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	<title>Dissociação &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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	<description>Apoio para homens e rapazes vítimas de violência sexual</description>
	<lastBuildDate>Mon, 15 Jul 2024 11:30:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Dissociação &#8211; Quebrar o Silêncio</title>
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		<title>Quando a dissociação ocorre durante a sessão de apoio psicológico</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-a-dissociacao-ocorre-durante-a-sessao-de-apoio-psicologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jul 2024 08:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Dissociação]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
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					<description><![CDATA[Numa tentativa de evitar o sofrimento gerado pelo trauma do abuso sexual, o cérebro tem a capacidade de se desligar da realidade. Este processo, conhecido como dissociação, é automático e pode acontecer durante o abuso e, também, ao longo de diversos contextos da vida do sobrevivente. &#160; Ver também: Dissociação: quando acontece e quais os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Numa tentativa de evitar o sofrimento gerado pelo trauma do abuso sexual, o cérebro tem a capacidade de se desligar da realidade. Este processo, conhecido como dissociação, é automático e pode acontecer durante o abuso e, também, ao longo de diversos contextos da vida do sobrevivente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><span style="font-weight: 400;">Ver também:</span></h5>
<ul>
<li><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dissociacao-quando-acontece-e-quais-os-sinais/"><span style="font-weight: 400;">Dissociação: quando acontece e quais os sinais?</span></a></li>
<li><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-as-vitimas-tem-dificuldade-em-gerir-emocoes/"><span style="font-weight: 400;">Quando as vítimas têm dificuldade em gerir emoções.</span></a></li>
<li><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/trauma-e-abuso-sexual-quando-o-corpo-se-desliga-do-momento/"><span style="font-weight: 400;">Trauma e abuso sexual: quando o corpo se desliga do momento.</span></a></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>O processo terapêutico pode ser um contexto propício a que episódios dissociativos aconteçam, uma vez que, durante as sessões se aborda o tema do abuso sexual, o que pode remeter o sobrevivente para memórias e emoções difíceis de lidar e, por vezes, até avassaladoras. Por isso, é comum que o sobrevivente dissocie durante as sessões de apoio psicológico.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente pode não se aperceber do que está a acontecer ou em algumas situações pode identificar que algo “estranho” se passa, sem, no entanto, conseguir explicar concretamente o quê. Alguns sobreviventes dizem sentir que de repente desligaram, que a sua mente saiu daquele momento ou que perderam pedaços da conversa. Outros partilham que se perderam no discurso, que não se recordam do que queriam dizer ou do que estavam a falar, ou pedem recorrentemente ao psicólogo para repetir o que disse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O facto de isto acontecer em sessão pode causar desconforto ao sobrevivente e até sentimentos de vergonha ou desadequação. Este pode ter receio que o terapeuta pense que não está envolvido ou que não estava a prestar atenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante saber que esta reação é natural e que ao acontecer em sessão permite criar uma oportunidade para ser identificada e gerida. O terapeuta pode ajudar o sobrevivente a estar mais consciente dos sinais que indicam quando dissocia, tal como, partilhar algumas estratégias para lidar com estes episódios no dia a dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se é sobrevivente de violência sexual, queremos que saiba que nunca é tarde para procurar apoio. Contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt, o</span><span style="font-weight: 400;">s nossos serviços de apoio são gratuitos e confidenciais.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como a dissociação afeta a vida dos sobreviventes</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/como-a-dissociacao-afeta-a-vida-dos-sobreviventes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 09:13:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Dissociação]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
