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	<title>Violação de homens &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
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	<title>Violação de homens &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Quando a violência sexual destrói o amor-próprio</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-a-violencia-sexual-destroi-o-amor-proprio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 08:48:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual tem um impacto profundo e duradouro na vida dos homens e rapazes, atingindo frequentemente uma dimensão que nem sempre é visível: a forma como passam a olhar para si próprios. Muitos sobreviventes descrevem uma sensação persistente de terem perdido algo fundamental. Não apenas a segurança ou a confiança nos outros, mas a própria forma como se percebem enquanto pessoas e enquanto homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em casos de abuso sexual a autoestima pode ser profundamente afetada. Ideias como “há algo de errado comigo”, “sou fraco”, “sou sujo” ou “não mereço coisas boas” passam a ocupar espaço no pensamento diário. Estas crenças não surgem do nada: são frequentemente alimentadas pelo estigma social, pelos mitos sobre masculinidade e pelo silêncio que ainda envolve a violência sexual contra homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos sobreviventes, aceitar um elogio torna-se difícil, quase impossível; por sua vez, as críticas negativas parecem ficar cravadas no corpo. Sentir orgulho em si próprios pode parecer impossível. A perceção de valor pessoal fica comprometida e, com o tempo, essa visão negativa pode tornar-se uma lente através da qual passam a interpretar a própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência sexual também pode afetar profundamente a forma como os homens se veem enquanto homens. Vivemos em sociedades que continuam a associar masculinidade à força, ao controlo, à invulnerabilidade e à capacidade de se defender. Quando um homem é vítima de violência sexual, estas ideias podem transformar-se em acusações internas devastadoras: “Se eu fosse um homem a sério, isto não teria acontecido.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta narrativa é injusta e errada, mas tem consequências reais. Muitos sobreviventes podem passar anos a questionar a própria masculinidade, a sua identidade e o seu lugar no mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o tempo, estas perceções podem influenciar decisões importantes da vida. Há homens que evitam relações íntimas por medo, vergonha ou desconfiança. Outros sentem dificuldade em comunicar os seus limites, em confiar nas pessoas ou em reconhecer que merecem cuidado e respeito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com o próprio corpo também pode mudar. Alguns sobreviventes relatam sentir-se desligados de si mesmos, como se habitassem um corpo que deixou de lhes pertencer plenamente. Outros desenvolvem sentimentos de repulsa, culpa ou estranheza em relação ao próprio corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas experiências podem ainda influenciar o percurso profissional, as relações familiares, a vida afetiva e sexual e até a forma como a pessoa imagina o seu futuro. Quando a autoestima é destruída, o horizonte pode parecer mais curto. O sobrevivente pode acreditar que não merece felicidade, estabilidade ou amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio da Quebrar o Silêncios, os homens desenvolvem ferramentas para reconstruir a forma como se veem a si próprios. A recuperação do trauma não significa apagar o que aconteceu, mas aprender a olhar para si com mais compaixão, dignidade e verdade.</span></p>
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		<title>Dia do Pai: quando a celebração traz memórias difíceis</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-do-pai-quando-a-celebracao-traz-memorias-dificeis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 08:45:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, o Dia do Pai é um momento de celebração, gratidão e proximidade familiar. As redes sociais são entupidas de fotografias, mensagens de carinho e memórias felizes. Para alguns sobreviventes de violência sexual, no entanto, esta data é vivida de forma muito diferente. Nem todas as histórias com a figura paterna são seguras ou [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos, o Dia do Pai é um momento de celebração, gratidão e proximidade familiar. As redes sociais são entupidas de fotografias, mensagens de carinho e memórias felizes. Para alguns sobreviventes de violência sexual, no entanto, esta data é vivida de forma muito diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem todas as histórias com a figura paterna são seguras ou protetoras. Em muitos casos, quem abusou foi o próprio pai, padrasto ou outra figura masculina próxima; que influencia a forma como o sobrevivente se relaciona com os outros, consigo próprio e com o mundo. É comum que os sobreviventes passem a ver figuras masculinas e/ou de autoridade como ameaçadoras, uma vez que o seu passado foi marcado pelo abuso sexual por parte do pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Noutras situações, o pai não soube ou não quis ver o que estava a acontecer, não acreditou no relato da criança, não conseguiu oferecer a proteção necessária ou até a responsabilizou e a puniu pelo abuso. Independentemente da circunstância, a relação com a figura paterna pode ficar marcada por emoções e sentimentos complexos que ressurgem em datas simbólicas como esta.</span></p>
