À Quebrar o Silêncio chegam muitos homens e todos eles muito diferentes entre si; unidos pelo trauma que viveram.
Todos, sem exceção, carregam dúvidas e questões sobre o que lhes aconteceu, mas também sobre como julgam que poderiam ter agido ou comportado após o abuso. Como consequência desse questionamento e hesitação, vários receiam procurar apoio porque acreditam que serão julgados, rejeitados ou vistos como “más pessoas”.
Vamos esclarecer algo que para nós, na Quebrar o Silêncio, é regra: recebemos todos os homens sem julgamentos nem juízos de valor. O nosso apoio é um espaço seguro para qualquer partilha. E quando dizemos isto, dizemo-lo muito a sério. O nosso trabalho parte de um princípio simples: compreender sem julgar.
Qualquer homem pode procurar apoio sem medo de ser humilhado, ridicularizado ou tratado com juízos de valor.
Todos os dias acompanhamos homens que:
- evitam qualquer intimidade, outros que procuram sexo de forma compulsiva, tendo múltiplos parceiros sexuais;
- recorrem à prostituição ou exerceram trabalho sexual;
- consomem pornografia ocasionalmente, outros cujo consumo se tornou diruptivo, afeta as outras áreas das suas vidas, nomeadamente pessoal e profissional;
- utilizam álcool, drogas ou outras estratégias para tentar silenciar sofrimento emocional e outros que são abstémios;
- vivem com pensamentos suicidas ou passaram por tentativas de suicídio, outros que nunca tiveram esse tipo de pensamentos;
- sentem confusão relativamente à sua sexualidade, ao que lhes dá prazer, aos seus limites ou ao próprio corpo;
- são heterossexuais e têm relações sexuais com homens e homens homossexuais que têm relações sexuais com mulheres;
- evitam relações próximas, casamento ou parentalidade devido ao medo da vulnerabilidade emocional.
Nenhuma história é perfeita, não há vítimas perfeitas e muito menos há um guião que as vítimas tenham de cumprir para terem o apoio que merecem.
O trauma pode manifestar-se de formas muito diferentes. Sobreviver não é uma história bonita, linear ou socialmente compreensível.
Isso não significa que tudo o que fazemos em sofrimento seja saudável ou nos faça bem. Mas significa que ninguém deve ser reduzido aos seus momentos mais difíceis e às estratégias que teve que desenvolver para sobreviver.
Se vive com culpa, confusão, vergonha ou medo de ser julgado, saiba que não precisa de enfrentar isso sozinho. Independentemente do que fez no passado, da forma como agiu depois do abuso, do que fez para sobreviver ou do que hoje ainda faz; nada disso deve ser um travão ou obstáculo para ter ajuda.
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