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					<description><![CDATA[A dissociação é um mecanismo de defesa automático e inconsciente do cérebro que permite ao sobrevivente desconectar-se da realidade e evitar o sofrimento gerado pelo trauma do abuso sexual. Embora proteja temporariamente o sobrevivente, a longo prazo pode ter um impacto negativo na sua vida. A dissociação pode apresentar-se de formas diferentes: &#160; Ver também: [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A dissociação é um mecanismo de defesa automático e inconsciente do cérebro que permite ao sobrevivente desconectar-se da realidade e evitar o sofrimento gerado pelo trauma do abuso sexual. Embora proteja temporariamente o sobrevivente, a longo prazo pode ter um impacto negativo na sua vida. A dissociação pode apresentar-se de formas diferentes:</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"><strong>Ver também:</strong> </span><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dissociacao-quando-acontece-e-quais-os-sinais/"><span style="font-weight: 400;">Dissociação: quando acontece e quais os sinais?</span></a></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<h3><b>Despersonalização</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente sente-se recorrentemente distante de si mesmo, da sua mente e do próprio corpo. Este distanciamento faz com que o sobrevivente sinta que as suas emoções, pensamentos e comportamentos, não são seus, o que pode gerar pensamentos como “não tenho identidade” ou “não sei quem sou”. Alguns sobreviventes podem sentir que determinadas partes do corpo não lhe pertencem (por exemplo, olhar para as suas mãos e senti-las como algo externo a si). Do mesmo modo, sensações corporais como sede, fome, frio ou calor podem ser experienciadas como se fossem estranhas e não como algo que faz parte de si. O sobrevivente pode olhar para o reflexo no espelho e não se identificar, como se aquela pessoa não fosse ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum sentir-se um observador externo da sua vida, dos próprios pensamentos, sentimentos, sensações, corpo ou ações (como se visualizasse os eventos na terceira pessoa como num filme ou num videojogo). O sobrevivente pode, por exemplo, sentir-se anestesiado, sentir que está num sonho, ter a sensação de estar em câmara lenta, sentir que está a perder o controlo das próprias ações, como se fosse um robot ou estivesse em modo automático. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Desrealização</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade é experienciada frequentemente como sendo irreal, com distanciamento e, por vezes, de forma distorcida. O ambiente ao redor pode ser percecionado como artificial, incolor ou inerte. Em algumas situações o sobrevivente pode ter a sensação de que as coisas estão em câmara lenta, de que está entre as nuvens ou numa bolha. Também há quem sinta estar num sonho, ver coisas desfocadas ou até sentir que é como se existisse um véu ou vidro que o separa do mundo à sua volta.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Alterações e confusão de identidade</b><span style="font-weight: 400;"> </span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente pode sentir que existe uma descontinuidade ou fragmentação da sua identidade. Pode experienciar alterações na sua identidade a diversos níveis, nomeadamente: na forma como perceciona o mundo, nas suas opiniões, modo de falar, comportamentos, consciência,  memória e afetos. Por exemplo, num dado momento o sobrevivente pode ter uma determinada posição acerca de um assunto e de forma repentina mudar a sua opinião e ter uma postura contraditória. Do mesmo modo, o sobrevivente pode sentir-se emocionalmente próximo de uma pessoa e subitamente perder a ligação e afastar-se. Em algumas situações o sobrevivente pode experienciar vozes (por exemplo vozes de crianças), pensamentos, emoções e impulsos intrusivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isto leva o sobrevivente a sentir que não é dono de si mesmo e que, por isso, não tem o controlo sobre os pensamentos, o corpo e as suas ações.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Amnésia dissociativa</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente é incapaz de se recordar de determinadas informações sobre si e a sua história. No que diz respeito ao abuso sexual, as memórias podem ser fragmentadas, não sequenciais ou como se fossem “flashes”, e surgir apenas mais tarde na vida do sobrevivente, perante um desencadeador. Por exemplo, um sobrevivente que quando sente o cheiro intenso de uma determinada flor, pode ser levado para o abuso que aconteceu num jardim, o que traz à tona uma memória consciente que até então estava inacessível. A amnésia dissociativa tem uma função protetora para a vítima, particularmente nos casos em que os abusadores são simultaneamente os seus cuidadores (pai ou mãe), permitindo