<h4><b>Um dia emocionalmente confuso</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">O Dia do Pai pode reativar memórias difíceis ou emoções que pareciam adormecidas. Tristeza, raiva, confusão, sensação de perda ou até vazio podem surgir quando o discurso dominante à volta desta data fala apenas de amor incondicional, segurança e cuidado. Para quem teve experiências de violência sexual, negligência ou ausência, esse contraste pode ser particularmente doloroso e exacerbar o seu sofrimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante reconhecer que estas reações são naturais. O trauma não desaparece nem dá folga apenas porque o calendário assinala um dia de celebração. As memórias e emoções associadas às experiências de abuso sexual podem ser ativadas por datas, lugares, cheiros, imagens ou narrativas sociais que evocam relações familiares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns sobreviventes, o Dia do Pai pode também despertar perguntas difíceis: Como continuar a ter uma relação cordial com pai, sabendo que foi este o abusador? Como gerir a dinâmica e harmonia familiar quando o abusador se encontra no centro? Como lidar com a ausência da figura protetora? É possível sentir afeto por alguém que abusou e/ou que também falhou na proteção? Como conciliar as expetativas sociais com a própria história de abuso sexual? Não existem respostas simples para estas questões, apenas que podem ter um impacto devastador no sobrevivente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante lembrar que o impacto da violência sexual não se limita ao momento do abuso, envolve também dinâmicas de poder, manipulação, silenciamento e isolamento que se prolongam ao longo do tempo. Quando o abusador é alguém próximo ou quando a proteção falha, a experiência pode afetar profundamente a forma como a pessoa pode voltar a confiar nos outros, a noção de segurança que sente e com os vínculos familiares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num contexto em que a sociedade tende a celebrar uma visão idealizada da paternidade, pode ser difícil para alguns sobreviventes reconhecer que a sua experiência não se encaixa nessa narrativa. Sentir desconforto neste dia não significa ingratidão, fraqueza ou incapacidade de seguir em frente. Significa apenas que a história do sobrevivente não encaixa nessa narrativa editada do dia. É importante relembrar que os sentimentos dos sobreviventes são válidos e merecem ser respeitados; mesmo que estes sejam ignorados ou apagados pela família, pessoas próximas ou eventos como esta efeméride. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns sobreviventes, o processo de recuperação passa por redefinir o significado de família, de cuidado e de proteção. Pode incluir reconhecer figuras que estiveram presentes de outras formas: um familiar, um professor, um amigo, um mentor. Outras vezes, pode significar simplesmente dar a si próprio o espaço necessário para viver o dia com distância e autocuidado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Dia do Pai for um dia difícil, é importante lembrar que procurar apoio pode fazer a diferença. Falar sobre o impacto da violência sexual pode ajudar a compreender melhor estas emoções, desenvolver recursos e encontrar estratégias para lidar com elas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio sabemos que o caminho de cada sobrevivente é diferente. Há dias que são mais “leves” e outros que podem trazer recordações e sentimentos dolorosos. Em todos eles, o mais importante é lembrar que ninguém precisa de enfrentar estas experiências sozinho e que pode contar connosco.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Intimidade enquanto arma: violência sexual e manipulação emocional no digital</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/intimidade-enquanto-arma-violencia-sexual-e-manipulacao-emocional-no-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 13:03:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[sextortion]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Com a época do Dia de São Valentim, aumenta a procura por ligação, intimidade e reconhecimento, sobretudo em contextos digitais. Aplicações de encontros, redes sociais e plataformas de mensagens tornam-se espaços privilegiados de contacto. Para muitas pessoas, estes ambientes representam oportunidades legítimas de conhecer alguém. Para outras, tornam-se o ponto de entrada para experiências profundamente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Com a época do Dia de São Valentim, aumenta a procura por ligação, intimidade e reconhecimento, sobretudo em contextos digitais. Aplicações de encontros, redes sociais e plataformas de mensagens tornam-se espaços privilegiados de contacto. Para muitas pessoas, estes ambientes representam oportunidades legítimas de conhecer alguém. Para outras, tornam-se o ponto de entrada para experiências profundamente violentas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, a Quebrar o Silêncio tem acompanhado um crescimento significativo de casos de violência sexual em contextos digitais, em particular através de extorsão sexual. Só em 2025, registou-se um aumento de 5000% em relação a 2024</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes casos raramente começam com uma ameaça explícita. Começam, quase sempre, com uma conversa aparentemente banal, uma troca de atenção, uma promessa implícita de proximidade.</span></p>
