercebi de que tinha dentro de mim muitas coisas que nunca foram atendidas e soube que precisava de ajuda. Passaram muitos anos até chegar a encontrar os serviços da Quebrar o Silêncio. Foi só através de um amigo que me os recomendou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o processo de atendimento desde o começo foi maravilhoso. Desde o primeiro momento fizeram-me sentir confortável num processo que é de tudo menos confortável, e isso já vale para muito. Tivemos dias em que aprofundámos muito o que eu sofri quando era miúdo, mas outros dias também falamos em coisas que me acontecem que não tem de ver com as violações porque afinal também é saúde mental, e me fazia sentir muito mais seguro neste processo terapêutico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final eu consegui ver que tinha melhorado muito, especialmente como agora eu valido-me a mim próprio e sou consciente das coisas que preciso para cuidar de mim mesmo, e estar bem comigo. Sei como pôr limites e respeitar-me a mim próprio e fazer-me respeitar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consegui tudo isto com a ajuda da Quebrar o Silêncio e não posso estar mais agradecido, foram a ajuda que sempre procurei e agora sinto-me como nunca me senti antes. Estou muito feliz de ter sido ajudado por vocês e estou seguro do meu próprio bem-estar. Muito obrigado!</span></p>
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		<title>Quebrar o Silêncio apela à TVI à inclusão de advertência na telenovela Terra Forte</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quebrar-o-silencio-apela-a-tvi-a-inclusao-de-advertencia-na-telenovela-terra-forte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 11:24:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[António Capelo]]></category>
		<category><![CDATA[Assédio sexual de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Face às acusações públicas contra o ator António Capelo, a Quebrar o Silêncio apela à produtora Plural Entertainment, à Prime Video e à TVI para que seja inserida uma advertência antes de cada episódio da telenovela Terra Forte, cuja estreia está prevista para meados de outubro. A presença de António Capelo em horário nobre, na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Face às acusações públicas contra o ator António Capelo, a Quebrar o Silêncio apela à produtora Plural Entertainment, à Prime Video e à TVI para que seja inserida uma advertência antes de cada episódio da telenovela </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Forte</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja estreia está prevista para meados de outubro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença de António Capelo em horário nobre, na televisão nacional, poderá afetar profundamente sobreviventes de violência sexual, desencadeando mal-estar, revivência de memórias traumáticas e sentimentos de invalidação das suas vozes e denúncias. Para estas pessoas, ver um alegado agressor em espaços de destaque pode intensificar o sofrimento e gerar a perceção de que a sua experiência é secundarizada, perdendo relevância face ao entretenimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio compreende que a exibição da telenovela </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Forte </span></i><span style="font-weight: 400;">faça parte da grelha televisiva e reconhece que as acusações se tornaram públicas apenas recentemente. No entanto, precisamente por essa razão, considera fundamental que o grupo Media Capital — através da Plural Entertainment e da TVI — introduza uma advertência informativa antes de cada episódio, acompanhada dos contactos das organizações de apoio especializadas, nomeadamente Quebrar o Silêncio, AMCV e UMAR EIR. Trata-se de uma prática já adotada em vários países e que constitui um sinal de responsabilidade e compromisso social.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este gesto simples, mas essencial, demonstra respeito pelas vítimas e contribui para uma cultura mediática mais consciente e responsável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio propõe-se a ajudar, em diferentes capacidades, avançando, desde já com uma proposta da advertência a incluir:</span></p>
<p><b>O assédio e o abuso sexual são crimes graves, com potencial traumático que pode devastar profundamente a vida das vítimas.</b></p>
<p><b>Se é ou foi vítima ou conhece alguém que o tenha sido, saiba que não está sozinho. Peça ajuda:</b></p>
<p><b>📞 Quebrar o Silêncio (apoio para homens e rapazes vítimas de abusos sexuais) — 910 846 589 — apoio@quebrarosilencio.pt</b></p>
<p><b>📞 Associação de Mulheres contra a Violência — 962 048 272 — ca@amcv.org.pt</b></p>
<p><b>📞 UMAR Eir – 914 736 078 — 220 933 787 —eir.centro@gmail.com</b></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>António Capelo e as vítimas de assédio e abuso sexual</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/antonio-capelo-e-as-vitimas-de-assedio-e-abuso-sexual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 14:33:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[António Capelo]]></category>