ao sobrevivente lidar com este duplo papel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do tempo, este esquecimento pode ir para além da violência sexual e tornar-se mais generalizado, por exemplo, sobreviventes que não têm memórias da casa onde cresceram ou até da sua infância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrevivente pode não ter noção de que esta amnésia está presente e apenas quando confrontado com informações, das quais não tem memória, ou com relatos de outras pessoas que não são coerentes com as suas recordações, é que toma consciência de que ela existe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O facto do sobrevivente experienciar uma ou mais forma de dissociação ao longo da sua vida e de forma recorrente, por vezes durante muitos anos, tem um impacto negativo nos vários contextos da sua vida; não só na forma como o sobrevivente se perceciona e se sente consigo mesmo, como nas relações que estabelece com os outros, na vida profissional, entre outros.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se já experienciou uma ou mais situações enumeradas neste texto, saiba que a Quebrar o Silêncio pode ajudá-lo. Contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dissociação: quando acontece e quais os sinais?</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/dissociacao-quando-acontece-e-quais-os-sinais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2024 08:28:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Dissociação]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Perante um evento traumático como a violência sexual, o cérebro recorre a mecanismos de proteção automáticos e inconscientes com o objetivo de proteger a vítima. Estes mecanismos surgem como uma tentativa de mitigar o sofrimento causado pelo trauma. Um destes mecanismos é a dissociação que permite ao sobrevivente desconectar-se da realidade, como se o sobrevivente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Perante um evento traumático como a violência sexual, o cérebro recorre a mecanismos de proteção automáticos e inconscientes com o objetivo de proteger a vítima. Estes mecanismos surgem como uma tentativa de mitigar o sofrimento causado pelo trauma. Um destes mecanismos é a dissociação que permite ao sobrevivente desconectar-se da realidade, como se o sobrevivente “não estivesse presente no momento”, protegendo-o do trauma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ver também:</p>
<ul>
<li><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-as-vitimas-tem-dificuldade-em-gerir-emocoes/">Quando as vítimas têm dificuldade em gerir emoções.</a></li>
<li><a href="https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/trauma-e-abuso-sexual-quando-o-corpo-se-desliga-do-momento/">Trauma e abuso sexual: quando o corpo se desliga do momento.</a></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Em que circunstâncias pode ocorrer a dissociação?</h3>
<p>Existem três circunstâncias em que a dissociação pode ocorrer:</p>
<ul>
<li>O sobrevivente pode dissociar durante o evento traumático, nomeadamente quando o abuso ocorre, independentemente de ser uma situação pontual ou um crime continuado.</li>
<li>Após o abuso podem acontecer episódios dissociativos quando experiencia flashbacks do abuso. Ou seja, perante uma memória relacionada com o abuso o sobrevivente revive a situação traumática como se esta estivesse a ocorrer novamente.</li>
<li>Ao longo da vida do sobrevivente a dissociação também pode surgir enquanto mecanismo de sobrevivência, pois desconecta-se de situações percecionadas como perigosas, ameaçadoras e nas quais se sente em risco.</li>
</ul>
<h3></h3>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Quais os sinais que indicam que alguém está a dissociar?</h3>
<p>Os sinais de dissociação são diversos e podem surgir com diferentes intensidades. O sobrevivente pode sentir-se entorpecido, com a sensação de estar a sonhar acordado, estonteado, nauseado, sem controlo ou desorientado. Habitualmente, o sobrevivente pode não conseguir fazer a distinção entre o passado e o presente, o que leva a experienciar um sentimento constante de insegurança e estado de alerta. É comum que o sobrevivente tenha falhas ou perdas de memória, tal como, sensação de perda de noção do tempo. Alguns sobreviventes dizem sentir que faltam “pedaços de tempo”, por vezes segundos ou minutos, em alguns casos horas ou até dias.</p>
<p>A dissociação pode ser visível para aqueles que convivem com o sobrevivente. Por exemplo, a respiração torna-se mais superficial, há uma diminuição da atenção, em que a pessoa se torna menos responsiva e parece não estar presente, mudanças repentinas no movimento ocular (por exemplo, perda de foco, “olhos de vidro” ou pupilas mais dilatadas). Também ao nível da comunicação, podem ser identificados sinais como interrupção repentina do discurso, congelar, deixar de ouvir ou flutuações no tom de voz.</p>