<h4><b>A manipulação emocional é o primeiro passo.</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Os mecanismos são conhecidos: criação de uma falsa relação, validação constante, ritmo acelerado de intimidade, pedidos para mudar a conversa para plataformas mais privadas. O objetivo não é o encontro, nem a relação, mas sim a construção de confiança suficiente para explorar vulnerabilidades emocionais. Quando essa confiança é criada, surgem os pedidos de imagens íntimas, chamadas de vídeo ou partilhas privadas. A partir daí, a relação transforma-se em controlo. A pressão e chantagem, que acontecem nos casos de extorsão sexual, instalam-se quando a confiança é dizimada pelo medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos homens relatam que, a partir do momento em que são confrontados com ameaças de divulgação de imagens, sentem que perdem qualquer margem de escolha e controlo. O medo da exposição, da humilhação pública, do impacto na vida profissional, familiar ou relacional torna-se esmagador. A vergonha silencia. O isolamento aprofunda-se. E a violência continua, muitas vezes através de pedidos sucessivos de dinheiro, novas imagens ou novas formas de submissão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importa sublinhar: extorsão sexual é violência sexual. Não é um erro, não é ingenuidade, não é “ter confiado demais”. É abuso sustentado por manipulação emocional, coerção e ameaça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto psicológico destas experiências pode ser profundo e drástico. Muitos homens apresentam sintomas compatíveis com trauma: ansiedade persistente, hipervigilância, dificuldade em dormir, pensamentos intrusivos, vergonha intensa e sentimentos de defeito. A confiança nos outros, e em si próprios, pode ser profundamente abalada. Em alguns casos, estas experiências reativam traumas anteriores, incluindo histórias de abuso sexual na infância ou na adolescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda um fator que agrava este sofrimento: o estigma. A ideia bafienta de que os homens devem ser fortes, racionais e imunes à manipulação emocional contribui para o silêncio. Muitos sobreviventes demoram anos a pedir ajuda. Alguns nunca o fazem. A violência é vivida em segredo, enquanto quem abusa continua impune.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fundamental compreender que estas práticas não são exceções nem fenómenos marginais. São estratégias metódicas de crime organizado, cada vez mais sofisticadas, que exploram necessidades humanas básicas: ligação, validação, intimidade. Quando estas necessidades se cruzam com momentos de solidão, fragilidade emocional ou desejo de pertença, o risco aumenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar sobre violência sexual em contextos digitais não é gerar alarme, é nomear a realidade tal como ela é. É reconhecer que o abuso também acontece através de ecrãs, palavras e ameaças invisíveis, mas com consequências muito reais. Apenas a ameaça, sem conteúdos íntimos ou sexuais, pode provocar todo um estado de ansiedade extrema e até ideação suicida na vítima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se estiver a passar por uma situação de extorsão sexual ou manipulação emocional, é importante saber que não está sozinho e que há apoio. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo de proteção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, continuamos a acompanhar homens e rapazes sobreviventes destas formas de violência. Dar nome ao que acontece é parte essencial do caminho para quebrar o silêncio, e para devolver dignidade a quem foi vitimado.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia de São Valentim: quando a celebração reabre feridas</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dia-de-sao-valentim-quando-a-celebracao-reabre-feridas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 11:59:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Consentimento]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Iniciar ou manter uma relação amorosa pode ser um desafio particularmente exigente para os sobreviventes, ainda que, para as outras pessoas, essa dificuldade não seja percetível. Com a proximidade do Dia de São Valentim, é comum sermos bombardeados com publicidade a jantares românticos, escapadinhas a dois e presentes “perfeitos”. As redes sociais enchem-se de fotografias [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<h5>Iniciar ou manter uma relação amorosa pode ser um desafio particularmente exigente para os sobreviventes, ainda que, para as outras pessoas, essa dificuldade não seja percetível.</h5>
</blockquote>
<p>Com a proximidade do Dia de São Valentim, é comum sermos bombardeados com publicidade a jantares românticos, escapadinhas a dois e presentes “perfeitos”. As redes sociais enchem-se de fotografias de casais felizes, declarações públicas de amor e promessas de felicidade a dois. Para muitas pessoas, este dia é vivido como uma celebração. Para outros, para os homens sobreviventes de violência sexual, o Dia dos Namorados pode ser particularmente desconfortável e doloroso.</p>
<p>A violência sexual deixa marcas profundas na forma como uma pessoa se relaciona com o próprio corpo, com a intimidade e com os outros. Muitos sobreviventes enfrentam dificuldades em criar ou manter relações íntimas saudáveis e duradouras. O contacto físico, a proximidade emocional, a vulnerabilidade e a confiança — elementos frequentemente romantizados nesta data — podem estar associados a medo, confusão, culpa ou vergonha. Iniciar ou manter uma relação amorosa pode ser um desafio particularmente exigente para os sobreviventes, ainda que, para as outras pessoas, essa dificuldade não seja percetível.</p>