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					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio, associação de apoio a homens sobreviventes de violência sexual, manifesta a sua profunda preocupação perante os testemunhos públicos que descrevem situações de assédio e violência sexual atribuídas ao ator e professor António Capelo, alguns envolvendo menores de idade, ocorridos ao longo de décadas. Segundo Ângelo Fernandes, fundador da associação, «estes relatos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio, associação de apoio a homens sobreviventes de violência sexual, manifesta a sua profunda preocupação perante os testemunhos públicos que descrevem situações de assédio e violência sexual atribuídas ao ator e professor António Capelo, alguns envolvendo menores de idade, ocorridos ao longo de décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Ângelo Fernandes, fundador da associação, «estes relatos são perturbadores, mas não surpreendentes. Perturbadores porque descrevem abusos sexuais que não deveriam ter lugar em nenhum espaço de ensino ou de criação artística. Não surpreendentes porque seguem um guião que conhecemos demasiado bem: o de abusadores que exploram posições de poder, beneficiam de silêncio cúmplice e recorrem a estratégias repetidas de manipulação e controlo das vítimas».</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que está em causa, sublinha a Quebrar o Silêncio, não é apenas a conduta de um homem isolado, mas uma dinâmica estrutural. «O que une Capelo a tantos outros não é a biografia, mas a posição assimétrica de poder em relação às vítimas. Professor, diretor artístico, figura pública com prestígio, explora jovens em formação, desejosos de reconhecimento», afirma Ângelo Fernandes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os testemunhos públicos descrevem um padrão já identificado na literatura especializada e no </span><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/wp-content/uploads/2023/11/guia-prevencao-da-vscc-web.pdf"><span style="font-weight: 400;">guia de prevenção da Quebrar o Silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;">: aproximação progressiva, contactos aparentemente inofensivos, mensagens sexualizadas, dessensibilização ao toque e, finalmente, cruzamento das fronteiras entre pedagogia e intimidade. «É um processo de escalada que mina a resistência das vítimas, sem que estas se apercebam, e que explora as suas vulnerabilidades», refere o diretor da associação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como em muitos outros casos, perante as denúncias, a resposta de Capelo segue também um guião conhecido: negar intenções, justificar comportamentos como expressão de afeto ou liberdade artística e contra-atacar através de queixas por difamação. «Quando um abusador apresenta uma queixa-crime contra iniciativas que procuram dar voz às vítimas, como a página </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Tenhas Medo</span></i><span style="font-weight: 400;">, não está apenas a defender-se: está a tentar inverter a posição de poder e intimidar quem denuncia», alerta Ângelo Fernandes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio recorda que as consequências do abuso sexual não se esgotam no momento do abuso sexual. «Na nossa experiência de acompanhamento, ouvimos homens que viveram situações semelhantes e carregaram durante anos o peso do silêncio e da vergonha. Muitos não reconheceram de imediato o que lhes acontecia como abuso, mas sofreram as consequências ao longo da vida: ansiedade, depressão, dificuldades em estabelecer relações de confiança, impacto nas relações afetivas e sexuais.»</span></p>
<h3><b>Apelo à ação coletiva</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio sublinha que não basta olhar para o caso como sendo pontual: é preciso questionar o contexto. «O teatro é um espaço de criação, mas não pode ser palco de impunidade. Não haja ilusões: António Capelo não está sozinho. Há muitos outros em escolas, clubes, igrejas, empresas, associações culturais e desportivas. Todos dependem da mesma equação: poder de um lado, vulnerabilidade do outro; silêncio cúmplice em redor; descrédito das vítimas quando falam. É esta estrutura que permite que o abuso se perpetue», frisa Ângelo Fernandes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio defende medidas concretas e urgentes: canais seguros de denúncia, políticas públicas centradas na proteção das vítimas, formação obrigatória para todos os profissionais que trabalhem com crianças e jovens, e um compromisso coletivo de acreditar nas vítimas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">«Se não aprendermos com este caso, haverá muitos outros. A cada silêncio e a cada descrédito, a sociedade portuguesa torna-se cúmplice dos abusadores, e o Estado não pode continuar a falhar neste dever fundamental de proteção», conclui Fernandes.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Tornar a violação um crime público: proteção ou risco para as vítimas?