<p>Se identifica episódios em que dissocia e/ou se identifica com este texto, contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt. Estamos disponíveis para o receber.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quando as vítimas têm dificuldade em gerir emoções</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/quando-as-vitimas-tem-dificuldade-em-gerir-emocoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2024 08:30:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Dissociação]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Viver um evento potencialmente traumático, como a violência sexual, pode perturbar a perceção de segurança da vítima e fazer com que esta se mantenha num estado constante de alerta. Enquanto estratégia de sobrevivência, o cérebro humano desenvolve mecanismos automáticos e inconscientes, que permitem ao sobrevivente uma desconexão da realidade e de si próprio. Embora adaptativo, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Viver um evento potencialmente traumático, como a violência sexual, pode perturbar a perceção de segurança da vítima e fazer com que esta se mantenha num estado constante de alerta. Enquanto estratégia de sobrevivência, o cérebro humano desenvolve mecanismos automáticos e inconscientes, que permitem ao sobrevivente uma desconexão da realidade e de si próprio. Embora adaptativo, a longo prazo estes mecanismos podem tornar-se um obstáculo à capacidade do sobrevivente regular e gerir as suas emoções.</p>
<p>O facto de o sobrevivente estar num constante estado de ativação, no qual se sente ansioso e alerta a potenciais perigos, faz com que este percecione o mundo e os outros como ameaçadores, mesmo quando não o são. Devido a este estado persistente de tensão, o sobrevivente pode sentir dificuldades em relaxar, se sentir tranquilo e em se ligar aos outros.</p>
<p>Numa tentativa de se regular e aumentar a sensação de controlo e segurança, pode desenvolver mecanismos de proteção automáticos e inconscientes, que permitem ao homem sobrevivente de violência sexual uma desconexão da realidade e, assim, uma diminuição do sofrimento. Um desses mecanismos é a dissociação, em que a pessoa se sente desligada da realidade, provocando uma ruptura entre a mente e o corpo. A dissociação pode apresentar-se de várias formas e intensidades, e é comum a pessoa sentir-se entorpecida, alheada da realidade e perder a noção do tempo. Outro mecanismo de proteção do nosso cérebro é a despersonalização, em que a pessoa tem uma perceção distorcida de si própria, se sente distante do seu próprio corpo, como se este não lhe pertencesse e tem a sensação de ser um observador externo da sua vida. Alguns sobreviventes experienciam ainda outro mecanismo, denominado desrealização, no qual o mundo não é sentido como real e a pessoa se sente desconectada do ambiente que a rodeia.</p>
<p>Estes mecanismos de proteção são automáticos e não são uma escolha. Por esta razão podem ser difíceis de identificar pelo próprio sobrevivente, que pode apenas sentir-se estranho sem conseguir explicar exatamente o que está a acontecer. Embora permitam ao sobrevivente distanciar-se e minimizar o sofrimento gerado pelo abuso, a longo prazo estes mecanismos interferem com a consciência corporal. Ou seja, a capacidade de sentir o que se passa com o próprio corpo. Alguns sobreviventes podem sentir dificuldades em identificar dores físicas, tensão corporal, sensações como sede, fome ou calor, e podem, em alguns casos, não sentir determinadas partes do corpo. Quando isto acontece, torna-se difícil para o homem sobrevivente de abuso sexual conseguir identificar as suas emoções, uma vez que, as sensações corporais, que acompanham a emoção, não são reconhecidas. Por exemplo, quando uma pessoa está ansiosa os batimentos cardíacos e a respiração aceleram e os músculos ficam mais tensos, o que ajuda a compreender que algo está a acontecer e a gerir essa emoção. Se não consegui identificar estas alterações corporais, torna-se mais complicado saber como uma pessoa se sente e o que pode fazer para se sentir melhor. Por este motivo, sobreviventes de violência sexual partilham muitas vezes dificuldades em se autorregular.</p>
<p>No acompanhamento psicológico focado no trauma, o sobrevivente pode compreender o impacto do abuso sexual na sua vida e gerir as emoções associadas ao mesmo. Do mesmo modo, entender estes mecanismos de proteção automáticos e, de que forma, estão presentes na sua vida, ajudará o sobrevivente a lidar com eles.</p>