<p>Perante esta exibição constante de amor e felicidade, o sobrevivente pode sentir que está a falhar. Pode comparar-se com o que vê à sua volta e concluir, injustamente, que há algo de errado consigo por não conseguir manter uma relação ou por não sentir que não corresponde ao que “deveria” sentir. Não é raro surgirem pensamentos como: “Nunca vou ser capaz de amar”, “Ninguém me vai amar” ou “Nunca serei feliz numa relação”. Estes pensamentos podem ser profundamente desconcertantes e gerar sentimentos intensos de tristeza, solidão e desesperança em relação ao futuro.</p>
<p>A pressão social associada ao Dia de São Valentim agrava este sofrimento. A ideia de que é preciso estar numa relação para ser feliz, completo ou valorizado é repetida até à exaustão. Para um sobrevivente, esta narrativa pode reforçar a sensação de exclusão e inadequação, como se estivesse permanentemente fora do lugar, a assistir a uma felicidade que lhe parece inacessível.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há ainda outro aspeto frequentemente esquecido: o trauma não afeta apenas a relação com os outros, afeta também a relação consigo próprio. Muitos homens sobreviventes carregam uma visão distorcida do seu valor, da sua desejabilidade e da sua capacidade de estabelecer vínculos seguros. Datas como o Dia dos Namorados podem reativar feridas antigas, despertar memórias difíceis ou intensificar a autocrítica e o isolamento.</p>
<p>É importante lembrar que o amor não se resume a uma relação romântica, nem a felicidade depende de estar acompanhado. O discurso dominante em torno do Dia de São Valentim ignora a importância do amor-próprio, do autocuidado e das múltiplas formas de relação significativa — amizades, relações familiares, ligações comunitárias ou, simplesmente, a construção de uma relação mais segura consigo próprio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para homens sobreviventes de violência sexual, o caminho passa muitas vezes por reconstruir, passo a passo, a noção de intimidade, aprender a confiar novamente e permitir-se viver relações que respeitem o seu ritmo, os seus limites e a sua história. Não há prazos, modelos nem obrigações. Não estar numa relação não é um fracasso. Sentir dificuldade em amar não é uma falha pessoal: é, muitas vezes, uma resposta ao trauma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se o Dia de São Valentim lhe trouxer desconforto, tristeza ou isolamento, procurar apoio pode fazer a diferença. Falar com alguém que compreenda o impacto da violência sexual na vida emocional e relacional é um passo legítimo e importante. Na Quebrar o Silêncio, estamos aqui para apoiar hoje, neste dia, e em todos os outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Extorsão sexual: análise de um crime em rápida escalada</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/extorsao-sexual-analise-de-um-crime-em-rapida-escalada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 10:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2025, a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2025, <strong>a Quebrar o Silêncio registou 51 pedidos de ajuda de homens vítimas de extorsão sexual, que representa um terço do total de pedidos</strong>. Em 2024 a associação recebeu apenas um. Importa referir que o universo do abuso sexual de homens adultos não se limita só à extorsão sexual, mas também a outros crimes como a violação e assédio sexual.</p>
<p>«O aumento dos pedidos de ajuda deve-se, uma vez mais, aos esforços que temos feito para informar sobre as diferentes formas de violência sexual contra homens. No passado, aconteceu o mesmo quando focámos o abuso sexual em contexto de <em>chemsex</em> ou quando os homens são forçados a penetrar. No final de 2024 começámos a alertar e a informar para os crimes de extorsão sexual contra homens e, em 2025, vimos os resultados desta campanha. Os homens tendem a sentir uma vergonha profunda e a crer que são um caso isolado, e é essa uma das razões pelas quais não procuram apoio. Quando têm contacto com as nossas publicações essa sensação de isolamento tende a desaparecer e é quando procuram a Quebrar o Silêncio», explica Ângelo Fernandes, diretor técnico da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>«Este é um crime igualmente preocupante e que também é pouco discutido. À Quebrar o Silêncio chegam casos em que os sobreviventes começam por pagar 50€ ou 100€, para depois serem vítimas de uma escalada na violência exercida e nas ameaças para extorquir valores cada vez maiores. Há casos em que os pagamentos chegaram a rondar os 20 mil euros», complementa o fundador.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>«Os homens quando nos contactam, estão muitas vezes extremamente ansiosos e em desespero porque a extorsão está a acontecer naquele preciso momento. Procuram uma solução imediata para terminar a extorsão e para que a ameaça acabe o mais rápido possível. No fundo o que eles procuram é esquecer que este episódio alguma vez aconteceu», complementa Filipa Carvalhinho, Coordenadora do Gabinete de Apoio à Vítima da associação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Caraterização dos crimes</h3>
<p>Este tipo de crime caracteriza-se, frequentemente, por contactos iniciados em ambientes digitais, pela obtenção de imagens íntimas e pela subsequente chantagem com exigência de pagamento, sob ameaça de divulgação dos conteúdos.</p>
<p>É um crime oportunista que atinge os homens de forma transversal, independentemente da idade, orientação sexual, estado civil ou contexto profissional, e com <strong>diferentes níveis de literacia digital</strong>.</p>