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/tornar-a-violacao-um-crime-publico-protecao-ou-risco-para-as-vitimas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jul 2025 11:15:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Tem vindo a ser discutida a possibilidade de tornar o crime de violação um crime público. À primeira vista, esta proposta pode parecer uma medida bem-intencionada e protetora. No entanto, a Quebrar o Silêncio acredita que pode acarretar riscos sérios para as vítimas — sobretudo no que diz respeito à sua autonomia, segurança emocional e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Tem vindo a ser discutida a possibilidade de tornar o crime de violação um crime público. À primeira vista, esta proposta pode parecer uma medida bem-intencionada e protetora. No entanto, a Quebrar o Silêncio acredita que pode acarretar riscos sérios para as vítimas — sobretudo no que diz respeito à sua autonomia, segurança emocional e tempo necessário à recuperação do trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tornar a violação um crime público significaria que qualquer pessoa — profissional de saúde, familiar, agente de autoridade, colega ou amigo — poderia desencadear um processo-crime, mesmo sem o consentimento da vítima. Embora o objetivo possa ser garantir que nenhum caso fique impune, na prática esta alteração colocaria o foco na punição, mas ignoraria por completo o bem-estar, a vontade, a preparação e o tempo de quem sofreu a violência sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio acompanhamos de perto os impactos profundos que a violência sexual tem nas vítimas. Sabemos que o momento de denunciar é um processo altamente pessoal e delicado. Pode demorar meses ou até décadas até que a vítima se sinta segura para falar. Forçar uma denúncia ou envolver a vítima num processo penal para o qual não está preparada — mesmo com garantias legais de salvaguarda — pode ser re-traumatizante e gerar ainda mais sofrimento e silenciamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de discutir se o crime de violação deve ou não ser público, é necessário perguntar: estamos a garantir justiça às vítimas quando os casos chegam aos tribunais? Infelizmente, nem sempre. Um caso ocorrido em Coimbra mostra exatamente isso. Um estudante universitário foi condenado por violar uma colega. A prova foi clara, os juízes consideraram o depoimento do agressor inverosímil, e o tribunal reconheceu a violência. No entanto, a pena de prisão foi suspensa, e o agressor saiu em liberdade. A justificação do tribunal foi de que «os tribunais não servem para destruir vidas». Mas a vida da vítima, já profundamente afetada, parece ter ficado esquecida nesse raciocínio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste contexto que importa refletir. Se o sistema judicial não garante penas efetivas, se muitas vítimas sentem medo de não ser levadas a sério, se enfrentam o risco de julgamento social ou institucional — como podemos esperar que a obrigatoriedade de denúncia represente um avanço?</span></p>
<h3><strong>Antes de tornar o crime de violação público, é fundamental:</strong></h3>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong><strong>Alargar os prazos de prescrição. Atualmente, o prazo para denunciar crimes sexuais cometidos contra adultos é de apenas 12 meses. Um período manifestamente insuficiente, quando consideramos o tempo que muitas vítimas precisam para reconhecer e verbalizar o que viveram.</strong></strong>&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong><strong>Avaliar seriamente a abolição dos prazos de prescrição para crimes sexuais, como acontece noutros países.</strong></strong>&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong>Formar, de forma obrigatória e especializada, todos os profissionais que integram o sistema judicial, as forças policiais, e os serviços de saúde e apoio social sobre trauma e violência sexual.</strong>&nbsp;</li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso dos homens vítimas de violência sexual, que a Quebrar o Silêncio acompanha diariamente, sabemos que o silêncio é muitas vezes imposto pela vergonha, pelo estigma e pelo medo de não serem levados a sério. Os homens demoram, em média, mais de 20 anos a procurar ajuda. Se ao procurar apoio o risco for o de ver a sua história transformada automaticamente num processo judicial, muitos destes homens não irão dar esse passo. E isso pode deixá-los completamente isolados, sem acesso ao apoio especializado de que necessitam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acreditamos que a justiça deve ser feita, mas nunca à revelia das vítimas. A decisão de tornar o crime de violação público, tal como está a ser discutida, não respeita a dimensão traumática da violência sexual nem assegura um sistema que acolha e proteja verdadeiramente quem sofreu. Antes de legislar, é fundamental escutar as vítimas, garantir-lhes autonomia e construir respostas que estejam verdadeiramente ao serviço da sua recuperação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A justiça que não escuta quem mais sofreu arrisca-se a repetir a violência, mesmo que por outras vias.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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