<p>Ao longo do processo na Quebrar o Silêncio, o sobrevivente tem a oportunidade de se reconectar com o seu corpo e de reaprender que é seguro sentir. Paralelamente, são trabalhadas estratégias de autorregulação que ajudam o sobrevivente a manter-se mais estável, a ter controlo sobre as suas emoções, pensamentos e comportamentos. Progressivamente, a necessidade destes mecanismos automáticos surgirem vai diminuindo, uma vez que, o sobrevivente se sente mais conectado, estável e regulado.</p>
<p>Se se identifica com este texto e sente dificuldades em gerir as suas emoções, procure apoio. Contacte-nos através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Trauma e abuso sexual: quando o corpo se desliga do momento</title>
		<link>https://www.quebrarosilencio.pt/blogue/trauma-e-abuso-sexual-quando-o-corpo-se-desliga-do-momento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ângelo Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Sep 2023 13:16:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[Dissociação]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual contra homens]]></category>
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					<description><![CDATA[Vários homens que foram vítimas de violência sexual costumam referir que “apagaram” durante o abuso, como se desligassem da realidade e do seu próprio corpo. Para muitos destes homens, essa sensação continua a acontecer anos após o abuso e em circunstâncias completamente diferentes. A este processo chama-se dissociação e neste texto falamos sobre ele. Face [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vários homens que foram vítimas de violência sexual costumam referir que “apagaram” durante o abuso, como se desligassem da realidade e do seu próprio corpo. Para muitos destes homens, essa sensação continua a acontecer anos após o abuso e em circunstâncias completamente diferentes. A este processo chama-se dissociação e neste texto falamos sobre ele.</p>
<p>Face a uma situação traumática, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Este é um mecanismo adaptativo e automático que permite à pessoa sobreviver ao evento. Importa esclarecer que não se trata de uma escolha ou decisão consciente da pessoa, mas sim uma reação do cérebro e que a dissociação é uma das formas existentes de proteção pois permite ao sobrevivente desconectar-se da realidade quando esta é extremamente dolorosa.</p>
<p>Num caso de violência sexual, o sobrevivente pode experienciar uma sensação de estar desligado, como se a mente estivesse separada do corpo (dissociação), uma percepção distorcida de si próprio (despersonalização) ou a percepção de que o mundo não parece real (desrealização).</p>
<p>É comum que, inconscientemente e de forma automática, sobreviventes de violência sexual experienciem estes mecanismos durante o abuso, como forma de evitar sentir e fugir ao sofrimento que o abuso sexual está a gerar. Mesmo depois do abuso, a realidade pode ser continuamente percepcionada como perigosa, dolorosa e insegura, o que leva muitos sobreviventes a continuar a adotar esta resposta automática para lidar com esta sensação de ameaça constante, mesmo quando o perigo não é real.</p>
<p>Isto faz com que o sobrevivente se sinta anestesiado e alienado, como se perdesse a capacidade de sentir emoções e sensações, Este estado acaba por interferir com a forma como olha para si mesmo e com a capacidade de se ligar aos outros e construir relações saudáveis. O sobrevivente pode ainda experienciar lapsos de memória ou a sensação de memória desfragmentada ou vazia, como se “desligasse” de um determinado momento</p>
<p>Com uma terapia focada no trauma, o sobrevivente pode compreender que o seu corpo reagiu de forma adaptativa ao evento traumático vivido e que não há nada de errado consigo ou sobre a forma como o corpo se comportou no momento do abuso. Ao conhecer e compreender estes processos, pode aprender a identificar e reconhecer estes mecanismos quando acontecem na sua vida atual, tal como estratégias para os interromper. É também na terapia que o sobrevivente poderá reconectar-se com o seu corpo, voltar a sentir e aprender a regular as suas emoções.</p>
<p>Com o processo terapêutico concluído, o sobrevivente poderá sentir que mecanismos como a dissociação, surgem cada vez com menos frequência e com menor intensidade, e que é seguro sentir. Isto ajudará o sobrevivente a sentir-se inteiro, com controlo sobre o seu corpo e com capacidade para gerir as suas emoções.</p>
<p>Se sente que é comum dissociar ou que foi esta a reação ao trauma, ou se identifica com este texto e necessita de apoio contacte-nos. A Quebrar o Silêncio está disponível para recebê-lo através da Linha de Apoio 910 846 589 ou do email apoio@quebrarosilencio.pt.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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