<p>Destacam-se sobretudo redes sociais generalistas, como Instagram e Facebook, onde é fácil criar perfis falsos e iniciar conversas privadas, bem como aplicações de encontros, como Tinder, Badoo ou Grindr, usadas para estabelecer rapidamente contacto com as vítimas. Após o primeiro contacto é frequente que a conversa seja transferida para serviços de mensagens instantâneas, como WhatsApp, Telegram ou Snapchat, por permitirem maior proximidade e menor perceção de controlo.</p>
<p>Em alguns casos, são ainda utilizadas plataformas de videochamada ou streaming, onde são solicitadas interações íntimas que podem ser gravadas sem consentimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Perfil das vítimas</h3>
<p>Na Quebrar o Silêncio acompanhamos perfis distintos de homens vítimas de extorsão sexual, mas com vulnerabilidades comuns. Entre os mais jovens, é frequente terem uma presença ativa nas redes sociais, e para quem conhecer pessoas através dessas plataformas é parte integrante do seu quotidiano e é vivido com naturalidade. A procura de ligação, de validação ou de intimidade ocorre em ambientes digitais que percecionam como familiares e seguros.</p>
<p>Entre os homens mais velhos, surgem realidades diferentes, mas igualmente marcadas pela vulnerabilidade. Muitos encontram-se social ou emocionalmente isolados, alguns após divórcios ou situações de viuvez. Outros estão em relações estáveis ou casados, mas ainda assim atravessam períodos de solidão, fragilidade ou necessidade de reconhecimento.</p>
<p>O que une estes perfis é a vulnerabilidade emocional ou a carência afetiva, características que os extorsionistas identificam e exploram de forma deliberada, criando uma falsa sensação de relação, proximidade e confiança, que depois é instrumentalizada para a chantagem.</p>
<p>Existe ainda um terceiro perfil, menos frequente, que envolve homens vítimas de extorsão por parte de pessoas próximas. Nestes casos, a extorsão parte de alguém com quem mantêm ou mantiveram uma relação de intimidade, ou, em algumas situações, de elementos do seu círculo social. A proximidade prévia torna a violência ainda mais complexa, intensificando sentimentos de traição, vergonha e medo de exposição.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>978 homens vítimas de abuso sexual pediram ajuda à Quebrar o Silêncio</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/978-homens-vitimas-de-abuso-sexual-pediram-ajuda-a-quebrar-o-silencio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 00:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Extorsão Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017, dos quais 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual. &#160; Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio. &#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Quebrar o Silêncio registou, em 2025, um total de<strong> 283 pedidos de ajuda, o número mais elevado desde a sua fundação em 2017</strong>, dos quais<strong> 154 correspondem a homens sobreviventes de violência sexual</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h4>Em 9 anos de atividade, 978 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuram ajuda à Quebrar o Silêncio.</h4>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>A associação destaca o aumento de 37% nos pedidos de ajuda, em particular o <strong>crescimento abrupto e preocupante dos crimes de extorsão sexual. </strong>Em 2025, foram registados 67 casos de extorsão sexual, dos quais <strong>51 foram homens, o que representa um aumento de 5000% face ao ano anterior</strong> de 2024.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A média de idades dos homens situa-se nos 38 anos numa amplitude etária alargada, entre os 14 e os 70 anos, desmontando a ideia errada de que a violência sexual contra homens é um crime limitado à infância, atravessando, sim, as diferentes fases de vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora maioritariamente masculina, <strong>a violência sexual não é praticada exclusivamente por homens</strong>. Em 2025, sempre que foi possível identificar o sexo do abusador, os dados da Quebrar o Silêncio indicam que 65% foram homens e 35% mulheres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para assinalar o seu 9.º aniversário, realizamos, hoje, 6 de fevereiro, um evento <em>online</em>, onde será apresentada a análise dos crimes sexuais contra homens e rapazes referente ao ano de 2025, bem como a <strong>nova campanha de sensibilização da associação &#8220;Quem é que…&#8221;</strong>.</p>
<p>Podem ver o vídeo aqui:</p>
<p><iframe title="&quot;Quem é que…&quot; — nova campanha da Quebrar o Silêncio" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/rnyBwg3iAO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O evento culminará com o painel <strong><em>«Extorsão Sexual e Masculinidades»</em></strong>, que contará com a participação de <strong>Ricardo Vieira</strong>, inspetor da Polícia Judiciária, <strong>Paula Cosme Pinto</strong>, ex-jornalista e ativista pela igualdade, e <strong>Filipa Carvalhinho</strong>, coordenadora do Gabinete de Psicologia e Apoio à Vítima da Quebrar o Silêncio.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Ano novo, vida nova?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/ano-novo-vida-nova-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Dec 2025 09:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[A entrada num novo ano costuma vir acompanhada de expetativas elevadas, listas de resoluções e da perspetiva de um possível, e até mesmo obrigatório, “recomeço”. Para muitas pessoas, este ritual pode ser motivador. Para homens sobreviventes de violência sexual, porém, esta época do ano pode trazer desafios particulares e, até, problemáticos. A pressão social para [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A entrada num novo ano costuma vir acompanhada de expetativas elevadas, listas de resoluções e da perspetiva de um possível, e até mesmo obrigatório, “recomeço”. Para muitas pessoas, este ritual pode ser motivador. Para homens sobreviventes de violência sexual, porém, esta época do ano pode trazer desafios particulares e, até, problemáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pressão social para definir metas ambiciosas e objetivos de transformação pessoal pode tornar-se pesada. Muitos sobreviventes vivem já com uma exigência interna elevada, marcada por sentimentos de culpa, vergonha ou desvalorização. Quando se estabelecem metas irrealistas ou difíceis de alcançar, o risco é grande: o eventual falhanço pode ser interpretado como prova de incapacidade pessoal. Pensamentos como «não sirvo para nada» ou «nem isto consigo fazer» podem intensificar-se, afetando a autoestima e reforçando narrativas internas duras e injustas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos, os objetivos definidos assumem um caráter quase punitivo. Metas excessivamente exigentes, mudanças radicais de comportamento ou compromissos impossíveis de manter podem funcionar como formas de auto exigência extrema ou mesmo de autopunição. Em vez de promoverem crescimento e bem-estar, acabam por gerar frustração, ansiedade e um sentimento de derrota antecipada. Para quem vive com as marcas de um trauma, esta dinâmica pode ser particularmente nociva, porque pode ativar padrões antigos de autocensura e de desvalorização.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante lembrar que o processo de recuperação não é linear nem obedece ao calendário do ano civil. Não existe obrigação de “começar do zero” em janeiro, nem de apresentar uma versão melhorada de si próprio apenas porque o ano mudou. Para muitos sobreviventes, a prioridade pode ser simplesmente manter alguma estabilidade, cuidar de si ou continuar um trabalho terapêutico já em curso. E isso é, por si só, válido e suficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se opta por definir metas, é fundamental que estas sejam realistas, poucas e alcançáveis. Objetivos pequenos e concretos tendem a ser mais protetores do que listas extensas e ambiciosas. Por exemplo, em vez de “mudar completamente de vida”, pode ser mais útil pensar em passos simples, como criar uma rotina de sono mais regular, reservar um momento semanal para algo prazeroso ou manter a assiduidade nas sessões de apoio. Cada pequeno avanço conta e merece ser reconhecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas orientações que podem ajudar:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">escolher metas ajustadas ao momento atual de vida, e não a uma ideia idealizada de quem “deveria ser”;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">definir um ou dois objetivos, em vez de muitos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">permitir flexibilidade, aceitando que haverá dias ou semanas mais difíceis;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">avaliar os progressos com gentileza, sem auto acusação.</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, importa sublinhar que estabelecer metas é uma escolha, não uma obrigação. Há homens que preferem não o fazer, e isso também faz parte de um caminho legítimo. Para quem sente vontade e desejo de definir objetivos, fazê-lo com o apoio de um psicólogo pode ser particularmente útil. Em contexto terapêutico, é possível pensar metas que respeitem o ritmo individual, o impacto do trauma e as necessidades reais do sobrevivente, transformando este exercício num recurso de cuidado e não numa fonte adicional de sofrimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Quebrar o Silêncio, reforçamos que cada percurso é único. O ano novo não tem de significar vida nova à força. Pode, simplesmente, significar continuar, com mais apoio, mais consciência e mais auto cuidado.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres — testemunho de Jorge</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/eu-fui-vitima-de-varios-episodios-de-abuso-sexual-e-as-agressoras-foram-sempre-mulheres-testemunho-de-jorge/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 08:19:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Orientação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres. Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’. Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fui vítima de vários episódios de abuso sexual e as agressoras foram sempre mulheres.</p>
<p>Há um ano atrás, era impensável para mim escrever estas palavras na mesma frase: ‘<em>vítima’, ‘abuso’, ‘agressoras’, ‘mulheres’</em>.</p>
<p>Quando procurei a Quebrar o Silêncio, era dominado por uma evidente Síndrome de Impostor: sentia que as minhas experiências não eram assim tão graves, comparadas com a de muitos homens, e que eu estaria a ocupar o lugar de alguém que <em>“merecia mais”</em>. A verdade é que ninguém merece ser abusado sexualmente. E não existe algo como <em>“pouco”</em> ou <em>“muito”</em> abuso.</p>
<p>Mesmo nas primeiras sessões com a Dr.ª Mariana, tinha muita relutância em ver-me como <strong>vítima</strong>. “Eu sou homem.”; “Eu podia ter parado.”; “Eu era fisicamente mais forte.”; ou “Eu sou o culpado.”; eram pensamentos que ruminavam na minha cabeça há anos.</p>
<p>Perceber que ser vítima de abusos sexuais e que nunca foi culpa minha, foi um ensinamento libertador que jamais teria aprendido sem a <strong>Quebrar o Silêncio</strong> e a Dr.ª Mariana.</p>
<p>O primeiro caso de abuso foi com uma professora, aos 11 anos. Só falei dele pela primeira vez, a um amigo, 15 anos mais tarde.</p>
<p>O segundo, foi num relacionamento de um ano e meio com uma mulher de 21: eu tinha 15. Deixando de parte os incontáveis episódios de chantagem emocional (muitos deles a roçar o crime), a relação terminou porque eu recusei a ter sexo com ela &#8211; a reação dela ao meu <em>“Não”</em> foi agredir-me.</p>
<p>O terceiro, quarto e quinto casos, sempre com mulheres, aconteceram aos 24 e 25 anos, com experiências casuais: encheram-me de substâncias para me acordar e ter sexo sem consentimento, tentaram sufocar-me sem aviso, tiraram-me fotografias nu e, o pior, não respeitaram o meu<em> “Não”</em> &#8211; dito de forma repetida &#8211; forçando-se física e psicologicamente em mim e levando-me a ter relações sexuais não consentidas de forma repetida na mesma noite.</p>
<p>Sou, como muitos de nós, um produto de uma sociedade machista. Onde os miúdos não têm informação sobre sinais de abusos sexuais e onde um homem não pode ser vítima de violação de uma mulher. Por isso, nem assumi estes casos, inicialmente, como violência sexual. Eram apenas<em> “experiências más”</em>. E assumi que eu estava destinado a ter mau sexo a minha vida toda. Que o problema era Eu, ou talvez uma qualquer questão metafísica de <em>Karma</em> ou astrologia: mas jamais Elas.</p>
<p>Passei a ver o sexo como uma obrigação e a intimidade como uma ameaça que eu deveria evitar a qualquer custo &#8211; e assim foi durante demasiado tempo.</p>
<p>Duvidei da minha orientação sexual, da minha capacidade de confiar e me ligar emocionalmente às pessoas e, após um período conturbado despontado por uma fratura peniana, perdi o controlo sobre as minhas emoções, entrando num <em>loop </em>de ansiedade, depressão e o início de ideação suicida.</p>
<p>Nunca vou esquecer a noite em que me apercebi pela primeira vez, através da informação no site da Quebrar o Silêncio, que eu poderia ter sido vítima. Senti a dor emocional de todas as experiências de uma só vez. Nunca me senti tão pequeno. Pensava que estava quebrado para sempre. Mas só precisava mesmo de quebrar o silêncio.</p>
<p>A Dr.ª Mariana guiou-me por todo o processo, de altos e baixos, mas muito consistente. E algo foi sarando, lentamente, em mim. Foi das experiências mais transformadoras da minha vida e, hoje, sinto-me um homem novo, mais seguro, mais confiante e conhecedor dos seus limites.</p>
<p><em>A cereja no topo do bolo?</em></p>
<p>Hoje, meses depois de iniciar este processo, estou a conhecer uma mulher incrível. Que me faz sentir que nunca é tarde, que nem todas as mulheres são iguais, que o sexo não é uma performance e que não temos de esconder as nossas cicatrizes de quem em nós só vê amor.</p>
<p>Isto também é possível para ti. Dá o <em>primeiro passo</em>. Eu sei que mete medo, mas podes confiar em mim: <strong>é seguro</strong>.</p>
<p>Jorge, 28 anos</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros são fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/repudio-perante-a-noticia-de-que-11-bombeiros-sao-fortemente-suspeitos-da-pratica-de-dois-crimes-de-violacao-e-um-crime-de-coacao-sexual-contra-um-colega-de-19-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 11:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Bombeiros Fundão]]></category>
		<category><![CDATA[Quebrar o Silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Lisboa, 26 de novembro de 2025 A Quebrar o Silêncio manifesta o seu mais profundo repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, são considerados fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Lisboa, 26 de novembro de 2025</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio manifesta o seu mais profundo repúdio perante a notícia de que 11 bombeiros, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, são considerados fortemente suspeitos da prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual contra um colega de 19 anos. A associação exige a responsabilização urgente dos implicados.</span></p>
<blockquote>
<h4><b>A violência sexual não é praxe, não é brincadeira e muito menos ritual de integração</b></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em nome da dignidade humana, é urgente clarificar, sem margem para dúvidas, que </span><b>a violência sexual não é praxe, não é brincadeira e muito menos ritual de integração</b><span style="font-weight: 400;">. Tratar qualquer ato de coerção ou violação como se fosse “parte de um rito de iniciação” é um ultraje à vítima, uma perversão da noção de camaradagem e um insulto à própria missão de serviço público que se espera de bombeiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nossa indignação aumenta perante o facto de os indivíduos acusados de um ato de tal gravidade poderem continuar a servir numa instituição que deve inspirar confiança e segurança. Nas palavras do comandante da corporação, José Sousa, “neste momento, não há motivo para suspender.”</span></p>
<blockquote>
<h4><b>Submeter alguém a abusos sexuais violentos, num contexto de hierarquia e suposto espírito de camaradagem, é uma violação extrema da confiança e da integridade da pessoa</b></h4>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O abuso sexual constitui uma forma de violência traumática, capaz de deixar marcas duradouras, físicas, psicológicas e sociais, na vida de quem a sofre. </span><b>Submeter alguém a abusos sexuais violentos, num contexto de hierarquia e suposto espírito de camaradagem, é uma violação extrema da confiança e da integridade da pessoa.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este episódio compromete a confiança que a sociedade deposita nos bombeiros — figuras que, por vocação e responsabilidade, deviam inspirar segurança, ajuda e solidariedade. Aqueles que deveriam proteger foram acusados de abusar de poder, numa traição chocante do dever que lhes está associado. A imagem coletiva de uma corporação dedicada ao socorro fica profundamente abalada quando emergem denúncias desta gravidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio exige que a justiça seja feita com todo o rigor possível: que os suspeitos sejam levados a julgamento, que as vítimas recebam apoio especializado e que se desencadeie uma reflexão séria e urgente sobre a cultura interna das corporações de bombeiros, para que nunca mais este tipo de violência seja disfarçado sob pretexto de praxe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, reafirmamos o nosso compromisso: continuar a defender as vítimas de violência sexual, denunciar práticas abusivas e contribuir para uma transformação institucional que ponha fim a qualquer forma de impunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Quebrar o Silêncio apresenta-se igualmente disponível para auxiliar instituições a minimizar práticas danosas e a criar códigos de conduta.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Leia o testemunho de Rui de 45 anos</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/leia-o-testemunho-de-rui-de-45-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 10:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso sexual de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Pornografia]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violação de homens]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Cheguei à associação após ouvir o Ângelo num podcast, onde descrevia alguns dos sentimentos com os quais lidava desde há muito. Sentia que vivia uma espécie de vida dupla: perante família, amigos e sociedade apresentava-me com uma segurança e eloquência irrepreensíveis e até destacada; no silêncio do meu isolamento, reprimia-me por me sentir sempre fisicamente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cheguei à associação após ouvir o Ângelo num podcast, onde descrevia alguns dos sentimentos com os quais lidava desde há muito.</p>
<p>Sentia que vivia uma espécie de vida dupla: perante família, amigos e sociedade apresentava-me com uma segurança e eloquência irrepreensíveis e até destacada; no silêncio do meu isolamento, reprimia-me por me sentir sempre fisicamente em desvantagem perante os outros homens.</p>
<p>Iniciei a minha vida sexual tardiamente pois, percebo agora, julgava que a minha performance e o meu falo seriam &#8220;avaliados&#8221; e o medo de &#8220;falhar&#8221; remetia-me para um afastamento dessas situações. A masturbação e o recurso à pornografia saciavam a minha pulsão sexual. Após iniciar a minha vida sexual &#8211; e mesmo após a concretização de um casamento &#8211; essa ideia de performance e de permanente comparação com outros continuou, ainda que de um modo mais ou menos inconsciente, associada à prática sexual.</p>
<p>A imagem física que tinha de mim próprio mantinha um padrão de permanente comparação com outros homens, sendo que a comparação era sempre com homens que eu considerava mais viris ou que se aproximavam do meu (pré)conceito do que é ser Masculino. Em suma, saía sempre a perder… e, para além disso, plantava a dúvida acerca de uma orientação sexual indefinida. Não era fácil abordar este tema com quem quer que fosse. Mesmo com a frequência de outras consultas de psicologia estas questões não melhoravam nem encontravam uma resposta.</p>
<p>Após o envio de um primeiro email, com alguma vergonha e mais dúvidas do que certezas, fui &#8220;acolhido&#8221; e iniciou-se o processo.</p>
<p>O processo de recuperação foi intenso e de grande dedicação, tendo a profissional envolvida sido fundamental para ajudar a desconstruir as perceções e sentimentos assimilados ao longo de toda a minha vida. A clarividência da dismorfia que me acompanhava, bem como a humanização das Figuras Masculinas que eram o &#8220;gatilho&#8221; para sentimentos e pensamentos comparativos foram, e são, fundamentais para iniciar uma reconstrução alicerçada em compreensão e (início de) aceitação próprias.</p>
<p>Hoje sinto-me mais capaz de lidar com a minha imagem física e mais preparado para ajudar os que me rodeiam a viverem mais atentos aos padrões que, de modo mais ou menos subliminar, a sociedade nos impõe. As situações de balneários e de exposição do corpo, com os quais me debatia, tornaram-se menos desafiantes e são melhor compreendidas por mim, como sendo consequência do ato continuado a que fui sujeito enquanto criança, abuso esse que nunca se configurou como violento, nem foi intencionalmente doloso, o que o tornou ainda mais difícil de definir como tal.</p>
<p>O grupo de apoio, em articulação com as sessões terapêuticas individuais, permitiu a existência de espaços seguros de partilha com outros homens que, à sua maneira, têm vidas e experiências que me permitem uma identificação e até perspetivar soluções que ajudaram e ajudam a manter-me neste percurso com vista a uma vida mais completa, física e intelectualmente.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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